segunda-feira, 20 de novembro de 2017

3 950 - As CCAÇ´s 4145, de 1972 e 1974, ambas de Vista Alegre

Caçadores da Companhia 4145/72, a de Vista Alegre; Dias sentado e tapado
 pela coluna), NN (de pé, idem), furriéis Freitas (encostado à coluna e Cerqueira,
capitão Corte Real (de óculos), 1º. sargento Sobreiro e, de pé, o furriel Ramos
Caçadores da 4145/72 no seu último encontro anual.
O capitão Raúl Corte Real está indicado pela seta.
Alguém pode identificar os outros elementos o grupo?



A CCAÇ. 4145/74 abandonou Vista Alegre a 20 de Novembro de 1974. Chegara na véspera para substituir a CCAÇ. 4145/72, comandada pelo capitão Raúl Alberto de Sousa Corte-Real e que, no dia seguinte, rodaria para Luanda.
A Companhia de Caçadores 4145/74 era 
Caçadores da 4145/72 em Vista Alegre do Uíge
angolano:  Dias, Marques,  Veiga e Israel
comandada pelo capitão Gabriel Gomes, um oficial do Grupo das Caldas (o golpe de 16 de Março de 1974), que pouco tempo lá esteve. Ia substituir a CCAÇ. 4145/72 e o livro «História da Unidade» - o BCAV. 8423 - «saiu do subsector a 20 de Novembro»
A CCAÇ. 4145/74 esteve apenas um dia em Vista Alegre? Poderá haver alguma confusão, ou outra missão, que talvez algum dia possamos esclarecer.
A CCAÇ. 4145/72 foi contemporânea dos Cavaleiros do Norte e esteve sempre aquartelada em Vista Alegre. Um dos seus oficiais milicianos, o alferes Adão Moreira recordou que era comandada pelo capitão Raúl Alberto Sousa Corte Real e tinha sido mobilizada pelo RI1, da Amadora. Partiu para Angola em Março de 1973 e de lá regressou em Dezembro de 1974.
O alferes miliciano Adão Moreira, em 1974,
 na messe de oficiais de Vista Alegre

Os quadros da 
CCAÇ. 4145/72

Adão Moreira é (era) o alferes miliciano «mais velho» e, por isso mesmo, comandou a CCAÇ. 4145/72 durante os períodos de doença e férias do capitão Corte Real. Nesse dia de saída, há 43 anos, já estava em Luanda.
«Fui mais cedo para o Grafanil, com cerca de 50 homens da incorporação angolana, para processar a desmobilização deles», disse o antigo oficial miliciano de Vista Alegre.
Outros oficiais que por lá jornadearam, quadros da CCÇA, 4145/72, foram os alferes Rosa (que comandou o 1º. pelotão), Fonseca (o 3º.) e Aguiar (o 4º.).
Adão Moreira e Rosa são de Setúbal e este substituiu o alferes Dias (despromo-
vido a furriel) e é aposentado das Finanças. Fonseca, é advogado em Lisboa. Aguiar, outro alferes e provavelmente também residente na capital, substituiu o alferes Damas - que foi desmobilizado, ainda em Portugal.

domingo, 19 de novembro de 2017

3 949 - O adeus da CCAÇ. 4145/72 a Vista Alegre e Ponte do Dange!

Grupo de militares da CCAÇ. 4145/72, a de Vista Alegre, num momento
de boa disposição, lá pelas terras africanas do Uíge angolano. Era coman-
 dada pelo capitão Raúl Corte Real. Alguém pode ajudar a identificá-los?


Caçadores da 4145, a Companhia de Vista Alegre, em
1974:  1º. sargento Sobreiro, furriéis Freitas e Cerqueira
 e António Dias. Momento de lazer uíjano!

A CCAÇ. 4145/74 chegou a Vista Alegre no dia 19 de Novembro de 1974 e iria substituir a CCAÇ. 4145/72, comandada pelo capitão Raúl Corte-Real e adida aos Cavaleiros do Norte. Mas rapidamente rodou: «A 20 de Novembro saiu do Subsector e permitiu o início da saída definitiva da CCAÇ. 4145/72 para Luan-
da», refere a «História da Unidade» - a do BCAV. 8423.
A saída da CCAÇ. 4145/72 «começou a processar-se a 21 de Novembro», uma quinta-feira, já a 1ª. CCAV. 8423, a da
 O estandarte da CCAÇ.
4145/72, de Vista Alegre
Fazenda de Zalala, tinha iniciado a sua movimentação para Vista Alegre e Destacamento da Ponte do Dange - que seria concluída no dia 25, a terça-feira seguinte.
Estas rotações estavam devidamente planificadas e em nada alteraram a vivência quotidiana das outras Compa-
nhias do BCAV. 8423 - a CCS (aquartelada no Quitexe), a 2ª. CCAV. 8423 (em Aldeia Viçosa) e a 3ª. CCAV. 8423 (em Santa Isabel), se bem que esta já estivesse, por esse tempo, em ordem de marcha para a vila sede do Batalhão.
O 19 de Novembro foi uma terça-feira e a estas movimentações não seria alheia da reunião do Comando do Sector do Uíge (CSU), na véspera e que decorreu no BC12, em Carmona, e na qual participou o capitão José Paulo Falcão - oficial de operações do BCAV. 8423 e que, por esse tempo, exercia as funções de comandante interino do Batalhão, substituindo o comandante, tenente-coronel Carlos de Almeida e Brito, de férias em Lisboa.
Eugénio Carmo,
1º. cabo atirador

Carmo de Aldeia Viçosa,
65 anos na Covilhã!

O 1º. cabo Carmo, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, está hoje em festa. É dia 19 de Novembro de 2017 e comemora 65 anos.
Eugénio Gonçalves do Carmo, de seu nome completo, foi atirador de Cavalaria e, no final da sua comissão em Aldeia Viçosa (primeiro) e Carmona, em Angola, regressou a Portugal e à sua casa do lugar da Malhada da Chã, na freguesia de Piodão, concelho de  Arganil. Vive agora na povoação do Pereiro, freguesia de Sobral de S. Miguel, no concelho da Covilhã, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 18 de novembro de 2017

3 948 - Os primeiros tempos do BCAV. 8423, trio em adeus ao Quitexe!

Alferes milicianos António Garcia e Jaime Ribeiro, capitão miliciano médico
 Manuel Leal (que há 43 anos disse adeus ao Quitexe e aos Cavaleiro do Norte,
regressando a Portugal) e o tenente Acácio Luz. Oficiais da CCS/BCAV. 8423
 

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos milicianos.
Em cima, furriéis Graciano e Carvalho, com o alferes
Simões ao meio. Em baixo, furriel Capitão, infelizmente
falecido a 5 de Janeiro de 2010, em Ourém e de doença


O Batalhão de Cavalaria 8423, de acordo com o livro «Historia da Unidade, «co-
meçou a existir cerca de Outubro/No-
vembro de 1973, com a mobilização da maioria dos seus quadros e tendo como unidade mobilizadora o RC4, sendo mobilizado com destino a Angola». Foi isto há 44 anos!
O 4º. turno de instrução especial deveria ter-se realizado em Dezembro mas, de novo citando «Historia da Unidade, «por diversos condicionalismos, esse
Emblema do BCAV. 8423
período de instrução não se realizou»
Assim, e por isso mesmo, «o encontro da maioria do pessoal do futuro Batalhão - oficiais, sargentos e praças - só se deu em Janeiro de 1974, no aquartelamento do Destacamento do RC4, em Santa Margarida».
A maioria dos quadros milicianos, todavia, apresentou-se ao longo o mês de Dezembro de 1974. Alguns deles, em véspera da Natal - como foi o caso dos futuros furriéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto, nesse dia lá chegados, pouco antes do meio dia e transferidos, os três, do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego. Apresentados, logo entraram em gozo de breve licença - que se prolongou até 2 de Janeiro de 1974, quando voltaram a Santa Margarida para a, então, já definitiva formação do BCAV. 8423. Envolvendo os futuros praças das 4 Companhias a do Comando (CCS) e as três operacionais.
O capitão miliciano médico Manuel leal, com
 a esposa e o alferes miliciano António Cruz,
há 2 anos na Póvoa do Varzim. Tem 89, feitos
a 3 de Outubro de 2017 

Adeus de trio
ao Quitexe

Um ano depois e por terras do Uíge angolano, os Cavaleiros do Norte iam já no 7º. mês de comissão mas, felizmente, já num período de acalmia. Que foi também tempo de adeus(es).
O capitão médico miliciano Manuel Soares Cipriano Leal foi um dos Cavaleiros do Norte que, em final de comissão, regressou a Portugal. Já estava por Angola quando o BCAV. 8423 lá chegou, era médico do BCAÇ. 4211. Estava no Quitexe e chegámos lá a 6 de Junho de 1974. Regressou a Portugal e a Fafe, onde exerceu medicina até há bem pouco tempo. Tem 89 anos e mora agora na Póvoa do Varzim
O alferes miliciano José M. F. Ferreira era capelão militar da 2ª. CAV. 8423 e também estava em final de comissão. Regressou a Portugal e sabemos, por informação do dr. Albino Capela (que foi missionário no Quitexe) que já faleceu, de doença e na diocese da Guarda, em data indeterminada.
Antero Lourenço Baião foi outro Cavaleiro do Norte quem há 43 anos, abandonou o Quitexe, por desmobilização citada na Ordem de Serviço 123, por razões que desconhecemos. Era soldado cozinheiro.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

3 947 - A mobilização de Monteiro, Viegas e Neto, «Rangers» dos Cavaleiros do Norte!

Monteiro, Viegas e Neto, três furriéis milicianos de Operações Especiais (Rangers) 
da CCS do BCAV. 8423, fotografados no Quitexe, em 1974. A 17 de Novembro
 de 1973, estavam em Lamego, no CIOE, quando foram mobilizados para Angola

Neto, Viegas, Matos (da 2ª. CCAV.) e Monteiro, todos
do BCAV. 8423 e aqui no Regimento de Cavalaria 4, a
unidade mobilizadora e em Santa Margarida (1974)

Os Cavaleiros do Norte Monteiro, Viegas e Neto, da CCS do BCASV. 8423, foram mobilizados há precisamente 44 anos, dia 17 de Novembro de 1973. 
Só dias depois souberam, pela Ordem de Serviço nº. 286, de 7 de Dezembro e do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego.
O trio estava lá colocado, depois de concluído o 2º. turno de instrução
A mobilização de Monteiro, Viegas e Neto na Ordem de
Serviço º. 286 do CIOE, a 17 de Novembro de 1973
desse ano, em Penude. Integrava a Companhia de Caçadores da Unidade e participavam na instrução do terceiro e último curso de 1973 - que era frequen-
tado pelo Reino, futuro Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel. 
A nota mobilizadora tinha o nº. 47000-Pº. 33.007, da RSP/DSP/ME e, ao dela termos leitura, gratificamo-nos: ser mobilizado para Angola era, entre as várias frentes da guerra colonial, a que aparentemente mais interessava. Era, diga-
mos, a melhor sorte, comparada com as mobilizações para Moçambique ou, pior ainda, para a Guiné-Bissau. Para mim, melhor ainda: por lá, por Angola, tinha bastantes amigos civis e família.
Mobilizados também, e companheiros de Lamego, como 1ºs. cabos milicianos de Operações Especiais, foram o Matos e o Grilo (para Angola), o Praxedes, o Amé-
rico Ferreira, Ribeiro e João Pedro (Moçambique) e o Gonçalves e o Rodrigues (Guiné). Deles todos, sei que o Grilo vive na Nazaré, de onde é natural e onde fa(e)z vida como funcionário público. O Praxedes tem um restaurante em Setúbal (O Praxedes) e o Ribeiro por lá foi bombeiro e já está aposentado.

Os dias do Uíge
e de Cabinda !

Um ano depois, já no Quitexe, o trio de «rangers» e toda a guarnição expectavam sobre o futuro próximo, quando já iam semanas depois do cessar-fogo anunciado por FNLA e MPLA. Da UNITA, pouco se falava por lá.
A 1ª. CCAV. 8423 ultimava a rotação para Vista Alegre e Ponte do Dange e o abandono da mítica Fazenda Zalala. E a 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, também começava a preparar-se para «viajar» para o Quitexe.
Cabinda era notícia: a Força Aérea Portuguesa violou o espaço aéreo do Congo e bombardeou algumas posições. O objectivo era pôr cobro a um motim no norte do Enclave de Cabinda. 
A operação decorreu, de acordo com um despacho da Frafnce Press, a 15 e 16 de Novembro de 1974, e o objectivo do ataque era «libertar 22 militares portugueses presos como reféns de elementos da FLEC». Estes, recuaram ara território congolês e as autoridades locais (congolesas) tomaram conta dos reféns e de um mercenário francês.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

3 946 - A desagregação dos 4 GE´s dos Cavaleiros do Norte


Os furriéis milicianos Francisco Neto e Viegas, responsáveis,  com
 Miguel Peres dos Santos, dos GE 217 e 223, da CCS e no Quitexe

Furriéis milicianos Viegas e Mi-
guel, responsáveis, com Neto,
pelos GE´s 217 e 223
 
Grupos Especiais, força 
irregular formadas por 
voluntários africanos



BCAV. 8423 tinha vários Grupos Especiais (GE), uma força irregu-
lar formada por voluntários afri-
canos da etnia local, que opera-
vam adidos às unidades locais do Exército Português. No seu auge, existiram 99 grupos de GE, cada um com 31 homens.
Os Cavaleiros do Norte tinham 4 grupos: o GE 217 e o GE 223 (adidos à CCS do capitão António Oliveira, no Quitexe), o GE 222, em Aldeia Viçosa (2ª. CCAV. 8423, a do capitão José Manuel Cruz) e o GE 208, em Vista Alegre (CCAÇ. 4145, a do capitão Raúl Corte Real).
Outras forças irregulares era a Organização Provincial de Voluntários de Defesa Civil de Angola (OPVDCA), Forças Aéreas Voluntárias (milícia aérea),  Guarda Rural (auxiliar da PSP), Tropas Especiais (TE, ver abai-
xo), Fiéis Catangueses (exilados do Zaire), Leais Zambianos (exilados da Zâmbia) e Flechas (força paramilitar da PIDE/DGS).

Desactivação
dos GE´s

Aos tempos de há 43 anos, por meados de Novembro de 1974, estava em marcha a desactivação dos 4 Grupos Especiais (GE´s) do BCAV. 8423. Os do Quitexe, operavam sob comando directo dos furriéis milicianos Miguel Peres dos Santos (pára-
quedista), Viegas e Neto, ambos de Operações Especiais (Rangers). 
«A ineficiência que se vinha verificando e a sua desnecessária existência levaram os escalões superiores a prever a sua desactivação», reporta o livro «História da Unidade», quanto ao mês de Novembro e a esta força irregular que tantas dores de cabeça por lá nos deu, não só em operações como no seu dia-a-dia, no geral  demasiadamente indisciplinado.
A memória faz-nos recordar dois dos seus chefes: o João Quatorze e o João Bernardo. Este, que se ufanava de ter filhos a estudar no Estoril, viemos a en-
contrá-lo (eu e o Neto) em Luanda, já em Agosto de 1975 e como capitão do MPLA, na Avenida D. João II, perto da Messe da Combatentes.  
«Subi nos vida..., suuuubiiii nos vida», disse-nos ele, em sotaque caracterís-
tico da sua etnia e de olhos a brilhar de alegria, a apontar para os galões de capitão, que reluziam ao sol angolano e o tornaram comandante do MPLA.
O que será feito deles?
O Diário de Lisboa de 16 de
Novembro de 1974 falava
do problema de Cabinda

O problema 
de Cabinda

Angola, ao tempo, continuava com o delicado proble-
ma da (não) independência de Cabinda em jogo e re-
petiam-se incidentes no Enclave. O Diário de Lisboa de 16 de Novembro de 1974 titulava, em primeira pá-
gina, que «Há banditismo e não guerrilha em Cabin-
da», adiantando que as Forças Armadas Portuguesas estavam a levar a cabo «uma operação para desalojar um grupo armado, denominado FLEC».
O jornal citava o presidente da Junta Governativa, o al-
mirante Rosa Coutinho, à sua chegada a Luanda, precisamente oriundo de Cabinda, frisando que «é obrigação das Forças Armadas garantir a integridade do território, durante o processo de independência». Disse mais, Rosa Couti-
nho: disse «serem inadmissíveis as exigências formuladas pela FLEC e pelos TE, que mantém em seu poder vários reféns».
FLEC, entenda-se Frente de Libertação do Enclave de Cabinda. Por TE, Tropas Especiais, força inicialmente formada por 1 200 guerrilheiros que se desagre-
gou da UPA (FNLA, movimento independentista) e passaram a combater por Portugal. Operavam em Cabinda e Norte de Angola e chegaram a atingir um pico de 2 000 efectivos, organizados em 4 batalhões de 16 grupos de combate, cada qual com 31 homens.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

3 945 - Encontro de FNLA´s, no Quitexe, com Cavaleiros do Norte!

O comandante Bundula, da FNLA, em Aldeia Viçosa, com o capitão mili-
ciano José Manuel Cruz (comandante a 2ª. CCAV.
  8423), um militar (?) da
FNLA, o capitão miliciano José Paulo Fernandes (comandante da 3ª. CCAV.
 
8423) e o administrador civil (careca)

O comandante Bundula e mulher num
comício da FNLA em Vista Alegre (em
data desconhecida)


A 16 de Novembro de 1974, apresentou-se no Quitexe um grupo de combatentes da FNLA, alguns com nível da sua chefatura, e reuniram com o capitão José Paulo falcão, que, interina-
mente, comandava o BCAV. 8423.
A presença deles suscitou viva e natural curio-
sidade da parte da guarnição e até algumas con-
versas, já que os de nível hierárquico mas baixo, até comeram no refeitório dos praças. Não nos lembramos se algum quadro intermédio refeiçoou na messe da sargentos. Cremos que não!
Ao tempo, e relativamente pouco antes, muito pouco antes, recordemos, tinham começa-do «contactos com as autoridades, por parte de 
A primeira página do Diário de
Lisboa de 15 de Novembro de 1974
alguns elementos dispersos da FNLA». Agora,
de acordo com a «História da Unidade», «já nas categorias elevadas da sua chefatura».
Foi também o caso de Aldeia Viçosa, onde se aquar-
telava a 2ª. CCAV. 8423 (a do capitão José Manuel Cruz) e onde, em data que desconhecemos, se apresentou o comandante Bundula - que passava por ser um homem extremamente violento, de ferocidade brutal e pouco dado a simpatias pessoais. Da fama, não se livrou.

Angola, o MPLA, a
FNLA, UNITA e FUA!

Ao tempo, e com o problema do Enclave de Cabinda a efervescer, o MPLA denunciava «manobras neo-colonialistas» para impedir o movimento de integrar o futuro Governo de Angola.
O Diário de Luanda, jornal diário da tarde, publicava comunicados da FNLA e da FUA. O do movimento de Holden Roberto, de acordo com o Diário de Lisboa, foi «um velado ataque à Junta Governativa de Angola e ao MPLA, explorado alegadas divisões deste movimento». 
A FUA (Frente de Unidade Angolana) atacava a direcção da Emissora Oficial de Angola (cuja programação estava suspensa) e repudiava «qualquer extremis-
mo», comentando que «todo o angolano deve colaborar, sem comodismo e sem atropelos, na construção de uma Angola independente e democrática».
A UNITA de Jonas Savimbi, por sua vez, mantinha-se «remetida a prudente silêncio, evitando críticas à Junta Governativa e ao MPLA».
Maria dos Anjos e João
Jerónimo Rito em 2015


A viúva de João Rito 
de Aldeia Viçosa!


João Jerónimo Rito foi atirador de Cavalaria da 2ª. CCAV. 8423 e faleceu a 1 de Março de 2016, vítima de doença e em Castelo Branco. Era dos que nunca faltava aos encon-
tros dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, fazendo-se sempre acompanhar da esposa, Maria dos Anjos. Que continua ser a Amazona do Norte e memória presente de João Jerónimo Rito, nos encontros anuais.
Maria dos Anjos está amanhã (16 de Novembro) em festa de anos (não se diz quantos, que a idade de uma senhora não se pergunta, nem se diz...). Mas é das nossas idades!
Hoje, ao assinalarmos o seu dia natal, fazemos memória, também, do saudoso e inesquecível João Jerónimo Rito. RIP!!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

3 944 - Os «ferrugens» do parque-auto, o enclave de Cabinda!

Cavaleiros do Norte do Parque-Auto da CCS do BCAV. 8423. À frente, reconhe-
cem-se os 1ºs. cabos Breda (o terceiro) e Domingos Teixeira (quarto), o alfe-
res Cruz  (o quinto, de boina e farda nº. 2),  1º. cabo Agostinho Teixeira,
Brites e 1º. cabo Porfírio Malheiro. Na seguinte e de pé está o 1º. cabo
Carlos Mendes (de óculos). E os outros, quem os identifica?


O 1º. sargento Joaquim Aires e o furriel miliciano Nor-
berto Morais, ambos do Parque-Auto. Depois e sentados,
 os furriéis milicianos Nelson Rocha e António Cruz. De
pé, o cozinheiro José Joaquim Robalo Rebelo

A questão de Cabinda, as posições da FLEC (que queria a independência do enclave) e dos três movimentos de li-
bertação eram o tema forte da Angola de há 43 anos. 
«O MPLA fará tudo o que estiver ao seu alcance para defender a integridade territorial de Angola, incluindo Cabin-
da», declarou Lúcio Lara, que era o chefe da delegação de Luanda.
Quatro «ferrugens» do Quitexe: Simões (mecâ-
nico), Serra (condutor), Pereira (mecânico) e
Teixeira (1º. cabo estofador). A 3 de Junho
de 2017, no encontro do RC4
Os Cavaleiros do Norte, lá pelas bandas do Quitexe, de Zalala (ainda), de Aldeia Viçosa e Santa Isabel continuavam a sua missão e, de acordo com o Livro da Unidade, «foi mantida a actividade do antecedente». 
A única excepção, por estes dias de há 43 anos, era a 1ª. CCAV. 8423,  a de Zalala, que preparava a sua rodagem para Vista Alegre. Que seria concluída a 25 de Novembro de 1974.
A 3ª. CCAV. 8423 também tinha movimento futuro praticamente pré-anunciado: da Fazenda Santa Isabel para o Quitexe. O que viria a acontecer a 10 de Dezembro.
Fora isso, continuavam os patrulhamentos das principais vias da ZA do BCAV. 8423, especialmente a Estrada do Café, nos troços de Carmona (agora cidade do Uíge) a Ponte do Dange - o que implicava «verdadeiros sacrifícios», não só do pessoal operacional como também das viaturas, que andavam constante-
mente na estrada e sujeitas a manutenções e reparações contínuas.
A parada do Quitexe com as oficinas ao fundo

Cavaleiros do Norte
do Parque-Auto

O Parque-Auto da CCS do BCAV. 8423, coman-
dado pelo alferes miliciano mecânico António Albano de Araújo Sousa Cruz, teve acção de enorme importância no tempo, para assegurar a operacionalidade das viaturas. 
Parque-auto que incluía as prestações do 1º. sargento mecânico Joaquim António do Aires e do furriel miliciano Norberto António Ribeirinho Carita de Morais. Também dos 1ºs. cabos João Monteiro, o Gasolinas (combustíveis e lubrificantes), Carlos Mendes (bate-chapas), Rafael Farinha e José Frangãos, o Cuba (mecânicos-auto), Porfírio Malheiro (manutenção de material), Agostinho Teixeira (pintor) e Domingos Teixeira (estofador) e dos soldados Guerreiro, António Simões e António Pereira (mecânicos-auto). Faltará algum?
O grupo da «ferrugem» - assim se chamava, por brincadeira, aos homens da oficina-auto... - incluía os condutores Henrique Esgueira, Américo Gaiteiro, Miguel Ferreira, Joaquim Celestino Silva, Delfim Serra, Armando Santos, Vicente Alves, Manuel Alves, José António Gomes, Alípio Canhoto Pereira, Brites da Costa, António Picote e António Gonçalves. 
Manuel Amaral, o
Bolinhas de Zalala

Amaral, o Bolinhas, 65
anos em Penacova!

O Amaral, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala, está amanhã em festa, dia 15 de Novembro de 2017: comemora 65 anos.
Manuel Neves do Amaral imortalizou-se na jornada africana do Uíge angolano com a simpática alcunha de Bolinhas. E Bolinhas continua, no tratamento que lhe é dado nos encontros dos «zalala´s», a que nunca falta - por vezes até com familiares. 
Regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e fixou-se onde já então residia e ainda reside: na Quinta dos Penedos, concelho de Penacova, distrito de Coimbra. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!  

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

3 943 - A contra-subversão do Quitexe e a calma de novo em Luanda!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel., todos furriéis mi-
 licianos: José Querido (atirador de Cavalaria, Victor Guedes (armamento pe-
 sado, falecido, de doença, a 16 de Abril de 1998, em Lisboa). António Fer-
 nandes (atirador de Cavalaria) e Ângelo Rabiço (enfermeiro). À frente,
Agostinho Belo (vagomestre, de óculos)

Cavaleiros do Norte no Quitexe, os furriéis milicianos
António Flora, Luís Costa (morteiros), Agostinho
Belo, Francisco Bento e Joaqium Abrantes

O dia  13 de Novembro de 1974 foi tempo, lá pelas bandas do Quitexe, para mais uma reunião da Comissão Local de Contra-Sub-versão (CLCS), continuando «com o pro-
grama traçado» pelas autoridades militares, num período que o Livro da Unidade carac-
teriza por «uma acalmia não encontrada há largos anos». E ainda bem!
A CLCS do Quitexe fez, então e nesse mes-
mo dia de há 43 anos, uma das suas últi-
mas reuniões, sendo substituída a 1 de Dezembro seguinte pela Comissão Local de Coordenação Civil-Militar (CLCCM) - isto, pela «necessidade de estreitamento das
Capa do livro «História da Unidade»,
do BCAV. 8423, os Cavaleiros do Norte
 relações civil-militares e procurado uma outra feição de actuação», como se lê no Livro de Unidade.
O mesmo dia, foi vez e tempo de o capitão José Paulo Falcão, enquanto comandante interino do BCA. 8423, reunir em Carmona no âmbito dos habituais trabalhos do Comando de Sector do Uíge (CSU).


Luanda voltou
ao «normal»!

A cidade de Luanda, a 13 de Novembro de 1974, acordou calma, depois dos graves incidentes das vésperas - que resultaram em mais de 50 mortos e uma centena de feridos.
«Na madrugada de ontem, ainda se ouviram rajadas de tiros nos subúrbios, mas mesmo esse tiroteio esporádico acabou pela manhã», relatou o Diário de Lisboa da tarde desse dia, acrescentando que voltaram ao trabalho «os motoristas de camiões que tinham entrado em greve, como protesto contra os assaltos e tiros na estrada principal, que liga Luanda ao Dondo».
Os motoristas eram de longo curso (principalmente europeus) e só voltaram à estrada depois de o Governo de Luanda ter anunciado que intensificaria as patrulhas militares naquela importante via rodoviária.
Dionísio Baptista

Dionísio do PELREC,
65 anos na Suíça !

O Dionísio, atirador de Cavalaria da CCS dos Cavaleiros do Norte, está amanhã em festa. Comemora 65 anos!
Dionísio Cândido Marques Baptista foi garboso combatente do BCAV. 8423, integrou o (nosso) PELREC e regressou a Portugal e a Amora, onde residia, a 8 de Setembro de 1975, depois de concluída a sua (e nossa) comissão de serviço por terras do Uíge angolano.
Ainda lá tem residência, lá regressa a férias todos os anos, mas há bastantes anos que está emigrado na Suíça. Para onde vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 12 de novembro de 2017

3 942 - Rotação de Cavaleiros do Norte e mais de 50 mortos em Luanda

O capitão José Paulo Falcão, que há 43 anos comandava interinamente o
 BCAV. 8423, o soldado clarim Armando Mendes da Silva (da 3ª. CCAV. 8423)
 e o comandante Carlos Almeida e Brito (então tenente-coronel)
Cavaleiros do Norte da CCS, todos condutores: Vicente,
 Gonçalves ( NN (de bigode). Gomes e NN. Em baixo,
Serra, NN e Miguel. Quem são os NN´s?



Os dias do Uíge, há 43 anos e na ZA do BCAV. 8423, passavam-se calmos, sob o comando interino do capitão José Paulo Falcão, a substituir o tenente-coronel Almeida e Brito, de férias em Lisboa.
A rotação do dispositivo militar estava em marcha e sabia-se que a CCAÇ. 4145/72, a de Vista Alegre, iria rodar para Luanda. Há aqui uma curiosidade: esta CCAÇ. viria a partir no dia 21 de
Capitão Raúl Corte-Real
Novembro e 2 dias antes (a 19) chegou a Vista Alegra a CCAÇ. 4145/74, que de lá saiu no dia seguinte (20). Seria a 1ª. CCAV. 8423 a aquartelar-se na vila - que fica a uns 60 quilómetros do Quitexe, na Estrada do Café, entre o Quitexe e Luanda.
A CCAÇ. 4145/72 era comandada pelo capitão miliciano Raúl Corte Real e chegou a Vista Alegre no dia 1 de Abril de 1973 - mais de ano e meio antes. Na altura da chegada da 1ª. CCAV. 8423, a 25 de Novembro de 1974, estava envolvida numa grande operação - a «Turbilhão», no Quanza Norte -, e o capitão Raúl Corte Real comandava a única Zona de Intervenção (ZI) do Uíge.
Os «caçadores» da 4145/72 rodaram para Luanda e por lá se aquartelaram, no Campo Militar do Grafanil, até à sua partida para Portugal.
Notícia do Diário de Lisboa, de há 43 anos,
sobre os incidentes de Luanda

50 mortos e mais
de 100 feridos
em Luanda!

Calmos pelas bandas dos Cavaleiros do Norte, mas trágicos em Luanda, onde se registaram pelo menos 50 mortos.
«A anarquia continua a dominar esta capital, após dois dias de tiroteio, lançamento de granadas, esfaqueamentos e fogos postos que provocaram pelo menos 50 mortos e mais de 100 feridos», reportava o Diário de Lisboa, na sua edição de 12 de Novembro de 1974.
Um comunicado militar dava conta que «quase todos os mortos são negros» e o jornal «O Comércio», de Luanda, noticiava que «uma família de 7 pessoas estava a ser tratada na sala de observações» do Hospital de S. Paulo, «após ter sido espancada e anavalhada no seu lar, por assaltantes».
Alguns dos desordeiros, de acordo com o comunicado militar, «estavam a usar armas automáticas sofisticadas de origem soviética» e sublinhava que «a responsabilidade pelos incidentes não podem ser atribuídas a uma só parte da população».
«Registaram-se actos de insubordinação da parte das populações branca e negra e de alguns soldados», referia o comunicado militar, enquanto o coronel Ferreira Dinis, comandante das Forças Especiais de Segurança Militar, admitia que «os responsáveis pelos incêndios e pilhagens são criminosos e antigos presos políticos amnistiados pelas autoridades militares portuguesas após o 25 de Abril».
A FNLA, o MPLA e a UNITA «condenaram os incidentes» e rejeitaram «quaisquer responsabilidades neles».
Fernando Santos,
clarim de Zalala

Santos, o clarim, 65
anos em Ourém!

O soldado Santos, da 1ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte de Zalala, comemora hoje 65 anos.
Fernando Manuel Dias dos Santos foi clarim na mítica fazenda uíjana, a dos combatentes comandados pelo capitão miliciano Davide Castro Dias, e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975. A Resouro, lugar de freguesia de Urqueira, em (Vila Nova de) Ourém.  Para lá e para ele, o nosso abraço de parabéns!





sábado, 11 de novembro de 2017

3 941 - A independência de Angola; rotação do dispositivo militar no Uíge!

Angola afirmou-se independente da 11 de Novembro de 1975. Há 42 anos.
A revista brasileira VEJA publicou cartazes dos três partidos/movimentos,
que, cada qual, declarou a sua independência
Furriéis milicianos da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia
Viçosa: José da Silva Gomes (que dia 13 faz 65 anos),
António Guedes, José Costa e António Letras


Angola é independente  desde 11 de Novembro de 1975, há 42 anos e a três vozes: a do MPLA do presidente Agos-
tinho Neto (em Luanda), a da FNLA de Jonas Savimbi (no Ambriz) e a da UNITA de Jonas Savimbi (em Nova Lisboa).
Agostinho Neto, presidente do MPLA, proclamou a República Popular de Angola, de Cabinda ao Cunene!
Holden Roberto, presidente da FNLA, proclamou a República Popular e
A independência de Angola na primeira página
do Diário de Lisboa de 11 de Novembro de 1975
Democrática de Angola!
A FNLA e a UNITA, em Kinshasa, assinaram um acordo, instituindo um Conselho da Revolução (de 24 membros, 12 de cada movimento) e um Governo comuns. A capital seria em Nova Lisboa, que mudaria de nome, para Huambo. Seria o centro temporário do poder político, mas Luanda, onde dominava o MPLA, continuaria a ser a capital da República.
Luanda onde Agostinho Neto proclamou a in-dependência do MPLA, enquanto as suas forças militares «continuavam em luta» e horas antes da proclamação «rechaçaram uma nova ofensiva lançada na manhã de ontem, em Cabinda».
«Os invasores sofreram pesadas baixas, em pessoal e material», noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «fizeram muitos prisioneiros e captu-
raram grande quantidade de espingardas automáticas G3».
Próximo de Luanda, no Qinfandongo, entretanto, «a luta não cessou durante todo o dia de ontem» (10 de Novembro de 1975),n chegando as forças do MPLA «a lutar corpo a corpo, à hora que o povo festejava a independência do MPLA» com homens da FNLA.
Proclamações de independência foram três, mas só a do MPLA foi reconhecida pela comunidade internacional.
Edifício do Comando do BCAV. 8423, no Qui-
texe. A porta da direita era a do gabinete
do comandante Carlos Almeida e Brito

A rotação do
dispositivo militar

Um ano antes (em 1974, já lá vão 43!...) e face ao desenvolvimento do processo de desco-
lonização, «a rotação do dispositivo militar começou a ser efectuada», já aqui falámos disso, mas, de acordo com o Livro da Unidades, «à custa de verdadeiros sacrifícios, dadas as carências de meios auto».
«A materialização desses movimentos envolveu não uma simples mutação, mas, sim, a extinção de aquartelamentos», relata o Livro da Unidade. Lembremos a extinção de Luísa Maria, Zalala e Liberato, que ficaram «sem guarnição militar». E já se preparava a de Santa Isabel.

José Gomes, furriel
da 2ª. CCAV. 8423

Furriel Gomes, 65 anos
na Vila do Prado!

O furriel miliciano Gomes, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, aquartelada em Aldeia Viçosa, vai estar em festa no dia 13 de Novembro de 2017: comemora 65 anos.
José da Silva Gomes foi atirador de Cavalaria, especializado na Escola Prática de Cavalaria (em Santarém) e regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, ao lugar de Assento, na freguesia de Panóias, em Vila Verde. Por lá fez boa parte da sua vida e reside agora na Vila do Prado, para onde vai o nosso abraço de parabéns, embrulhado no desejo de que, feliz e com saúde, possa festejar muitos mais anos de vida!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

3 940 - Calma lá pelo Quitexe, 26 mortos em Luanda!

Três furriéis milicianos no Quitexe: Carvalho, da 3ª. CCAV. 8423 (a de Santa
 Isabel), Viegas, da CCS (a do Quitexe) e um angolano, cujo nome se varreu 
da memória e que, na altura, estada adido ao BCAV. 8423. Imagem de 10
 de Outubro de 1974, à porta da messe e bar de sargentos Há 43 anos!


Cavaleiros do Norte do Parque-Auto: Picote, de mãos nas
ancas (que hoje faz 65 anos, em Óbidos», 1º. cabo Teixei-
ra (pintor), Serra, 1º. sargento Aires (de óculos) e alferes
Cruz (de branco). à frente. 1º. cabo Teixeira (estofador)

O dia 10 de Novembro de 1974, há 43 anos, não teve registo especial pelo Quitexe, a não ser - para nosso gosto pessoal - o facto de ser o tempo da imagem que abre este post.
À porta do bar e messe de sargentos da CCS, no Quitexe, está o trio de furriéis milicianos sentado no varandim térreo que dava para a avenida da vila. A falar de qualquer coisa e a bebericar. 
Do Carvalho, que por lá foi furriel mili-
ciano atirador de Cavalaria, sabemos que fez carreira profissional na PSP (principalmente em Santarém) e já está aposentado, vivendo pelas bandas do
Quitexe. A secretaria da CCS, vista da
Estrada do Café, de Luanda a Carmona
Entroncamento. Quanto ao furriel angolano, passou episodicamente pelo Quitexe, julgo que por razões disciplinares, e era muito quezilento. Uma vez, teve de passar a noite no Posto 5! Não nos recordamos do nome, mas há a ideia de que, depois de sair do Quitexe, esteve ligado a um dos movimentos angolanos de libertação.

26 mortos em Luanda: 22 
negros, 3 brancos e 1 militar!

O dia de há 43 anos, um domingo, foi trágico em Luanda: «Um dia completo de violências», relatava o Diário de Lisboa do dia seguinte, dando conta que «até à meia noite registaram-se 25 mortos civis (22 negros e 3 brancos) e um militar, para além de 60 feridos».
O jornal vespertino de Lisboa explicava que «o elevado número de mortos, consequência de uma vaga de banditismo, e não só, não deixa antever próximos dias de tranquilidade, a menos que se entre num caminho de dureza, que se tem evitado».
A onda de violência, ainda segundo o Diário de Lisboa, surgia «na sequência das sucessivas chegadas das delegações da FNLA, MPLA e UNITA» e expectava-se que a cidade «não conhecerá tão cedo o sossego, apesar das patrulhas que percorrem os bairros da periferia e do apelos difundidos pelo almirante Rosa Coutinho e dirigentes dos três movimentos de libertação, agora com delegações oficiais em Luanda».
António Picote
em 2012

Picote, condutor, 65
anos em Óbidos!

O Picote, emblemático condutor da CCS dos Cavaleiros do Norte, está hoje em festa, comemorando 65 anos.
António do Rosário Picote é o seu nome completo e vivia (e vive) no lugar de Casal do Chão, nem por acaso na Rua do Picote, na freguesia de Á-dos-Negros, concelho de Óbidos. Trabalhou na construção civil e, depois, 28 anos (os últimos) na Câmara Muni-
cipal de Óbidos, de que aposentou há precisamente 8, em 2009.
Agora, solteiro e com pouca família directa, faz «uns biscates para entreter» e passeia a reforma com os amigos. Para ele  ai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

3 939 - O último dia do Liberato, o MPLA apoteótico em Luanda!

Cavaleiro do Norte da CCS, no Quitexe. Da esquerda para a direita, Gaiteiro,
Serra, 1º. cabo Malheiro, Aurélio (Barbeiro) e 1º. cabo Mendes (?, de óculos) e
 Miguel (condutor). Ao meio, o 1º. cabo Monteiro, o Gasolinas (de bigode),
o Cabrita (que amanhã faz 65 anos em Cascais) e o Calçada

Grupo da CCAÇ. 209/RI 21, a da Fazenda do
Liberato, numa coluna para a vila do Quitexe


O dia 9 de Novembro de 1974 foi o último da presença militar portuguesa na Fazenda do Liberato, de lá saindo a CCAÇ. 209, do Regimento de Infantaria 21 (RI21) de Nova Lisboa, actual Huambo - aonde regressou.
A operação de saída desta subunidade (adida) do BCAV. 8423 começara na véspera, concretizando, de acordo com
Memorial da Fazenda do Liberato, evocando
os militares portugueses por lá mortos
o Livro da Unidade, «o abandono da autoridade militar portuguesa» de uma fazenda que «desde 1961/62, estava militarmente ocupada».
«Verifica-se, assim, a retracção do dispositivo militar, operado face ao cessar-fogo anunciado pelos três partidos emancipalistas de Angola, a FNLA, o MPLA e a UNITA», sublinha o mesmo Livro da Unidade, também referindo a rotação (em outras datas) das subunidades dos Cavaleiros do Norte - o BCAV. 8423 - que estavam aquarteladas nas Fazendas da mítica Zalala (a 1ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano Davide Castro Dias, que rodaria a 25 de Novembro para Vista Alegre e Ponte do Dange) e de Santa Isabel (a 3ª. CCAV. 8423, do capitão José Paulo Fernandes, que, em Dezembro, iria para o Quitexe).

MPLA em Luanda
como partido político

O dia, um sábado, foi tempo de um encontro entre uma delegação do MPLA e a Junta Governativa de Angola, liderada por Rosa Coutinho e naturalmente para analisarem o processo de descolonização.
Um grupo de dirigentes do movimento presidido por Agostinho chegara a Luanda na véspera e tivera «uma recepção apoteótica».
«Uma multidão de 50 000 pessoas aclamou ontem a delegação, chefiada por Lúcio Lara, e que vem estabelecer-se no território como partido político, de-
pois de combater durante 14 anos contra as forças portuguesas», reportava o Diário de Lisboa de 10 de Novembro de 1974, citando também que os dirigentes «mpla´s» vinham de Brazaville e Lusaka.
António Cabrita
no verão de 2017

Cabrita, da CCS, 65
anos em Cascais !

O «sô» Cabrita, garboso e popularíssimo Cavaleiro do Norte da CCS, no Quitexe, está amanhã, dia 10 de Novembro de 2017, de parabéns: festeja 65 anos!
António Santana Cabrita é natural e ao tempo residia em Por-
timão (na Travessa de S. João). Lá regressou a 8 de Setembro de 1975 e por lá continuou a sua arte de pescador marítimo. Ampliou a actividade e, já patrão e dono de barco de pesca, fixou-se em Cascais, de onde, desde há muitos anos, partiu para as companhas que foram (e são) a sua vida profissional de sempre. Agora, já menos activo mas sempre «a ir ao mar» e com a boa dis-
posição e a bonomia que lhe conhecemos no Quitexe e Carmona, na nossa jornada africana do Uíge angolano. Como em Santa Margarida e depois em Luanda. Para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!