quinta-feira, 22 de junho de 2017

3 801 - A Operação Castiço DIH «estreou» Cavaleiros nas matas angolanas!

O furriel miliciano João Rito, de barbas, num momento de lazer com três ca-
valeiros do Norte de Zalala. O Rito faleceu a 17 de Maio de 2008, vítima de
um acidente por esclarecer. Era do Salgueiral, na Freixianda, em Ourém 


O 1º. sargento Fialho Panasco, da 1ª. CCAV. 8423, com
os furriéis milicianos Américo Rodrigues e Plácido
Queirós. Aqui, em Vista Alegre, ano de 1975 

A 22 de Junho de 1974, o comandante Almeida e Brito reuniu com as autoridades tradicionais da região do Quitexe. O objectivo era o mesmo de outras reuniões e com outra gente: «Preparar e mentalizar as populações para o Programa do MFA».
O BCAV. 8423, a esse tempo, ia no terceiro dia da Operação Castiço DIH, na qual os Cavaleiros do Norte pela primeira vez sentiram, no corpo e na alma, as dificuldades das picadas e trilhos das desconhecidas e misteriosas matas de Angola.
Cavaleiros de Zalala em Vista Alegre; o alferes milicia-
no Pedro Rosa ladeado pelos furriéis milicianos Manuel
Pinto (à esquerda e à civil) e João Aldeagas
A operação, para além da participação da 41ª. Companhia de Comandos, que a abandonou ao fim de 18 horas, quando, para ela, seria de 8 dias e depois de um seu soldado ter pisado um mina anti-pessoal, perdendo um pé), tinha também a envolvida a Companhia de Flechas aquartelada em Carmona.
- 3  MORTOS: O dia era quinta-feira e um comunicado do Serviço de Informação Pública das Forças Armadas dava conta de mais mortes em combate e em Angola: o furriel miliciano Hélder Aniceto dos Santos Lima (natural de Benguela) e os soldados Mário Justino Viegas Pacheco (de Olhão) e José Manuel da Silva (de S. Gonçalo, no Funchal). Os três militares mortos não pertenciam ao BCAV. 8423, que, de resto e felizmente, não teve qualquer morte em combate.
Mapa de Angola. O Uíge
é o verde mais claro 

Cimeira do Quénia
semeou optimismo

Um ano depois, precisamente, terminou a Cimeira do Quénia «abrindo a via política para a fusão das bases militares a para a aproximação política dos três movimentos de libertação de Angola».
A Cimeira marcou também que as eleições
 para a Assembleia Constituinte se realizaram até 11 de Novembro - a data marcada para a independência. A Constituinte, relatava o Diário de Lisboa, elegeria também o Presidente da República e o Conselho de Ministro do Governo da Angola independente.
Os presidentes dos três movimentos dirigiram-se ao povo angolano, depois da Cimeira e através da Emissora Oficial de Angola. 
Holden Roberto, da FNLA, lamentou «os erros dos movimentos de libertação, que causaram mortes inocentes».
Jonas Savimbi, da UNITA, comentou especialmente uma decisão da Cimeira: que as futuras «reuniões de alto nível» se deveriam realizar em Angola.
Agostinho Neto, do MPLA, sublinhou que a formação do exército único poderá resolver o problema das confrontações armadas», para que «Angola atinja a independência num clima democrático».
O 1º. sargento Fialho Panasco e esposa, no en-
contro do BCAV. 8423, a 9 de Setembro de 1995,
em Águeda, 20 anos depois do regresso de Angola

1º. sargento Panasco
morreu há 12 anos

O 1º. sargento Panasco, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, faleceu há 12 anos, vítima de doença.
Alexandre Joaquim Fialho Panasco foi o responsável da secretaria e louvado pelo comandante Almeida e Brito, por proposta do capitão Castro Dias, sublinhando «a melhor prontidão, dedicação e espírito de sacrifício, superando deste modo as dificuldades sentidas».
O louvor destaca também que foi «disciplinado, de trato correcto e elevado sentido de colaboração, vincada lealdade para o comando que serviu», para além de que «demonstrou o maior zelo e inexcedível sentido de responsabilidade, de que resultou creditar-se como excelente auxiliar na administração da sua Companhia». 
O 1º. sargento Fialho Panasco faleceu a 22 de Junho de 2005, de doença cancerosa e aos 70 anos, em Carnaxide. «Foi um bom marido e um excelente pai», disse-nos a viúva, há algum tempo.
Hoje fazemos a sua memória, com saudade. RIP!!!


quarta-feira, 21 de junho de 2017

3 800 - A apresentação de um IN, a morte da irmã Maria Augusta!


Cavaleiros do Norte no Quitexe. Do lado esquerdo, NN (de bigode) e 1ºs. cabos
Miguel Teixeira e Fernando Pires (Fecho-eclair). À direita e sentado, Jorge Pi-
nho, José Esteves  e Vasco Vieira (Vasquinho)
Cavaleiros do Norte no refeitório do Quitexe, todos 1ºs. ca-
 bos: Fernando Pires (Fecho-eclair) e Miguel Teixeira (com
 o X). Do lado direito, Jorge Pinho (de  pé, falecido a 20 de
Abril de 2003, de doença e no Porto), Esteves e... Mais
 à direita e de bigode, quem é?



O dia 21 de Junho de 1974 ficou especialmente marcado, em termos da jornada uíjana dos Cavaleiros do Norte, pela apresentação de um combatente da FNLA (um IN, um inimigo).
O BCAV. 8423 desde a véspera - dia 20 de Junho de 1974 - que estava envolvido na Operação Castigo DIH (a sua grande estreia operacional), na qual e nas suas 4 fases, participaram todas as suas subunidades orgânicas: a 
A placa do Quitexe na Estrada do Café, do lado de
Carmona. Com o condutor Henrique Esgueira, no
tempo do BCAV. 8423 (1974/75)
CCS (aquartelada no Quitexe), a 1ª. CCAV. 8423 (a da Fazenda Zalala),a 2ª. CCAV. 8423 (a de Aldeia Viçosa) e a 3ª. CCAV. 8423 (a da Fazenda Santa Isabel).
A operação, segundo o Livro da Unidade, «não viu grande compensação do esforço desenvolvido pelas NT, pois que, salvo uma emboscada sem conse-
quências, no Tabi, só teve por reacção IN a materialização de tiros de aviso»
Teve, sim, e ainda segundo o Livro da Unidade, «efeitos mais graves» para a 41ª Companhia de Comandos, pois «foi accionada uma mina anti-pessoal na Central do Negage, ma qual um seu soldado sofreu a amputação de um pé».
Deve haver um lapso nesta referência à Central do Negage, pois foi o PELREC a fazer a evacuação do soldado, mas tal aconteceu na Baixa do Mungage - onde o autor do blogue conheceu um conterrâneo de Águeda, o furriel miliciano Dias, que era do concelho aguedense mas tinha estudado em Anadia. Daí, não nos conhecermos. Ainda há semanas, numa das nossas regulares conversas, estivemos a falar deste encontro na perigosíssima Baixa do Mungage.
Outro furriel miliciano desta 4ª. Companhia de Comandos era, ao tempo, um ex-futebolista júnior do FC do Porto, o Valongo - de quem não conhecemos o paradeiro. Era angolano e poderá ter ficado em Angola.
«Não tece esta operação resultados que não fossem o conhecimento das reacções humanas e acabou até, por ser defraudada, pois que a 4ª. Companhia de Comandos retirou da ZA após umas escassas 18 horas de operação, quando ela, e para esta subunidade, envolveria 8 dias de actividade operacional», relata o Livro da Unidade (o BCAV. 8423).
O 1º cabo Fernando Pi-
res, o «Fecho-eclair»


Os 65 anos do Pires, 
o 1º. cabo «Fecho-eclair»

O 1º. cabo Pires, escriturário da CCS do BCAV. 8423, os Cavaleiro do Norte, festeja 65 anos a 21 de Junho de 2017.
Fernando Manuel Martinho Pires, de seu nome completo, po-
pularizou-se no Quitexe como o «Fecho-eclair», por razões que as memória esqueceu. Alguma «diabrura» de tropa, que ele não «encaixava» muito bem!
Morava em Odivelas e a Odivelas regressou a 8 de Setembro de 1975 e dele nada mais sabemos, sabendo, embora, que lá reside na Rua Afonso de Albuquerque. Para ele vai o nosso abraço de parabéns!
A Irmã Maria Augusta, com o Ricardo ao colo -
filho do alferes Cruz e dra. Margarida. Ao
fundo, vê.se a Capela do Quitexe


Irmã Maria Augusta
morreu há 11 anos!

A Irmã Maria Augusta, da Missão do Quitexe, faleceu a 21 de Junho de 2006, vítima de doença cancerosa.
Maria Augusta Vieira Martins pertencia à Congregação da Obra da Imaculada Conceição e Santo António e foi conteporânea dos Cavaleiros do Norte, no Quitexe.
Continuou em Angola depois da independência e dela recordamos a bondade e a imagem de doçura e carinho que, como queenm colo de afectos, se partilhava com a comunidade civil, nomeadamente com as crianças e as famílias africanas mais carenciadas - a partir da Missão dirigida pelo seu irmão, o padre Albimo Capela.
Partilhou-se também com os Cavaleiros do Norte da CCS e 3ª. CCAV. 8423, nomeadamente na consoada de 1974 - que ajudou a confeccionar com as mulheres dos oficiais. Continuou em Angola (e em Carmona) depois da independência e até 2006. Veio diversas vezes a Portugal e na última sentiu-se mal. Foi hospitalizada em Lisboa e faleceu passadas algumas semanas, de cancro. Hoje a recordamos com saudade! RIP!!!

terça-feira, 20 de junho de 2017

3 799 - Comandante Carlos Almeida e Brito faleceu há 14 anos!

O comandante Almeida e Brito (o segundo, da esquerda para a direita), la-
deado pelo furriel Armindo Reino (à esquerda), soldado Armando M. Silva
(clarim) e capitão José Paulo Falcão. De costas, o capitão António Oliveira

Os capitães José Manuel Cruz (à esquerda) e José Paulo
Falcão ladeando o comandante Almeida e Brito, a 9 de
Setembro de 1995, no encontro de Águeda - o primeiro
dos Cavaleiros do Norte


O comandante do Batalhão de Cavalaria 8423, o então tenente-coronel Almeida e Brito, faleceu há 14 anos! A 20 de Junho de 2003, de morte súbita e no decorrer de um passeio a Espanha.
Aos 76 anos!
Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito atingiu a patente de general e, depois da jornada de Angola, foi, entre outros cargos, comandante da Polícia 
O comandante Carlos Almeida e Brito e os alferes milicianos
 João Machado e Jorge Capela no jantar de Natal de
Aldeia Viçosa (em 1974) - a 2ª. CCAV. 8423
Militar (em Lisboa), 2º. comandante da Região Militar Centro, 2º. comandante geral da GNR e comandante da Região Militar Sul.

Competência e coragem
de Almeida e Brito

A memória dos Cavaleiros do Norte configura um comandante decidido e corajoso, muito bem preparado e profundo
Almeida e Brito e o capitão miliciano mé-
dico Manuel Leal no Encontro de 1997,
há 20 anos e em Penafiel 
conhecedor da realidade que, há 42 para 43 anos, foi o dia-a-dia  da nossa jornada africana do Uíge angolano.
E foi nos trágicos dias da primeira semana de Junho de 1975 que mais e melhor se mostrou a competência e coragem de Almeida e Brito - num tempo dramático, em que o chão angolano foi regado de sangue de centenas (milhares?) de mortos e de sabe-se lá quantos feridos, quando as confrontações militares entre FNLA e MPLA, os ferozes combates travados, semearam medos que os Cavaleiros do Norte «derrotaram» - sempre na primeira frentes, destemidos e confiantes, em defesa de civis sem defesa e da segurança de pontos nucleares da cidade de Carmona e outros núcleos urbanos.
O Uíge era ainda, por esse dramático tempo de há 42 anos, uma terra de relativo sossego - embora de exigente actividade operacional dos Cavaleiros do Norte. Noite e dia! Mas as sábias palavras de Almeida e Brito, a sua competência experimentada de militar de terreno, cedo nos «avisaram» dos perigos iminentes - descobertos e confirmados, em sangue vivo, na madrugada de 1 de Junho de 1975. 


O general Carlos
Almeida e Brito
O grande comandante
nos momentos mais trágicos 

O comandante Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito foi o grande responsável pela gestão estratégica e militar da cida-
de e de outros centros urbanos do Uíge. Foi o grande coman-
dante, no momento mais trágico da nossa jornada africana de Angola!..., agindo com a serenidade dos competentes e dos sem-medo, a coragem dos que não temem o perigo e antes o enfrentam em qualquer trincheira, inspirando confiança nos seus comandados.
O primeiro encontro dos Cavaleiros do Norte foi a 9 de Setembro de 1995, em Águeda e 20 anos depois do (nosso) regresso de Angola, e nessa altura foi pro-clamado o Comandante Maior! Hoje, quando se passam 14 anos do seu faleci-mento, aqui dele fazemos memória para sempre e o recordamos com saudade!
Ver AQUI
 .


segunda-feira, 19 de junho de 2017

3 798 - Cavaleiro Simões com incêndio de Pedrógão à porta de casa!

Cavaleiros do Norte da CCS no encontro de 2017, a 3 de Junho e no RC
4: António Pereira, Francisco António e António Simões. O Simões teve
as labaredas do dantesco incêndio de Pedrogão a 20 metros de casa

As gigantescas  chamas do dantesco incêndio que lavra
nas florestas de Pedrógão  Grande, Castanheira de
Pêra e Figueirós dos Vinhos. Vistas da estrada!


O mecânico António da Conceição Simões, da CCS dos Cavaleiros do Norte, foi um dos muitos portugueses que enfrenta(ou) o dramático e dantesco incêndio que desde sábado galga a floresta de Pedrogão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.  E já provocou 62 mortos!
Combate ao incêndio que desde sábado «come» a flores-
ta e já provocou  62 mortos e 161 feridos, alguns deles
em estado muito grave
«As chamas estiveram a 20 metros de minha casa. Apanhámos um grande susto», contou-nos ele, ao princípio da tarde de hoje.
O Simões mora na Fonte do Guizo, à saída da vila de Figueiró dos Vinhos, apenas «a uns 200 metros do merca-
do». As labaredas do gigantesco incêndio que já fez 62 mortos galgaram rapidamente a floresta 
Um dos muitos automóveis destruídos pelo incêndio. Mais
de 30 pessoas terão morrido carbonizadas dentre deles
e aproximaram-se da vila.
«Foi medonho!...», disse António Simões, que ficou horas seguidas sem luz e água, mas se vale do poço da residência para, com a mulher e conforme podiam, irem «apagando as chamas».
«Nunca vi coisa assim. Fomos apagando tudo, as fagulhas caíam e iam ateando fogo, molhámos tudo o que pudemos à volta das casas, para nos defendermos...», contou António Simões, que é aposentado da GNR e se terá valido de conhecimentos operacionais para enfrentar o perigo que as chamas puseram à sua e outras residências.
Esta tarde, quando finalmente o conseguimos contactar, descansava de muitas horas de ansiedade e dos lutos que lhe levaram «a vida de pessoas conhecidas e algumas amigas». «Felizmente,  não tenho nenhum familiar entre os mortos e feridos», disse António Simões, que nem sabe bem a dimensão da tragédia que caiu sobre a zona afectada pelo dantesco incêndio.
«Não tenho notícias, não temos televisão...», comentou o Cavaleiro do Norte do Quitexe - o único, que saibamos, que reside naquela trágica zona.  
António Simões participou no Encontro da CCS, a 3 de Junho último - seguramente longe de imaginar as dramáticas horas que viveria duas semanas depois - e para ele vai o abraço colectivo, de solidariedade total, dos Cavaleiros do Norte da CCS.
O Clube do Quitexe


Comissão Local de
Contra-subversão

A 19 de Junho de 1974, há precisamente 43 anos, o comandante Carlos Almeida e Brito reuniu com a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS).
O encontro tinha o objectivo de «preparar e mentalizar as populações para o programa do MFA» e decorreu no Clube do Quitexe. Repetiu-se a 26 de Junho e inclui-se no plano geral que envolveu reuniões de trabalho com comer-
ciantes e autoridades da vila (dia 17) e autoridades tradicionais (dias 22 e 29).

domingo, 18 de junho de 2017

3 797 - Cessar-fogo no Quénia, um só Exército de Angola!

Porta d´armas da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, mesmo na Estrada do
Café - que liga(va) Luanda a Carmona. Em pose, está o Soares, Cavaleiro do
Norte da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz


Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa: o Pinto, o
Barbeiro e o Soares em momento descontraído



A  grande notícia de 18 de Junho de 1975, há 42 anos, chegou do Quénia, onde os dirigentes dos três movimentos de libertação de Angola estavam reunidos em Cimeira.
«O cessar-fogo foi ordenado ontem pelos três presidentes, no seguimento de um acordo preparatório a que havia chegado ainda na véspera da conferência», reportava o Diário de Lisboa.
Notícia do Diário de
Lisboa de 18/06/1975
O jornal citava um representante de Kennyata (o presidente do Quénia e moderador da Cimeira), que recebera Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi na sua residência de Nakuru.
O final da cimeira estava previsto para esse dia de há 42 anos e com uma outra grande e boa notícia: a constituição de um só Exército, integrando forças armadas dos três movimentos.
Carmona e os Cavaleiros do Norte passavam expectantes os seus dias, da parte militar continuando a formação da 1ª. Companhia das Forças Militares Mistas (FMM), neste caso integrando «elementos da FNLA e da UNITA». O MPLA, recordemos, tinha sido militarmente batido pela FNLA nos combates da primeira semana de Junho e os seus responsáveis e militantes tinham abandonado a cidade.
«Conseguiram-se os primeiros elementos para os Estados Maiores Unificados, quer do Comando Territorial de Carmona quer do BCAV», refere o Livro da Unidade, acrescentando que se esperava de tais elementos «uma colaboração que permita levar a bom termo o processo em curso».

Camilo de Santa Isabel,
65 anos em Sesimbra

O soldado Ferreira, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, comemora 65 anos a 19 de Junho de 2017.
Júlio Camilo Ferreira era atirador de cavalaria e residia em Cabanas de Palmela, freguesia de Santa Maria do Castelo, em Alcácer do Sal. Lá voltou a 11 de Setembro de 1975 e actualmente mora em Boa Água, na Quinta do Conde, em Sesimbra. É para la que vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 17 de junho de 2017

3 796 - Cavaleiros do Norte com autoridades e comerciantes do Quitexe

Cavaleiros do Norte da CCS, a Companhia do Quitexe, todos furriéis mi-
licianos, António Cruz, Cândido Pires, Luís Mosteias (falecido a 5 de Fe-
vereiro de 2013, de doença), Francisco Neto, José Pires e Nelson Rocha

O sr. José Morais do Quitexe, ao balcão da sua casa 
comercial. Era agente da Sacor, Gazcidla, Cuca e Crush 

A 17 de Junho de 1974, o comandante Almeida e Brito reuniu-se com as autoridades e comerciantes da vila do Quitexe, no Clube do Quitexe, para «preparar e mentalizar as populações para o Programa do MFA».
Ao tempo, não sabíamos, mas um co-merciantes mais conhecidos era o sr. José Morais, por coincidência conter-
râneo do editor deste blogue. Só bem 
Anúncio da Casa Morais, da vila do Quitexe,
sede dos Cavaleiros do Norte
mais tarde disso soubemos e, com o furriel 
soubemos e, com o furriel Francisco Neto (também aguedense e conterrâneo), algumas vezes o contactámos - recebendo-nos com simpatia e sem nenhuma das partes algo pedir à(s) outra(s).

A Cimeira angolana 
no Quénia

Um ano depois, chegavam notícias do Quénia, onde decorria a Cimeira dos movimentos de libertação de Angola. «As coisas estão a correr muito bem», titulava o Diário de Lisboa, sublinhando que «An-
gola espera ansiosamente a declaração do cessar fogo entre as tropas dos 3 movimentos de libertação, reunidos ao mais alto nível em Nakuru, no Quénia». 
O enviado especial da United Press, por sua vez, referia que «as coisas estão a decorrer muito melhor do que esperava».
Agostinho Neto, presidente do MPLA, comentou que «forças externas estão a dividir os 4 movimentos» e Holden Roberto, presidente da FNLA, referindo-se ao seu rival e adversário ideológico, considerou-o como «meu irmão», e afirmou que ambos tinham «inimigos dentro e fora de Angola».
Jonas Savimbi, presidente da UNITA, por sua vez, pediu «o fim dos massacres, mortes e divergências».

Manuel Leal da Silva
no Quitexe e em 1974

A morte do atirador
Manuel Leal da Silva

O Leal, soldado atirador de Cavalaria, faleceu a 18 de Junho de 2007, há 10 anos e de doença súbita.
Manuel Leal da Silva era de Caxaria, em Pombal, e lá regres-
sou a 8 de Setembro de 1975, continuando a sua actividade de ajudante de motorista. Já era casado no tempo da jor-
nada angolana e pai de uma menina que uma irmã ganhou da segunda gravidez, pouco tempo depois de chegarmos a Angola Ainda teve mais uma filha e com todos os filhos e família esteve no encontro de 1996, no Barracão, em Leiria. Nunca mais o vimos.
Faleceu, vítima de doença súbita, em casa e junto da mulher, a 18 de Junho de há 10 anos. Sentiu-se mal, bebeu um chá, levantou-se e caiu morto.
Foi um bom companheiro, sempre colaborante e disponível, daqueles que não hesita, nuca, ante qualquer perigo. Hoje o recordamos com saudade, RIP! 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

3 795 - Cavaleiros expectantes quanto à Cimeira; o norte sem abastecimentos!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a da vila de Aldeia Viçosa, foram
à água, para abastecimento do quartel: Soares, Mendes, Abrantes e Teo-
dósio. Ao volante, o Martins!

Messe de sargentos do Quitexe: os furriéis Velez, Miguel,
José Pires (TRMS) e Cruz (do lado esquerdo), Graciano,
Cândido Pires (sapador), Viegas, Neto e Mosteias.
Depois, o 1º. sargento José Luzia

Os Cavaleiros do Norte encararam com expectativa a Cimeira de Nairobi, entre o MPLA, a FNLA e a UNITA e que começou a 16 de Junho de 1975. Jornadeando, a esse tempo, por Carmona e outras localidades (e estradas) do Uíge, os militares do BCAV. 8423 encaravam o futuro próximo com optimismo e muita confiança.
A grande novidade foi a participação de Daniel Chipenda, enquadrado na Dele-
gação da FNLA - ele que, e citamos o
Notícia do Diário de Lisboa de 16 de Junho de 1975,
com notícias da Cimeira de Nairobi
Diário de Lisboa, «durante muito tempo funcionou como dirigente de uma fac-
ção do MPLA - a Revolta do Leste», que, assim, «acabaria por se integrar no seio do adversário tradicional».
«A presença de Chipenda não é bem vista por alguns sectores progres-
sistas», referia o vespertino de Lisboa.
A tensão vivida nos últimos dias, em Luanda, parecia desanuviar-se. «A situação é bastante calma, em todo o território, estando naturalmente as atenções concentradas nos resultados da Cimeira», anotava o jornal da capital portuguesa, acrescentando, todavia, que «continuam a haver problemas com as colunas de abastecimento e evacua-
ções que se dirigem para o norte» de Angola.
Norte que era o espaço onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 e esperavam os necessários reabastecimentos, devido às já aqui faladas «carências logísticas» que se faziam sentir, nomeadamente a partir dos incidentes da primeira semana de Junho de há 42 anos. 
As forças do MPLA controlavam o tráfego na zona do Caxito e segundo o DL de 16 de Junho de 1975, «mostram-se renitentes na sua passagem, uma vez que pensam que seja possível que as mesmas colunas sirvam de algum modo para fornecer as forças da FNLA». A situação levou a que o comandante Monstro Imortal se deslocasse ao Caxito «numa tentativa de resolver a situação»
Victor Velez,
furriel, em 2016

A chegada do furriel
Victor Velez a Zalala

Um ano antes, e em dia indeterminado de Junho, chegou a Zalala o furriel miliciano Victor Velez, atirador de Cavalaria. Ia render Francico J. C. Silva, por este «ter sido julgado incapaz para os SAE e reclassificado como amanuense».
Victor Manuel da Conceição Gregório Velez apresentara-se no RC4 a 24 de Abril e morava em S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa, aonde regressou, à Rua Gonçalves Crespo, no dia 9 de Setembro de 1975. 
Especializou-se na Escola Prática de Santarém e viria a ser Cavaleiro do Norte da 1ª. CAV. 8423, a de Zalala, mas só aqui se apresentou em Junho de 1974. 


quinta-feira, 15 de junho de 2017

3 794 - A reunião de Comandos do BCAV. 8423, escoltas e patrulhamentos no Uíge!

O PELREC assegurava a liberdade de itinerários. De pé, 1º. cabo Almeida (falecido a 28/02/2009, de doença
 e em Penamacor), Messejana (f. a 27/11/2009, de doença e em Lisboa). Neves, 1º. cabo Soares, Florêncio,
 1º. cabo Silvestre, Marcos, 1º. cabo Pinto, Caixarias e 1º. cabo Florindo (enfermeiro). Em baixo, 1º. cabo
Vicente (f. a 21/01(1997, de doença e em Vila Moreira, Alcanede), furriel Viegas, Francisco, Leal (f. a
18/056/2007, em Pombal e de doença súbita), 1ºs. cabos Oliveira (TRMS) e Hipólito (em França), Aurélio
(Barbeiro), Madaleno e furriel Neto 

O alferes Garcia (sublinhado a amarelo), ladeado pelos
furriéis Viegas (vermelho) e Machado (branco) e ou-
tros militares, junto a um helicóptero e na parada do
BC, na primeira semana de Junho de 1975 - a dos
combates de Carmona  

A reunião de Comandos do BCAV. 8423, a 15 de Junho de 1974 - da qual ontem já aqui falámos -, para «encontrar a melhor solução para o dispositivo», preparou o plano de «fazer em rotação pelas subunidades, a cobertura de todos os Destacamentos».
O plano mereceu «aprovação generali-
zada» e, por isso mesmo, refere o Livro da Unidade, «iria ser posto em execução em Julho de 1974»numa Zona de Ac-
ção (ZA) «onde se encontram sediados
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de
Aldeia Viçosa, todos furriéis milicianos: Matos,
Guedes e Melo (de pé), Letras, Gomes e Cruz
vários «quartéis» do IN». Por isso, «a acti-
vidade esteve sempre orientada sobre esses refúgios, dando-se paralelamente apoio aos fazendeiros e à estrutura económica das actividades do Subsector»
Nesse mês, decorria a apanha do café - que era a principal actividade económica do Uíge.

Escoltas e segurança
nos itinerários

Um ano depois e já em Carmona e na «ressaca» da trágica primeira semana desse Junho de 1975, os Cavaleiros do Norte  continuavam «actividades militares iguais às do antecedente», mas agora, como sublinha o Livro da Unidade, «houve que acrescentar a realização de diversas escoltas, porquanto, perdida que foi a liberdade de itinerários, só se garante a certeza de movimentos como apoio militar, quando não até o aéreo».
Terá sido nesse tempo que aconteceu um delicado incidente com um camionista, com uma enorme carga de sacos de café, em direcção a Luanda, que tentou escapar ao controlo-auto e, a tal obrigado, perdeu a cabeça e reagiu desabridamente, chegando a querer disparar sobre os militares do PELREC - que asseguram a operação.
Escapar ao controlo seria extremamente difícil, para não dizer impossível, e sabendo-se publicamente do objectivo dessas operações militares - que era garantir a liberdade de trânsito -, isso levou a desconfiar do comportamento do camionista. Veio a saber-se que, escondidas entre os sacos de café, transpor-
tava também vários malotes com armas ilegais. Foi detido e entregue às autoridades civis.
Em Luanda, «a situação continua(va) tensa», depois de uma «manifestação de europeus junto ao Palácio do Governador», depois da «morte de um comerciante no Bairro da Cuca» - quando telefonava para o COPLAD, por lhe estarem a assaltar a casa.
A Cimeira de Nairobi, entre os três movimentos de libertação, estava marcada para 15 de Junho de 1975,  mas foi adiada para o dia seguinte - devido ao atraso da chegada da Delegação do MPLA, por causa de «reuniões de última hora com as bases».

João Dias, furriel miliciano TRMS de Zalala, com Albino
dos Anjos Ferreira - que foi tirador do PELREC e da 1ª.
CCAV. 8423 e faleceu a 23 de Janeiro de 2017. A imagem
é de Novembro de 2016, 2 meses antes da sua morte


O 1º. cabo atirador
Albino Ferreira

O 1º. cabo atirador Albino dos Anjos Ferreira foi Cavaleiro do Norte do PEL-REC, da CCS, e da 1ª. CCAV . 8423, a de Zalala. Faleceu a 23 de Janeiro de 2017, vítima de doença.
Natural do Cardal, em Ferreira do Zêze-
re, «emigrou» para Lisboa e por lá fez vida na área da construção civil. Ultima-
mente, trabalhava na área automóvel e a saúde (e outros «azares») foi-lhe dimi-
nuindo capacidades e qualidade de vida.
Angola estava-lhe na alma e dessa saudade nos falou a 29 de Maio de 2010, no encontro de Ferreira do Zêzere - da CCS. Por lá, e por razões disciplinares, foi transferido para a 1ª. CCAV. 8423 em Setembro de 1974 e nos «zalala´s» con-
cluiu a sua jornada africana - depois em Vista Alegre, Songo e Carmona. 
Foi um «zalala», o (furriel TRMS) João Dias, a contactá-lo, aí por Novembro de 2016, já muito debilitado e em Almargem do Bispo, em Sintra, onde residia. É desse encontro a imagem que publicamos.
- «O Albino que foi atirador do PELREC. Ver AQUI

quarta-feira, 14 de junho de 2017

3 793 - Carências logísticas e forte tensão emocional no Uíge!

Cavaleiros do Norte da CCS e da 3ª. CCAV. 8423, no Quitexe, em 1975: Bento,
Rocha, Viegas, Flora, Lopes (enfermeiro, de óculos), Capitão (falecido a
5 de Janeiro de 2010, de doença e em Ourém) e Ribeiro. À frente, Carva-
lho, Belo (de óculos), Lopes (atirador) e Reino, todos furriéis milicianos

Quinteto de PELREC´s em desenho artístico: Albino Ferreira,
(falecido a 23 de Janeiro de 2017, de doença e em Almargem
do Bispo, Sintra), Viegas, Neto, António e Florêncio, em 2010,
no encontro da CCS de Ferreira do Zêzere (AC/net)

O Batalhão de Cavalaria 8423 (BCAV. 8423) assumiu a responsabilidade operacional da sua Zona de Acção (ZA) a 14 de Junho de 1974. «Logo a 15 se realizou no BCAV. a primeira reunião de Comandos, com a presença de todas as CCAV. e CCAÇ. do Subsector», assinala o Livro de Unidade. Já precisamente 43 anos, hoje se passam!
Quitexe: a secretaria da CCS, numa casa que era
de Abílio Guerra. Geminada e do lado esquerdo
(na imagem) a Casa dos Furriéis
A reunião envolveu «uma troca de impres-
sões entre todos os Comandos» e, por ou-
tro lado, deu «a conhecer as linhas direc-
trizes da actividade futura». «Foi procurado encontrar uma melhor solução para o dis-
positivo do BCAV., de modo a que permi-
tisse um maior aproveitamento de todas as forças», relata o Livro da Unidade.
As subunidades passara a «ter códigos pró-
prios» para todas as suas acções, a partir da Letra C - a do Subsector -, «alterando a que se recebeu do BCAÇ. 4211».
Os seguintes:
- CCS do BCAV 8423, a do Quitexe: Casco.
- 1ª. CCAV 8423, a da Fazenda Zalala: Crina.
- 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa: Carga.
- 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel: Cavalo.
- CCAÇ. 209/RI 21, a da Fazenda Liberato: Canivete.
- CCÇ. 4145, a de Vista Alegre: Cela.
- Destacamento da Fazenda Luísa Maria:Cacto.
- Destacamento da Ponte do Dange: Coice.
- Grupo Especial (GE) 208, em Vista Alegre: Cauda.
- Grupo Especial (GE) 217, no Quitexe: Coelho.
- Grupo Especial (GE) 223, no Quitexe: Cabrito.
- Grupo Especial (GE) 222, em Aldeia Viçosa: Cabra.
O dia 14 de Junho de há 43 anos foi também de «contactos operacionais com o Comando do Sector do Uíge», o CSU, em Carmona, aonde se deslocou o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, o comandante do BCAV. 8423 - tal como já acontecera a 12 e, depois, a 20 e 24 do mesmo mês.
O comandante do Comando do Sector do Uíge (CSU) era, a esse tempo, o coronel tirocinado Bastos Carreiras. O da Zona Militar Norte (ZMN) era o brigadeiro Altino de Magalhães (foto abaixo).
Altino Magalhães

Carências logísticas e
forte tensão emocional

Um ano depois e já com toda a 1ª. CCAV. 8423 aquartelada na ZMN, reforçando o BCAV. de Carmona, «de igual modo foi reforçada a guarnição do Negage, com a desactivação de Sanza Pombo». 
O mês de Junho de 1975, segundo o Livro da Unidade e reportando-se aos tempos após os graves combates da primeira semana, «decorreu sob forte tensão emocional, quer pelos alguns atritos que voltaram a dar-se, quer também porque se estão vivendo momentos de carências logísticas, que são reflexo do estado de latente conflito que continua e dá azo a um desabar de esperanças que se possa viver em bom e belo panorama o dia de amanhã».
Ia assim a jornada africana dos Cavaleiros do Norte, por terras do Uíge Angolano. Sempre expectantes e confiantes, procurando garantir a segurança de pessoas e bens da gente uíjana.

Baptista e Oliveira, 
23 anos em Angola!

O condutor Oliveira e o 1º. cabo atirador Baptista, Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, festejaram 23 anos a 14 de Junho de 1975.
Joaquim Fernandes Baptista era da 1ª. CCAV. , a da Fazenda de Zalala, e natural de Vinha Nova, freguesia de Beiral, em Ponte de Lima - aonde regressou a 9 de Setembro de 1975.
João da Silva Oliveira era da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, e é de Penela, freguesia do concelho de Póvoa do Varzim. Por lá reside, agora em Beiriz.
Hoje, ambos festejam 65 anos e para eles vão os nossos abraços de parabéns!

terça-feira, 13 de junho de 2017

3 792 - Os GE´s do BCAV. 8423, as NT preocupadas e isoladas!

Grupo de Cavaleiros do Norte da oficina-auto. Do trio da frente, reconhece-se o Miguel, condutor, do
 lado direito. De pé, o 1º. cabo Breda, o furriel Morais, Gaiteiro, NN, alferes Cruz, 1º.s cabos Malheiro e
Mendes, Esgueira, NN e o 1º. cabo Luciano (?). Quem são os dois a seguir? Os dois sentados, são os
1ºs. cabos Domingos (estofador) e Agostinho (pintor), ambos Teixeira. E os outros dois, o sentado e o
de pé? Atrás, NN, Picote e NN. Conhecem-se as caras, mas esquecem-se os nomes. Quem os identifica?


Alferes milicianos Jaime Ribeiro, Augusto Rodrigues 
e José Alberto Almeida, que amanhã festeja 70 anos em
Albufeira, onde é Cônsul de Marrocos no Algarve e

empresário do turismo e construção civil

Os tempos do Quitexe, há 43, anos (Junho de 1974) foram os de assumpção das responsabilidades operacionais sobre os Grupos Especiais (GE) «atribuídos ao Subsector»: à CCS, no Quitexe (os GE´s 217 e 223), à 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa (GE 222), ambas dos Cavaleiros do Norte, e à CCAÇ. 4145, a de Vista Alegre (GE 208).
Ao tempo (e até ao dia seguinte), a ZA dos Cavaleiros do Norte estava ainda sob responsabilidade do BCAÇ. 4211,  mas já com praticamente todas todas as competências distribuídas. Mas já, obviamente, se sabiam quais eram as subunidades associadas às unidades orgânicas do BCAV. 8423: a CCAÇ. 209/RI 21 (essencialmente formada por militares angolanos, com quadros europeus e aquartelada na Fazenda do Liberato), a CCAÇ. 4145 (comandada pelo capitão Raúl Corte-Real, em Vista Alegre) e o Pelotão de Morteiros 4281 (comandado pelo alferes miliciano João Leite) - que já estava instalado no Quitexe e por lá esteve até finais de Dezembro de 1974.
Emblema do BC12


NT isoladas e preocupadas
no reino da FNLA

Um ano depois, em Junho de 1975, consolidava-se gradualmente a estabilidade pública em Carmona, cidade de onde foram retirados os elementos afectos ao MPLA - que ali foi militarmente derrotado pela FNLA -, evacuados para Luanda.
Os Cavaleiros do Norte, então já reforçados pela 1ª. CCAV. 8423 (que rodara do Songo), mantinham as linhas de segurança essenciais, embora a custo de muitos sacrifícios e intermináveis horas de serviço operacional. E com fartas objecções da FNLA.
«Mais do que nunca, as NT estão a viver no reino da FNLA, isoladas, preocupadas, e quase sem encontrar motivações justificativas da sua estada, salvo que entendem de dever e necessária a sua permanência», sublinha o Livro da Unidade, reportando este tempo de há 42 anos.
Ao tempo, era também bem evidente a animosidade de boa parte da comuni-
dade civil branca, que não se dispensava de criticar e julgar a posição militar - embora esta (os Cavaleiros do Norte) ali se mantivesse atenta e sempre disponível para tudo o que «desse e viesse», até ao limite do possível.
José Alberto Almeida, Cônsul de Mar-
rocos no Algarve, condecorado pela
Embaixadora Karima Benyaïch

Alferes Almeida, 70
anos em Albufeira!

O alferes miliciano Almeida, Cavaleiro do Norte do Comando do BCAV. 8423, está em festa de anos: faz 70, a 14 de Junho de 2017. Amanhã e no Lageado, em Albufeira.
José Alberto Alegria Martins de Almeida chegou ao Quitexe em Julho de 1974 e foi o oficial de reabastecimentos e de Justiça do BCAV. 8423. Natural de Oliveira de Azeméis, já ao tempo vivia em Albufeira e lá voltou a 8 de Setembro de 1975, terminada a (nossa) jornada africana do Uíge Angolano - enquanto Cavaleiros do Norte.
O alferes Almeida
no Quitexe (1974)
Licenciado em economia e arquitectura, é aposentado do ensi-
no e empresário do sector turístico (aldeamento no Lageado) e da construção civil (arquitectura, projecção e construção).
Ligado a Marrocos, pela via da arquitectura, tem gabinete de trabalho e residência em Marraquexe. É Cônsul do Reino Mar-
roquino no Algarve e o seu trabalho diplomático foi sublinhado e elogiado pela Embaixadora Karima Benyaich, em Janeiro de 2015, quando (foto), em cerimónia oficial e pública, mandatada pelo Rei Maomé VI, lhe entregou uma condecoração real. Ver notícia AQUI.
Aos 70 anos, que amanhã comemora!..., continua profissionalmente activo e para ele vai o nosso abraço. Só uma vez se fazem 70 anos! Parabéns!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

3 791 - Cavaleiros do Norte de Zalala em rodagem para Carmona!

Cavaleiros do Norte da CCS e 3ª. CCAV. 8423, na entrada da messe de
sargentos do Quitexe, todos furriéis milicianos: Ribeiro e Fernandes (de
mãos dadas), Viegas, Belo (de óculos), Grenha Lopes (tapado), Bento, Costa
(Morteiros) e Flora. À frente, Rabiço, Graciano e Abrantes de cachimbo)

Cavaleiros em festa, no bar ds sargentos: 1º. cabo Almeida ~
(cozinheiro). Lajes e furriel Flora. Ao meio, Costa (Mor-
teiros), Reino e Carvalho. À frente, Bento e Fonseca, to-
dos furriéis milicianos


A 1ª. CCAV. 8423 concluiu a rotação para Carmona a 12 de Junho de 1975. Começara a 6, ida do Songo, «porquanto era imperioso obter um efectivo que permitisse acorrer a situações semelhantes às vividas na primeira semana do mês», como se explica no Livro da Unidade.
A situação geral, por Angola estava aparentemente normalizada. «A situação é completamente calma, embora ainda se continue a sentir os efeitos dos violentos combates que se registaram no últimos dias», reportava o Diário de Lisboa do dia 11. A 12, o mesmo jornal da tarde referia que a excepção era Henrique de Carvalho, no leste, «onde se registaram confrontações de dimensões ainda desconhecidas». 
Confirmava-se nesse dia que a Cimeira de Nairobi seria a 15 de Junho, entre os três movimentos de libertação de Angola, e por Luanda passou Jonas Savimbi, presidente da UNITA, «onde se avistou com diversas personalidades» e de seguida voou para o Quénia.
O Diário de Luanda desse mesmo dia anunciava a constituição de Delegação do MPLA à Cimeira: Agostinho Neto, Lúcio Lara, Hermínio Escórcio, Lopo do Nascimento, Van-Dunen, Diógenes Boavida, Iko Carreira, Maria do Carmo Medina, Nito Alves, Afonso N´Binda e Victor Carvalho.
Almeida e Brito, oficial-adjunto do
BCAV. 1917, o comandante deste (tc
António Amaral) e o comandante da
CCAÇ. 1306


Comandante no  
do Sector do Uíge

Um ano antes, a 1 de Junho de 1974, o comandante Almeida e Brito deslocou-se a Carmona, ao Comando do Sector do Uíge (CSU), para «estabelecer contactos operacionais».
O BCAV. 8423, ao tempo, ainda não tinha assumido responsabilidades operacionais na sua (futura) Zona de Acção (ZA). ZA que, aliás, já era bem conhecida do tenente-coronel Almeida e Brito, pois lá estiveram em 1968, como oficial adjunto da BCAV. 1917.
A responsabilidade operacional era ainda do BCAÇ. 4211, cujo comandante recebera Almeida e Brito e o capitão José Paulo Falcão a 27 de Maio - quando lá se deslocaram, via FAP e pelo aeroporto do Negage, para «os primeiros contactos» - que foram os mínimos, mesmo «muito superficiais», por desnecessários, devido ao conhecimento que da ZA tinha o comandante do BCAV. 8423.

Alfredo Coelho (Buraquinho) e Joa-
quim Ribeiro Moreira em 1974/75

Moreira, o maqueiro,
65 anos em Penafiel!


O Cavaleiro do Norte Moreira, maqueiro, faz 65 anos a 13 de Junho de 2017, na sua residência da Rua da Ponte Nova, em Penafiel.
Joaquim Ribeiro Moreira era natural e residia no lugar de Outeiro, na freguesia penafidelense de Duas Igrejas. Lá voltou, no final da comissão angolana e lá faz vida profissional, no sector dos transportes. É industrial de camionagem.
J. R. Moreira
em 2014/15
Cavaleiro do Norte da CCS, muitas vezes acompanhou o PELREC em operações, patrulhamentos (apeados ou transportados) e escoltas pelas estradas e picadas do Uíge, para além do seu habitual serviço na enfermaria e serviços de ordem.
Há 42 anos, assinalou os 23 em Carmona e ainda na ressaca dos trágicos acontecimentos da primeira semana de Junho. Agora, festeja os 65 no afecto e tranquilidade da família. Parabéns!