segunda-feira, 27 de março de 2017

3 713 - Comandantes no Quitexe e mortes e fuzilamentos em Luanda

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos furriéis milicianos e à frente
 do bar A Cubata, em Santa Isabel: António Fernandes, Vitor Mateus Ribeiro

Guedes (falecido a 16 de Abril de 1998, em Lisboa e de doença), Ângelo
 Rabiço, José Querido e Agostinho Belo 
Grupo de angolanos das Forças Militares Mistas,
aqui na parada do BC12, em Carmona e há 42 anos 


A 27 de Março de 1975, o comandante Carlos Almeida e Brito (então interino da ZMN, desde 24 de Março e até 3 de Abril) visitou a 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel mas que, ao tempo, estava aquartelada no Quitexe. 
A razão era apresentar o 2º. comandante (e comandante interino) do BCAV. 8423 - o capitão José Diogo Themudo.
A Rua do Comércio e o Hotel Residencial Apolo, em
1974/75 e na cidade de Carmona, actual Uíge
Carmona ia no segundo dia de patrulhamentos mistos na cidade e principais acessos, sem incidentes especiais, mas com permanente e exigente atenção da parte das forças portuguesas - devido à latente (e evidente) desconfiança entre os elementos da FNLA e do MPLA.
Na verdade, eram evidentes as diferenças e animosidades (até) pessoais entre os homens dos dois movimentos emancipalistas - que, de resto, nem se esforçavam por as «esconder». E que se notavam, por exemplo, nas posições que ocupavam mos Unimog´s que transportavam as Forças Mistas - fossem mais à frente, ou mais atrás. 
Insultos, piadas e acusações eram vulgares entre eles, o que várias vezes obrigou a posições disciplinares dos comandantes (portugueses) das Forças Mistas. Com os riscos daí inerentes, por todos eles, obviamente, estarem armados e poderem reagir com maior ou menor perigo. Uma vez, depois da meia noite e na Rua do Comércio e frente ao Hotel Apolo, dois deles (um de cada movimento) tiveram de ser desarmados, para se evitarem males piores. Cada um deles reagia a provocações entre eleas e outras, vindas dos prédios vizinhos, de anónimos supostamente civis. 
A primeira página do Diário de Lisboa
de 27 de Março de 1975, há 42 anos:
«Angola | Ameaça de guerra civil»

Soldados da FNLA
fuzilaram 50 MPLA´s

O dia, uma 5ª.-feira e em Luanda, ficou dramaticamente marcado pela latente ameaça de guerra civil. «Ontem, Luanda vivei momentos dramáticos. Soldados da FNLA fuzilaram 50 guerrilheiros do MPLA, numa estrada próxima da capital angolana, quando estes regressavam à cidade, desarmados, vindos de um centro de instrução militar. Pioneiros do MPLA também foram massacrados e dois deles enforcados», relatava  do Diário de Lisboa.
«Os homens foram capturados num ataque de surpresa e mandados subir para um camião que os levou  ate um sítio isolado, perto de uma vala. Ali, à medida que iam descendo, eram abatidos com rajadas de metralhadora. A certa altura, os presos, vendo a sorte que os esperava, lançaram-se para debaixo da viatura, numa tentativa desesperada de fuga», relata(va) o DL, acrescentando que «alguns conseguiram escapar, fingindo-se mortos».
Inscrições da FNLA em
Luanda, de apoio à FNLA e
 e ao presidente Holden Ro-
berto, o «papá dos chefes
revolucionários»

Mais 21 mortos
e 81 feridos

O relato foi de alguns dos sobreviventes, precisando que menos sorte tiveram os que estava feridos, mas que não podiam disfarçar o seu estado. «A esses, era-lhe aplicado o tiro de misericórdia», noticiou o DL.
O vespertino de Lisboa, em serviço especial a partir de Luanda, sublinhava que «a casa mortuária de Luanda está pejada de cadáveres, vitimas das acções desencadeadas pela FNLA sobre a população civil» e que «começa(va) a desenhar-se a possibilidade de uma manifestação dos fa-
miliares». Entre as 22,30 horas de 25 de Março e as 17,15 de 26, entraram no Hospital de S. Paulo, segundo o seu di-
rector (Mac Mahan Vitória Pereira), «81 feridos com armas de fogo, alguns em estado muito grave, e 21 cadáveres de indivíduos desconhecidos mas igualmente vítimas do intenso tiroteio de armas ligeiras e pesadas, que afectam algumas zonas suburbanas da cidade».
Alguns simpatizantes do MPLA, ali internados, denunciaram o massacre numa fortaleza perto de Luanda, para onde a FNLA os levou e onde «alguns companheiros teria sido sumariamente executados a tiro ou arma branca». A médica do serviço de urgência disse «haver feridos a tiro e à punhalada».
Os ministros Melo Antunes e Almeida Santos reuniram nessa manhã de há 42 anos com o Alto Comissario e Colégio Presidencial (formado por Lopo do Nascimento (do MPLA), José N´Dele (UNITA) e Jony Eduardo (FNLA), mas do encontro não houve comunicado oficial.

domingo, 26 de março de 2017

3 712 - Patrulhamentos mistos na Carmona capital do Uíge!

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa: furriéis milicianos António Artur Guedes, José Gomes, António
Carlos Letras e Jesuíno Pinto. Em baixo, os soldados Leonel Sebastião (mecânico) e Manuel Joaquim
Oliveira (cozinheiro), de cigarro na boca e todos em momento de boa disposição, no S. Martinho de 1974


Cavaleiros do Norte da CCS e 3ª. CCAV., todos furriéis
 milicianos: Fernandes, Cardoso, Querido, um combatente
  da FNLA e Rocha. Em baixo, Carvalho, Monteiro e Belo
O 1º. cabo Carlos Ferreira, da 1ª. CCAV. 8423, junto de
uma avioneta, na pista da Fazenda de Zalala e em 1974
A noite de 26 para 27 de Março de 1975 foi a de «estreia» dos patrulhamentos mistos na cidade de Carmona, envol-vendo forças portuguesas, da FNLA (o ELNA), do MPLA (as FAPLA) e da UNITA (o ELNA). «Deste modo, ensaiando-se os primeiros passos de actividade operacional em Exército integrado com os movimentos emancipalistas, a seu pedido e porque se verificou um deteriorar da situação, nomeadamente nos distritos de Salazar e Luanda, iniciaram-se patrulhamentos mistos do Exército Português, ELNA, FAPLA e FALA», relata o Livro da Unidade - o BCAV. 8423. Aqui já se contou que «esta actividade militar já havia sido experimentada em 15 de Março, aquando das comemorações do feriado da FNLA e exclusivamente em serviço de segurança dos locais aonde iriam celebrar-se as comemorações»Experiência uíjana que, de resto e continuando a citar o Livro da Unidade, se «mostrou proveitosa, que teve a maior receptividade por parte das forças militares dos movimentos e que, por parte dos nossos soldados foi bem compreendida e aceite, com certa expectativa inicial mas sem problemas de execução»Repetível, por isso. E assim foi durante várias semanas, por Março fora e Abril de 1975 adentro, até à sangrenta e dramática primeira semana de Junho - a dos incidentes de Carmona. A experiência dos Cavaleiros do Norte, aliás, viria a ser «imitada» noutras cidades do território angolano. 
«Tem-se verificado boa aceitação das medidas militares tomadas, o que tem sido a origem do clima de paz que se vive no distrito», sublinha o Livro de Unidade. Por distrito (ou província como também às vezes era denominado), entenda-se o Uíge, de que Carmona era a capital. 

Granadas no jardim do Palácio do Governador 

As «coisas» iam assim por Carmona e Uíge, mas não tão pacíficas por Luanda, onde os acordos entre o movimentos valiam o que valiam. na mesma noite em que a capita do Uíge «inaugurava» patrulhamentos mistos, «a situação voltou a piorar» na capital do Estado (futuro país).
«Duas granadas explodiram nos jardins do Palácio do Governador, não se tendo registado vítimas», reportava a imprensa, acrescentando que «soldados da FNLA ocuparam posições no como de alguns prédios» e que «ouviram-se também tiros de armas pesadas durante a noite, embora se de desconheçam os autores dos disparos».
A população dos bairros urbanos «continua(va) preocupada» pois, destacava a imprensa, «há elementos da FNLA que procedem a autenticas rusgas contra da vontade dos populares», apesar das directiva dos seus comandos, no sentido de não abandonarem os seus aquartelamentos». 
O ministro Lopo do Nascimento «apresentou já um plano para normalizar totalmente a situação», na altura a ser apreciado pelo Alto Comissário (o general Silva Cardoso) e o Conselho de Defesa Nacional.
Ao mesmo tempo (e dia, o 26), o ELNA (da FNLA) convidava a população «a participar no funeral dos soldados que morreram durante os recontros que recentemente ocorreram nesta capital» - a cidade de Luanda - e o comandante Vassoura Timóteo ordenou «a todos os soldados que se mantenham nos respectivos aquartelamentos», frisando que «o mínimo gesto que se verificar contra os militantes e simpatizantes da FNLA, ou contra o ELNA, será considerado desafio aos inimigos do povo».
«A guerra é uma profissão. A morte é um destino. Liberdade e Terra», proclamou o comandante Vassoura Timóteo.
Os furriéis milicianos Viegas e Cruz na avenida
 do Quitexe e no ano de 1974. Atrás, a messe de
 oficiais (à es
querda) e a casa dos furriéis

Vésperas de férias 
na imensa Angola

O tempo destes dias de Março há 42 anos foi tempo de véspera de férias para vários Cavaleiros do Norte. Particularmente dos furriéis milicianos Cruz e Viegas, que tinham «aprontado» um circuito por várias cidades, de norte a sul de Angola.
Viegas e Cruz em 2014, 39 anos depois,
em Lisboa e nos jardins da Estufa Fria
Iam, não iam? A situação militar permitiria que fossem? Permitiu, mas o descanso emocional só ficou garantido depois de uma conversa formal com o comandante da CCS (o capitão António Oliveira) e, depois desta, com o capitão José Paulo Falcão (o oficial de operações). «Tudo indica que sim, que podem ir...», disse-nos este oficial do BCAV. 8423. «Depois logo se vê...», acrescentou com um «aviso», porém: «Vocês tem de estar sempre localizados. Tratem disso...».
Felizmente, pudemos gozar as férias sem nenhuma «chamada» e começámos-las pela Luanda, que fervilhava e se dramatizava em combates fratricidas e onde, como acima se historia, até granadas eram atiradas para os jardins do Palácio do Governador.

sábado, 25 de março de 2017

3 711 - Uíge muito trabalhoso mas calmo, 20 mortos em Luanda

Cavaleiros do Norte de Zalala exibindo uma peça de caça: os 1º. cabos Carlos Ferreira (à esquerda) e
 Temporão Campos (cozinheiro, à direita). De camuflado e à esquerda, reconhece-se o furriel Américo
 Rodrigues. O 1º. cabo operador-cripto Ângelo Lourenço será quem espreita do lado esquerdo.
E quem são os outros? Diz Carlos Ferreira que serão todos cozinheiros

O quartel do BC 12, à saída de Carmona para o Songo e
visto do lado da cidade. A CCS e a 2ª. CCAV. 8423 esta-
 vam aqui instaladas há 42 anos
A 25 de Março de 1975, uma terça-feira, as autoridades militares portuguesas em Angola faziam o balanço dos incidentes entre o MPLA e a FNLA, de dois dias antes: 18 mortos entre os militantes deste movimento, o de Holden Roberto, «enquanto nenhum há a registar entre as forças do MPLA», reportava o Diário de Lisboa, porém, sublinhando que «no momento, é difícil determinar o número de vítimas». Sem esquecer os 2 civis.
Notícia do Diário de Lisboa de 25 de Março de 1975 sobre
 a situação em Angola: «Mmais de 20 mortos nos combates
 entre as forças o MPLA e da FNLA», em Luanda. «A calma

 regressa a Luanda», antetitulava o jornal vespertino
Os incidentes entre as FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, o braço armado do MPLA) e o ELNA (Exército de Libertação Nacional de Angola), idem, da FNLA) tinham reco-
meçado na madrugada do dia 23, o do-
mingo - depois de escaramuças a 21 (a 6ª.-feira anterior), «nalgumas zonas dos subúrbios e afectaram seriamente a vida da população» da cidade de Luanda.
Havia mesmo, segundo o Diário de Lisboa, «certas áreas interditas à normal circulação de pessoas e viaturas», como era o caso do Bairro Cazenga, «onde durante toda a tarde e noite de ontem se ouviram constantes disparos de armas automáticas e rebentamento de granadas». Ontem, que - recuemos no tempo... - foi o dia 24 de Março de 1975, uma segunda-feira.
O Alto-Comissário Silva Cardoso, à di-
reita, com o almirante Rosa Coutinho

Morte de 2 crianças
no bairro Cazenga

O bairro suburbano do Calemba também não escapou aos combates e, segundo o Diário de Lisboa, «foi palco de novos incidentes», os que, à data, «há 48 horas vem envolvendo forças das FAPLA (do MPLA) e do ELNA (da FNLA».
A chamada «cidade do asfalto», essa parecia longe de tais guerras. «A calma não tem sido perturbada. A vida de decorre serenamente, embora se note apreensão no rosto das pessoas», reportava ao Diário de Lisboa, acrescentando, porém, que, no Cazenga, «algumas pessoas foram atingidas pelas balas e duas crianças morreram devido ao tiroteio».
As Forças Armadas Portuguesas intervieram ao final da tarde do dia 23, após reunião do Conselho Nacional de Defesa (CND), e foi reposta a calma. Patrulhas mistas - formadas por militares portugueses e dos movimentos de libertação - colaboraram na «manutenção da ordem»
O CND, presidido pelo Alto-Comissário Silva Cardoso, general português, e os Estados Maiores do MPLA e da FNLA «ordenaram o regresso aos quartéis das tropas dos dois movimentos de libertação» - os dos presidentes, respectivamente, Agostinho Neto e o de Holden Roberto.
Emblema do BC 12

Calma em Carmona
e pelo Uíge fora

Os Cavaleiros do Norte, pelo Uíge angolano, continuavam a sua jornada em ambiente de relativa calma, embora carrega-
dos de serviços, nomeadamente os  militares operacionais  - que, pela natureza da sua especialização, estavam encarrega-
dos da segurança de pessoas e bens, fossem civis ou fossem militares, - para além da das várias instalações da Forças Armadas na cidade de Carmona.
Era muito curto o número de efectivos disponíveis, apenas os operacionais da CCS e da 2ª. CCAV. 8423 (a de Aldeia Viçosa), para tanta exigência de segurança, só na cidade. A guarnição instalada no quartel do extinto BC12 desmultiplicava-se, por isso, em tarefas para «garantir os serviços solicitados ao BCAV., os quais comporta(va)m também as necessidades da Zona Militar Norte» - a ZMN, ao tempo já em fase «também em extinção».
Foram tempos duros e muito, muito difíceis e delicados para os Cavaleiros do Norte, semanas e meses seguidos praticamente sem folgas (ai folgas!...) e enfrentando, no dia a dia, uma cada vez mais crescente e evidente animosi-
dade da comunidade civil branca - muito hostil, na verdade, à tropa portuguesa.
Fazenda Santa Isabel

Condutor Gonçalves,
65 anos no Barreiro

O condutor auto-rodas Gonçalves festejou 23 anos a 25 de Março de 1975, estava ao tempo na vila do Quitexe, na sua (e nossa) jornada angolana do Uíge.
Francisco Gertrudes Gonçalves, de seu nome completo, era da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel mas ao tempo já no Quitexe. Mora em Verderena, na cidade do Barreiro, e é lá que hoje festeja 65 anos de vida. Para lá vão as nossas felicitações, com desejo de muitos mais e bons anos.

sexta-feira, 24 de março de 2017

3 710 - O 2º. comandante José Diogo Themudo nos Cavaleiros do Norte

O agora coronel José Diogo Themudo, que, então como capitão de Cavalaria,
assumiu o comando interino do BCAV. 8423 a 24 de Março de 1975. Os
Cavaleiros do Norte estavam aquartelados no BC12, em Carmona
O capitão de Cavalaria José Diogo Themudo, à di-
 reita e na varanda do BC12, com o alferes João Ma-
chado (à esquerda) e o capitão José Paulo Falcão


O BCAV. 8423 esteve sem 2º. comandante até ao mês de Março de 1975, quando, em dia indeterminado, lá chegou o capitão José Diogo Themudo, conhecido do comandante Carlos Almeida e Brito - quem, ocasional-
mente o encontrando em Luanda, o convidou para assumir as funções.
O 2º. comandante seria o major José Luís Jordão Ornelas Monteiro, que, nas vésperas do embarque para Angola, foi «desviado» pelo MFA e colocado na Guiné «por motivos imperiosos de serviço». Faleceu a 16 de Ju-
lho de 2011, em Lisboa, tenente-coronel, aos 80 anos - nascido a 7 de Outubro de 1931.
O tenente-coronel Carlos Al-
meida e Brito, comandante
do BCAV. 8423 
O capitão José Diogo da Mota e Silva Themudo, 
a 24 de Março de 1975, assumiu as funções de comandante interino do BCAV. 8423, substituindo o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito que, nessa data e também interinamente, assumiu funções de comandante da Zona Militar Norte (ZMN).
José Diogo Themudo estava em Luanda, sem coloca-
ção, depois de a unidade de Silva Porto (para a qual ia destinado, a substituir outro capitão) já ter regres-
sado. Pediu, mas foi-lhe negado o regresso a Lisboa. Era o último oficial a ter chegado a Angola.
«Instalei-me na messe oficiais e de quando em vez ia procurar novidades ao Quartel-General», explicou-nos, adiantando que, asssim, «fiz praia durante um mês».
Um dia foi ao aeroporto para se despedir de um camarada de armas e foi lá que o tenente-coronel Almeida e Brito o achou. «Convidou-me para 2º. comandante do Batalhão e apesar de serem funções de major e eu ser apenas capitão, aceitei o convite. Resolvemos o problema no Quartel-General e fui para Carmona», historiou o agora coronel aposentado José Diogo Themudo.
Notícia do Diário de Lisboa sobre o recrutamento, pela
FNLA, de refugiados para as suas Forças Armadas

Incidentes em Luanda e
recrutamento da FNLA

Os tiroteios na área suburbana de Luanda continuaram a 23 de Março de 1975, envolvendo forças do MPLA e da FNLA - mesmo depois do acordo de sábado à noite (dia 21) e ante a propo-
sitada não intervenção das Forças Armadas Portuguesas. Por decisão do Comando de Sector de Luanda.
Ao mesmo tempo, o movimento de Holden Roberto preparava o repatriamento de refugiados no Zaire, numa operação de três etapas, segundo noticiava a revista «Afrique-Asie»: uma primeira, que começara já em Setembro de 1974, agrupando-os em quatro agrupamentos, todos no Zaire (Nandulu, Kassai, Baixo Zaire e Shabi); uma segunda, então em execução, instalando-os em 20 campos de alojamento ao longo da fronteira com Angola; e uma terceira, envolvendo o transporte e instalação dos refugiados em Angola e em diferentes campos permanentes.
A operação envolveria 400 000 refugiados (segundo a ONU), ou dois milhões (segundo a FNLA). E custaria 20 milhões de dólares. O Zaire não financiaria a operação (por falta de tesouraria e depois de o FMI lhe ter recusado um empréstimo) e a revista «Afrique-Asie» noticiava que o ministro da Saúde do Governo Provisório (Samuel Abrigada, da FNLA) pediu, mas não teve, dinheiro de Igrejas Reformistas americanas. Recusaram dar esse apoio.
Assim sendo, e ainda segundo a mesma revista, «certas empresas mineiras e fazendeiros do Norte de Angola estaria dispostos a financiar a operação». A FNLA, com esta medida, dizia a «Afrique-Asie», «mataria dois coelhos de uma só cajadada: poderia recrutar no Zaire um exército para ocupar o Norte de Angola e para apoiar os seus projectos de domínio no Governo de Luanda».
Porfírio Malheiro
no BC12 e em 1975


Malheiro do Quitexe, 65
anos em Santo Tirso

O dia 24 de Março de 2017 é de aniversário do «benjamim» da CCS, já em Carmona: o Porfírio Tomaz Malheiro de Jesus1º. cabo de reparação e manutenção de material que, nesse já bem distante dia de 1975 e em Carmona, festejou os 20 anos! Nascido em 1955!
P. Malheiro em 2015
O Malheiro, zelosamente, cumpriu a sua jornada angolana na oficina-auto comandada pelo alferes miliciano António Albano Cruz. Por coincidência, são ambos naturais do concelho de Santo Tirso - ele, o Malheiro, do lugar de Foral.
Lá regressou a 8 de Setembro de 1975 e por lá fez (e faz) vida, como motorista internacional. Hoje, festeja 62 anos e para ele «viaja» o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 23 de março de 2017

3 709 - Polícia Militar (PM) em Carmona e 11 mortos em Luanda

Quatro furriéis Cavaleiros do Norte, ainda 1º.s  cabos milicianos e
 em Santa Margarida: António Carlos Letras, José Louro. Victor
 Costa (atrás e de pé) e João António Brejo (sentado)

O alferes miliciano João Machado na entrada de Duque
de Bragança, numa excursão da 2ª. CCAV. 8423 às fa-
mosas quedas de água  desta vila angolana

A mudança dos Cavaleiros do Norte da Companhia de Comando e Serviços (a CCS, do Quitexe) e da 2ª. CCAV. 8423 (a de Aldeia Viçosa) do BCAV. 8423 para Carmona, iniciada a 2 de Março de 1975, «levou à necessidade de promul-
gação de novas NEP, ou alteração das mesmas», como revela o Livro da Unidade, acrescentando que «a situação de Carmona levou à necessidade de execução de um serviço de PM nas ruas da cidade».
O 1º. cabo Augusto Mota, da 3ª. CCAV.
8423, de quem agora tivemos notícias. É
 empresário de panificação em Lousada
O objectivo era, ainda segundo o Livro de Unidade, «garantir a melhor apresentação do pessoal militar, sobretudo com vista a procurar, através deste meio, prever a resolução das muitas quezílias existentes entre a população civil e as NT, devido à animosidade que aquela tem a estas».
Animosidade bem visível e bem sentida pela guarnição, que vulgarmente era ofendida na sua honra nas ruas, bares e restaurantes ou cinemas da cidade - havendo, da parte dos comandos militares, o aconselhamento rigoroso para que não reagíssemos a quaisquer provocações. E foram muitas, exageradamente muitas e muito pouco simpáticas!
A comunidade civil, insatisfeita com a evolução política do processo de independência de Angola, atirava culpas para cima da tropa, que acusava de não defender os seus interesses - fosse eles quais fossem. Era lamentavelmente muito vulgar que nos apontassem os dedos e, por exemplo, nos chamasse, cobardes e traidores. E isso nunca fomos! Como os trágicos primeiros dias de Junho desse ano de 1975 viriam a mostrar! Se tal fosse preciso! Se antes e depois a acção primária da guarnição não fosse operacionalizar a segurança da cidade, de pessoas e de bens! E de todos os equipamentos básicos: hospital, água electricidade, bens alimentares, comunicações e transportes! Tudo!
Notícia do Diário de Lisboa de 23 de Março de 1975,
sobre os incidentes de Luanda, entre MPLA e FNLA

Tiroteio em Luanda
e tropa sem intervir

A madrugada de 23 de Março de 1975, um domingo, foi tempo de «tiroteio em Luanda, entre as forças do MPLA e da FNLA». Os recontros já se tinham iniciado no dia 21 (a sexta-feira anterior) «em bairros suburbanos, provocando já 11 mortos, entre os quais se encontra(va)m dois civis».
Os dois movimentos tinham chegado a acordo, ao fim da tarde de véspera (sábado, dia 22), «no sentido de fazer recolher as suas tropas aos respectivos aquartelamentos», mas, reportava o Diário de Lisboa desse dia 23 de há 42 anos, «recomeçaram esta manhã, particularmente nos Bairros Cazenga, Marçal, Sambizanga e Vila Alice». Além disso, «houve intenso tiroteio em toda a zona suburbana, a partir da avenida do Brasil».
A tropa portuguesa não interveio, explicando o tenente-coronel Heitor Almendra, comandante do Sector de Luanda, que «os incidentes são uma questão entre os movimentos, recusando-se a intervir», o que, na opinião do DL, «poderá fazer perigar o cumprimento do Acordo do Alvor, em que Portugal também é parte interessada».
O Conselho de Defesa, presidido pelo Alto Comissário Silva Cardoso, general português, reuniu na tarde desse domingo, para se «ocupar da crise».
Victor Francisco, do
PELREC, em 1974

Francisco, 65 anos 
na Marinha Grande

O atirador de Cavalaria Francisco comemora 65 anos a 23 de Março de 2017. Precisamente hoje!
Cavaleiro do Norte do PELREC do BCAV. 8423, da CCS e do Quitexe, Victor José Ferreira Francisco - de seu nome completo - foi combatente sem medos e sempre disponível.
Francisco em 2013
Militar disciplinado e rigoroso no cumprimento dos seus deveres, nunca disse não a qualquer missão, fosse qual fosse. E onde fosse: na mata, na cidade, no quartel. Sempre na frente.
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se na sua terra natal da Marinha Grande, onde fez vida profissional como operário vidreiro, agora já aposentado. É para lá que vai o nosso abraço de parabéns! E com o desejo de que aos 65 se somem muitos e bons anos de vida!

quarta-feira, 22 de março de 2017

3 708 - Acidentes no Quitexe e aulas regimentas em Santa Margarida

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, exibindo uma pacaça.
À direita, de óculos e tronco nu, reconhece-se o 1º. cabo Carlos Ferreira.
 E os outros, quem ajuda a identificá-los?
Os furriéis milicianos Farinhas (com o braço engessado,
 na sequência do acidente), Neto e Viegas, com o inesquecí-
vel Agostinho Papelino, o engraxador que não engraxava
coisa nenhuma. Fazia que...




O Diário do Governo, II Série, de 22 de Março de 1974, publicava o despacho da Presidência do Conselho (de Marcelo Caetano) com nomeação do general Joaquim da Luz Cunha para o cargo de Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, substituindo Costa Gomes - que fora exonerado a 14 do mesmo mês. Até aí, Luz Cunha era o Comandante-Chefe das Forças Armadas em Angola. 
Picote, à esquerda e de pé, seguido
 do 1º. cabo A. Teixeira (pintor), Serra
e 1º. sargento Aires. Em baixo, 1º. cabo

Teixeira (estofador). Atrás, à direita,
 o condutor Miguel. E os outros?
Angola onde, vítimas de acidente de viação e segundo a imprensa do dia, faleceram os 1ºs. cabos José Manuel de Oliveira, natural de Vilarinho da Lomba (Vinhais), e Ramiro Moura Teixeira, de Paranhos (em Valpaços) e o soldado Adelino Gomes Galvão, que era da Devesa (no concelho de Arcos de Valdevez). 

Dois acidentes na
CCS do Quitexe

Mortes por acidente eram muito mais vulgares que o que se possa imaginar, normalmente resultantes de um menor conhecimento e adaptação aos pisos - por parte dos condutores, A CCS dos Cavaleiros do Norte registou pelo menos dois nas primeiras semanas da jornada angolana do Uíge - um deles envolvendo o PELREC, pouco depois do cemitério do Quietexe, com capotagem de um UNIMOG conduzido pelo condutor auto-rodas António do Rosário Picote, felizmente sem consequências de maior. Outro, com o Pelotão de Sapadores e do qual saiu ferido num braço o furriel Joaquim Farinhas - como se vê na imagem, em que está com o Neto e o Viegas e o inesquecível e impagável Agostinho Papelino, que todos se lembrarão de ser engraxador (sem nada engraxar, fazia de conta) e exímio tocador de toques militares, com uma mangueira de jardim.
Os furriéis milicianos Grenha Lopes (que foi monitor
 das Aulas Regimentais em Santa Margarida) e Agos-
tinho Belo (em cima) e Graciano Silva, da 3ª. CCAV.
8423, a da Fazenda Santa Isabel

Aulas Regimentais
no BCAV. 8423

A Ordem de Serviço nº. 71, do RC4 e de 26 de Março de 1974, dá conta da nomeação do (futuro) furriel miliciano José Avelino Grenha Lopes como monitor das Aulas Regimentais, a partir de 6 de Fevereiro.
O mesmo dia foi data para a indicação de militares do BCAV. 8423 que foram matriculados nas duas primeiras classes. 
Eusébio e o furriel José
Carvalho em 1975 (Quitexe)
A primeira tinha apenas um aluno:  Raúl M. F. da Silva, que não consta da lista de embarque para Angola.
A 2ª. classe tinha os seguintes:
- António Manuel da Silva Matias, da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel. Paradeiro desconhecido. Embarcou para Angola e esteve na Fazenda Santa Isabel.
- Armindo Frazão da Silva, da 3ª. CCAV. 8423. Morava na Rua do Duque de Coimbra, em Rio Maior.
Eusébio e esposa (2015)
- Bernardino Fernando Carlos Alcobia da 2ª. CCAV. e depois da 3ª. CCAV., a de Santa Isabel. Da Quinta do Bacalhau, na freguesia de Santa Engrácia, cidade e concelho de Lisboa.
- João Inácio Rodrigues Gonçalves, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. Natural da Moita do Ribatejo, concelho da Moita.
- João Pereira da Silva, da 1ª. CCAV. 8423, natural do lugar de Asssento, freguesia de Laje, concelho de Vila Verde.
- José Manuel Nunes Eusébio, da 3ª. CCAV.. Natural do lugar de Gradil, freguesia do Arneiro, concelho de Mafra.
- Ramiro Ferreira Domingues, da 1ª. CCAV. 8423 e ao tempo residente nas Meirinhas de Baixo, freguesia das Meirinhas, concelho de Pombal.
- Raúl Rosa da Graça, da 2ª. CCAV. e depois da 3ª. CCAV. 8423, que era residente na Rua Mouzinho de Albuquerque, na cidade e concelho do Barreiro.
Também estiveram matriculados, mas deles não temos rasto, Adriano Ferreira de Sousa (da 2ª. CCAV.) e Manuel G. Mateus (3ª. CCAV.).

terça-feira, 21 de março de 2017

3 707 - Exército integrado de Angola, com movimentos emancipalistas!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CAV.8423, a de Santa Isabel, no encontro de 6 de Junho de 2015, em Vila Real
 à frente, sentados, Francisco (Reguila), Eusébio, Arlindo Novo e furriéis Fernandes e Belo. Na segunda,
 Eusébio, alferes Carlos Silva, Abílio Cunha, furriel Flora, Coelho (Buraquinho), Baptista Carvalho, fur-
 riel Ribeiro, Armando Silva e furriel Querido. Na terceira fila, furriel Cardoso. P. Gonçalves, José Novo e
  Carrilho. Na quarta, Gabriel Morais e furriel Lino. Atrás, Ramos, Friezas, Feliciano e capitão Fernandes
Placa a indicar a Fazenda Santa Isabel. A 15 quilómetros,
 onde então estava a 3ª. CCAÇ. 4211, antecessora da
3ª. CCAV. 8423, os Cavaleiros do Norte


A actividade dos Cavaleiros do Norte, neste tempo de 1975, estava operacionalmente concentrada «em Exército integrado, com os movimentos emancipalistas». Seria, mas não chegou a ser, o futuro Exército de Angola.
A acção começou, experimentalmente, a 15 de Março de 1975, nas comemorações do feriado da FNLA. Continuou com carácter regular a partir da noite de 26 para 27 e o plano incluía formação específica: cada especialista português dava a respectiva instrução aos angolanos indicados pelos três movimentos - a FNLA, o MPLA e a UNITA. Fosse como atiradores, como escriturários, ou mecânicos-auto, electricistas e operadores de transmissões, enfermeiros, sapadores, condutores, cozinheiros e padeiros..., todas, no fim de contas, as especialidades de uma unidade militar.
Lamentavelmente e principalmente devido aos muitos problemas (desentendimentos políticos e militares) entre os movimentos angolanos de libertação, o que no Acordo do Alvor, e nesta delicadíssima matéria, tinha sido estipulado, não passou do papel e das boas intenções.
Eurípedes Pavanito,
condutor da 3ª. CCAV. 


3ª. CCAV. 8433, a
de Santa Isabel

A 5 de Março de 1974, segundo a Ordem de Serviço nº. 55 (do dia 7), apresentaram-se 6 novos «nomeados para servir no Ultramar e no BCV. 8423», todos destinados à 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel.
Os seguintes:
Gabriel Morais,
da 3ª. CCAV. 8423
- Saúl Francisco Moreira dos Santos, 1º. cabo mecânico-auto de ligeiros. Natural do lugar do Carregal, freguesia de Canelas, concelho de Vila Nova de Gaia. 
- António Joaquim Pestana Chambelo, condutor. Natural da Penha Longa, em Linhó, concelho de Sintra.
- Eurípedes Jacinto Pereira Pavanito, condutor. Natural e e então também residente no Bairro das Casas do Povo, freguesia do Torrão, concelho de Alcácer do Sal.
- Gabriel José Figueiredo Morais, condutor. Natural  e então residente no Casal da Vinha, freguesia do Catujal, em Loures. Emigrado em França, tem residência no Barcouço, no concelho da Mealhada (Bairrada).
- Manuel José Friezas, auxiliar de cozinheiro. Natural do lugar das Zervedinhas, freguesia do Monte do Pinheiro, do concelho de Coruche. 
- Mário Jorge da Costa Ferrão, cozinheiro. Natural do lugar de Vila Chã, freguesia e concelho de Seia.

Martins de Santa Isabel
65 anos em Chaves

O dia 22 de Março de 2017 é de o Martins, mobilizado da Fazenda Santa Isabel, festejar 65 anos de vida.
João Martins (ou Monteiro?), de seu nome completo, era soldado clarim da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, e natural do lugar de Cando, da freguesia de Vale de Antes, no concelho de Chaves.
Regressou a Portugal a 11 de Setembro de 1975 e mora em Chaves, na Seara Velha (Bairro das Lajes). Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 20 de março de 2017

3 706 - Transmissões dos Cavaleiro do Norte em Licença de Normas

Cavaleiros do Norte da CCS, das Transmissões e outras especialidades: Florêncio, Esgueira (?), 1ºs. cabos
 Soares e Pais, Costa e NN (meio tapado), Wilson, furriel Rocha, 1º. cabo Felicíssimo (Zalala). alferes Her-
 mida, Zambujo, Graciete Hermida, Silva, NN, 1º. cabo Salgueiro, NN e NN (atrás), 1º. cabo Oliveira, Ca-
 brita e Soares. Em baixo, 1ºs. cabos Florindo e Tomás (à frente), furriel Cruz, 1º. cabo Gomes (à civil),  Al-
 fredo Coelho (Buraquinho), Madaleno, furriel Pires, 1º. cabo Hipólio, furriel Mosteias e 1º. cabo Vicente 

Os furriéis milicianos Neto, Viegas e Monteiro foram três
 dos Cavaleiros do Norte que tiveram instrução de minas e
 armadilhas dada pelo aspirante a Pinto Mesquita que, há
 43 anos, faleceu em Lamego, num acidente em serviço


A notícia da morte de dois militares do curso de Operações Especiais / Rangers que decorria no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego e a 14 de Março de 1974, pelo deflagramento de uma granada de mão, «apanhou» de surpresa (e com tristeza e amargura) os ex-instruendos e ex-cadetes do 2º. turno de 1973 agora no BCAV. 8423. Ao tempo, estava em gozo da Licença de Normas e a notícia só foi divulgada no dia 19.
Lago e 1º. cabo Hélio,
TRMS da 1ª. CCAV.
Um dos mortos era o aspirante a oficial miliciano Pinto, que fora instrutor de vários Cavaleiros do Norte: os alferes António Garcia (CCS), Mário Sousa (1ª. CCAV.), João Machado (2ª. CCAV) e Augusto Rodrigues (3ª. CCAV.) e ds furriéis milicianos José Monteiro, Viegas e Francisco Neto (CCS), Manuel Pinto (1ª. CCAV.), António Letras (2ª. CCAV.) e Armondo Reino (3ª. CCAV.)
Telmo Augusto Pinto de Mesquita era o seu nome, natural de Ribalonga (Carrazeda de Ansiães) e especializado neste tipo de instrução, fazia uma demonstração do funcionamento do sistema de segurança de uma armadilha montada com uma granada de mão quando se deu o rebentamento. A outra vítima mortal foi o cadete Victor Manuel Ramires Pereira, do Lavradio, no Barreiro. Houve ainda 14 feridos.
O acidente e a morte do aspirante Pinto Mesquita e do cadete Victor Pereira - para além dos 14 feridos no acidente de instrução - surpreendeu e impressionou os futuros Cavaleiros do Norte que tinham passado por Lamego. Afinal, nós mesmos, meio ano antes tínhamos passado por aquele tipo de instrução. E precisamente com aquele instrutor do CIOE.
Humberto Zambujo em
 1975, soldado rádio-
-telegrafista da CCS

Mais Cavaleiros em
Licença de Normas

A 19 de Março de 1974, um grupo de rádio-telegrafistas do Batalhão de Cavalaria 8423 entrou de Licença de Normas, os 10 dias de férias de mobilização.
A maioria dos mobilizados, recordemos, já estava em gozo dessa licença desde o dia 18 desse mês de há 43 anos.
Humberto Zambujo,
já civil e em 2015
Um dos agora licenciados, porém, não seguiu para Angola, por qualquer razão, não estando nas listas de embarque do Batalhão: Manuel A. R. Falho (ou Fialho).

CCS, a do
Quitexe

- Arménio Augusto Vinhais, 1º. cabo. Foi punido, já no Quitexe e em Julho de 1974, com 20 dias de prisão disciplinar agravada (pela CCS), depois agravada para 30 dias, pelo Comando do Sector do Uíge (CSU), de Carmona, devendo ter sido transferido para outro Batalhão.
- Humberto Mora Zambujo, soldado. Natural e então, como hoje, residente em Sines, onde é empresário na área da gestão de recursos humanos.
- João Orlando Machado da Silva, soldado. Natural e ao tempo residente na freguesia de S. João, na cidade e concelho de Lisboa.
Jorge Silva, 1º. cabo
TRMS de Zalala

1ª. CCAV. 8423, 
a de Zalala

- Hélio Rocha da Cunha, 1º. cabo. Natural do lugar e freguesia de Mamouros, concelho de Castro Daire.
- Jorge Manuel da Silva, 1º. cabo. Natural do lugar do Corgo, na freguesia de Carqueré, concelho de Resende.
- António Henriques Nunes Lago, soldado. Natural e então residente no Bairro da Pontinha, concelho de Loures.
- Fernando Jesus da Costa Coelho, soldado. Residente na Presa Velha, em Campanhã, cidade e concelho do Porto.

1º. cabo José Beato,
 TRMS de A. Viçosa 

- 2ª. CCAV. 8423, a
de Aldeia Viçosa

- Jorge da Silva Martins, 1º. cabo.  Natural e residente no lugar da Gândara dos Olivais, então freguesia de Marrazes, no concelho de Leiria. Agora, reside em Vieira de Leiria.
- 1º. cabo José Maria Pedrosa de Pinho Beato. Natural da freguesia da Cedofeita, no Porto, e agora morador em Valongo.
- Domingos Maciel de Faria, soldado. Natural do lugar e freguesia de Durrães, no concelho de Barcelos. Actualmente, está emigrado na Venezuela.
- João Carlos Santana Palongo, soldado. Natural e residente na freguesia de S. Sebastião, na cidade (Rua A. Rodrigues da Costa) e concelho de Setúbal.
José Novo, TRMS
de Santa Isabel

3ª. CCAV. 8423, a
de Santa Isabel

- Aníbal Amadeu Rocha dos Santos, 1º. cabo. Natural do Bairro da Musgueira, no Lumiar, na cidade e concelho de Lisboa.
- António João Malhado Rodrigues, 1º. cabo. Natural da freguesia de S. Pedro, na cidade e concelho de Elvas.
- Jerónimo Maria Rafael Soares, soldado. Natural e então residente na Passagem de Nível de Massamá, concelho de Sintra.
- José de Oliveira Novo, soldado. Natural do lugar de Vale do Riço, freguesia do Souto, concelho de Santa Maria da Feira. 

domingo, 19 de março de 2017

3 705 - Comandante da ZMN e condutores em Santa Margarida


Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, a maior parte deles identificados. O furriel
 miliciano Manuel Dinis Dias, mecânico-auto, na imagem assinalado com a seta branca, faria
hoje 65 anos. Faleceu a 20 de Outubro de 2011, de doença e em Lisboa. RIP!


Cavaleiros do Norte da CCS: 1º. cabos Luciano Borge
 Gomes, Ezequiel Silvestre e Victor Vieira, o Sacristão,
que hoje faz 65 anos, na Vidigueira

O general Luz Cunha deixou Luanda a 19 de Março de 1974 e viajou para Lisboa, onde iria assumir as funções de Chefe do Estado Maior das Forças Armadas - substituindo o também general Costa Gomes.
O Diário do Governo desse dia de há 43 anos, justamente, publicara a exoneração dos generais Costa Gomes e António de Spínola dos cargos de Chefe e Vice-Chefe do Estado Maior das Forças Armadas - por despacho da Defesa Nacional, do dia 14 de Março de 1974.
O 1º. cabo Carlos Ferreira com um bailundo,
 que era trabalhador da Fazenda de Zalala
O general Joaquim Luz Cunha era o comandante Chefe das Forças Armadas de Angola e despedira-se na véspera, numa cerimónia na parada da Fortaleza de S. Miguel em que estiveram, entre outros oficiais de alta patente, os comandantes das Regiões Militar, Aérea e Naval. E também o general Alberty Correia, que dias antes lá chegara para ir comandar a Zona Militar Norte (ZMN), instalada na cidade de Carmona (actual Uíge), a 40 quilómetros do Quitexe - onde iriam jornadear os Cavaleiros do Norte.
Mal sabíamos nós de tal pormenor, nem poderíamos saber. Menos ainda qual a zona angolana que seria o nosso destino próximo.
Henrique Esgueira,
condutor da CCS

Condutores para
CCS e 3ª. CCAV.

A esmagadora maioria dos Cavaleiros do Norte estava, desde a véspera, em gozo da Licença de Normas, mas ao RC4 continuavam a chegar militares especialistas, «por terem sido nomeados para servir no ultramar, com destino ao BCAV. 8423». 
Dois condutores, no caso, e ambos transferidos da Escola Prática de Engenharia (EPE), em Tancos. Os seguintes, segundo a Ordem de Serviço nº. 67, de 21 de Março de 1974:
- Henrique Nunes Esgueira, para a CCS,  a do Quitexe. Natural de Figueira Redonda, freguesia de Serra, em Tomar. Actualmente, é empresário da construção civil e mora em Alfragide, na Amadora.
- Manuel Agostinho da Silva Moço, para a 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel. Natural de Azeitão, freguesia de S. Lourenço, em Setúbal.

O furriel Manuel Dias
nos tempos de Angola

Furriel Manuel Dias
faria hoje 65 anos!

O dia 19 de Março de 1952, pelas bandas de Oliveira do Hospital, foi de festa de nascimento: o do esbelto e risonho Manuel Dinis Dias, futuro furriel miliciano mecânico-auto da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala.
Hoje, faria 65 anos!
O Manuel Dias nos
anos 2000 e tal
O Dias, anda novo, fez-se à vida e fixou-se em Lisboa, acompanhando a família. Lá estudou e de lá partiu para a jornada africana de Angola que o levou a Zalala.
A rotação a 1ª. CCAV. 8423 levou-o, depois, a Vista Alegre/Ponte do Dange e Songo, antes de chegar a Carmona e passar pelo Grafanil, em Luanda, para o regresso a Portugal.
Regressado à vida civil, continuou em Lisboa como mecânico e lá casou com Júlia, amor de uma vida, e foi pai. «Sim o meu pai continuou sempre mecânico e esteve em alguns sítios de Lisboa a trabalhar», disse-nos a  filha, Ana Filipa Dias, em Outubro de 2013.
Uma grave doença, incurável, levou-o do nosso convívio físico, aos 20 dias de Outubro de 2011. As 59 anos! Ainda muito jovem e expectante na vida e futuro.
Hoje o recordamos com saudade. RIP!!! 
Carlos Ferreira, 1º.
 cabo de Zalala, em 1975,
foto de Vista Alegre


Ferreira e Vieira, 65 anos
em Moçambique e Vidigueira

O 19 de Março de 2017 é dia de dois Cavaleiros do Norte festejarem 65 anos: o Ferreira e o Vieira.
Carlos Alberto Pereira Tavares Ferreira é de Albergaria-a-Velha e foi 1º. cabo mecânico de armamento ligeiro da 1ª. CCAV. 8423 - a de Zalala. 
C. Ferreira em 2013
Assumiu, sozinho e já em Luanda, responsabilidades que lhe cabiam, é verdade, mas também a outros, por lá ficando em pena disciplinar que continuou em Portugal. Enveredou pela militância revolucionária e, por isso foi julgado. 
Actualmente, e já desde há vários anos, é empresário do sector da segurança electrónica em Moçambique, morando em Maputo - a antiga Lourenço Marques, capital da antiga província ultramarina portuguesa.
Victor Vieira, o Sa-
cristão do BCAV. 8423,
em 1974/75 (Angola)
Victor Manuel da Cunha Vieira era o «Vidiguêra», 1º. cabo auxiliar de serviços religiosos, daí lhe advindo a carinhosa alcunha de Sacristão, que o popularizou pelo Quitexe e Carmona, depois no Grafanil, em Luanda, até as dias de hoje.
Alentejano da vila da Vidigueira, onde nasceu há precisamente 65 anos, fez parte da guarnição da CCS dos Cavaleiros do Norte, em Quitexe, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, explorou um café na vila, até que sofreu um AVC, há volta de 10 anos, ficando com alguma incapacidade física. 
Victor Vieira. o Sa-
cristão,  em 2017
Acabou por fechar o café, enquanto demorou a alongada recuperação, procurando, assim, ultrapassar as debilidades e mazelas que os acidentes vasculares cerebrais sempre provocam nos «seus» doentes.
Actualmente e apesar de algumas limitações, está suficientemen-
te reestabelecido de saúde (como se pode ver na imagem aqui ao lado) e explora o bar da Junta de Freguesia da Vidigueira.
Parabéns para ambos, directamente para Moçambique e Alentejo!