quarta-feira, 26 de julho de 2017

3 834 - Guerra total entre o MPLA e a FNLA!

Cavaleiros do Norte nas oficinas do Quitexe: 1ºs. cabos Rafael Farinha e 
Serra Mendes e furriel Norberto Morais (todos mecânicos-auto) e 1ºs. 
cabos Domingos Teixeira (estofador) e Agostinho Teixeira (pintor)

O comandante Almeida e Brito (à esquerda) em Aldeia Vi-
çosa, com os alferes milicianos João Machado e Jorge Capela



A 26 de Julho de 1974, o comandante Almeida e Brito deslocou-se a Aldeia Viçosa, onde se aquartelava a 2ª. CCAV. 84343 e onde, acompanhado do capitão José Manuel Cruz, reuniu com as autoridades tradicionais locais.
O comandante do BCAV. 8423 fez-se acompanhar por alguns oficiais do Quitexe e pelas autoridades adminis-
Alferes milicianos Periquito e Cruz, capitão Cruz e al-
feres Carvalho (de pé) e Jorge Capela (em baixo). Aqui,
no quartel de Aldeia Viçosa, na 2ª. CCAV. 8423
trativas e eclesiásticas locais e o dia foi também tempo para uma deslocação à Fazenda Minervina, em continuação do trabalho de «mentalização das popula-
ões» para a nova situação militar e política - a decorrente do 25 de Abril.

Guerra total entre
a FNLA e o MPLA

Um ano depois, 26 de Julho de 1975, regressou a Carmona a coluna MVL que na véspera tinham partido para Salazar (N´Dalatando), à terceira tentativa (imposta à FNLA), e regressaram de Luanda os Cavaleiros do Norte que, em serviço, lá se tinham deslocado.
Luanda onde, na véspera,  se tinha registado mais confrontações armadas entre a FNLA e o MPLA - em S. Pedro da Barra, Cazenga e Cuca.
A declaração de «guerra total» foi feita na véspera, por Holden Roberto e aos microfones da Emissora Oficial de Angola, exortando o seu exército (o ELNA) a, e citamos o Diário de Lisboa, a continuar «o fogo sobre o inimigo, em todas as frentes», porque, sublinhou, «a nossa luta é definitiva e só terminará com a libertação de Luanda e a reocupação de todas as nossas posições».
O MPLA, na voz do presidente Agostinho Neto, reagiu com a proclamação da «resistência popular generalizada» incitando «todos os verdadeiros patriotas para que se mobilizem para responder, pela violência revolucionária, a todas as agressões dos bandos assassinos do ELNA/FNLA».
O Caxito continuava ocupado pela FNLA, que lá tinha 7 carros blindados, metralhadoras de fabrico americano e tropas de infantaria.
O MPLA continuava a controlar Henrique de Carvalho e Salazar. Malanje voltou a registar «conflitos muito violentos, envolvendo armas ligeiras e pesadas».
Carmona, onde as NT eram ameaçadas pela FNLA e fortemente criticadas pela comunidade civil, felizmente ia continuando minimamente calma. As NT, sublinha o Livro de Unidade, eram «permanente alvo de críticas das populações brancas».
Nzita Henriques Tiago,
da FLEC e em 2012

FLEC anunciou
Governo Revolucionário
em Cabinda

A Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) anunciou, a 26 de Julho de 1975, a constituição de um governo revolucionário provisório e esperava «anunciar brevemente a sua independência».
O anúncio foi feito em Paris, por Luzi Ball, que se apresentou como Ministro dos Negócios Estrangeiros do referido Governo, que tinha sido «proclamado a 16 de Julho e controlava um quarto do território».
O 1º. Ministro era Nzita Henriques Tiago, da FLEC - movimento que «já tinha travado combates com o MPLA» e, por outro lado, «procurava eleições livres e estabelecer um governo livre antes do 11 de Novembro».

segunda-feira, 24 de julho de 2017

3 833 - Coluna para Salazar, Chipenda e Angola do Norte!

O PELREC (na Berliet) pronto para sair do Quitexe, para mais uma operação,
ou escolta. Reconhece-se, todos milicianos, os alferes Carlos Sampaio (ofi-
cial de dia) e António Garcia (comandante do PELREC) e furriel Viegas 
O comandante Almeida e Brito, ladeado pelo capitão
José Manuel Cruz (à esquerda) e alferes João Ma-
chado, ambos milicianos da 2ª. CCAV. 8423


As tensas relações entre as NT e a FNLA, que se agravaram por este tempo de há 42 anos, provocaram várias reuniões, uma delas a 23 de Julho.
«Desanuviado o ambiente, conseguiu realizar-se, a 25 de Julho, a desejada coluna a Salazar, em terceira tentativa», relata o Livro da Unidade, acrescen-
tando que «fez-se o seu regresso a 26, 
Quitexe em 2005 (da net): secretaria e Comando na CCS (à
 esquerda), casa de João Garcia (caiada de branco) e, à di-
reita, a frente da árvore, o que então restava do edifício
do Comando do BCAV. 8423
assim como o do pessoal que tínhamos em Luanda» e que, por não poder passar no Caxito - devido aos violentos combates que ali ocorriam, entre FNLA e MPLA - teve de fazer a volta pelo Dondo, passando pelo Negage, Samba Caju, Salazar (actual N´Dalatando). 
A viagem pela Estrada do Café, de Car-
mona a Luanda, estava impossível. No Caxito, a  50 quilómetros de Luanda, os combates envolviam carros blindados e a vila, ocupada pelo MPLA desde 28 de Maio, «caiu» nas mãos da FNLA
A memória faz recuar aos dias 13 e 21 de Julho imediatamente anteriores, quando a FNLA «impediu» a saída da(s) coluna(s), o que motivou (e obrigou) um posição de força das NT. A 25, a coluna do MVL iria avançar, a que custo fosse. Nada e ninguém a iria impedir.
Daniel Chipenda disse em Carmona, há exac-
tamente 42 anos, que a FNLA ia entrar
 em Luanda e... governar Angola

Chipenda em Carmona 
e combates em Luanda

A luta entre o MPLA e a FNLA continuava em Luanda, nomeadamente em S. Pedro da Narra e nos Bairros da Cuca e do Cazenga.
Daniel Chipenda, então secretário geral adjunto da FNLA, falou ao país, em entrevista ao envia-
do da AFP e a partir de Carmona, anunciando que o ELNA (o seu exército) «tinha recomeçado a encaminhar-se para Luanda com o intuito não de negociar mas de conquistar o poder».
«As nossas forças marcham para Luanda e esperamos a sua entrada na capi-
tal de Angola nos próximos dias», disse Daniel Chipenda, que era dissidente do MPLA, acrescentando que «apesar de algumas declarações de algumas entidades do Governo de Lisboa, as forças portuguesas não se oporão, realmente, ao avanço das tropas da FNLA» e que «não tememos uma eventual intervenção da aviação portuguesa».
Daniel Chipenda afirmou também que «só muito dificilmente se poderia pensar em novas negociações com o MPLA», pois, explicou, «todos os acordos foram violados» pelo movimento de Agostinho Neto. «Vamos a Luanda não para negociar, mas para dirigir», acrescentou, confirmando que Holden Roberto estava em Angola.
Recusou a intenção de a FNLA se acantonar no norte - no Uíge e Zaire, onde era dominadora -, sublinhando que, isso sim, o objectivo era «instalar-se em Luanda e de manter na capital o seu quartel-general». Muito menos pensava em «proclamar um Estado do Norte», como lhe perguntou o enviado da AFP. 
«Não queremos balcanizar o nosso país. A nossa capital não é Carmona ou S. Salvador, mas, sim, Luanda», disse Daniel Chipenda.
Fazenda Xandragoa, onde o comandante
Almeida e Brito esteve há precisamente
 43 anos, escoltado pelo PELREC

Cavaleiros do Norte
em várias fazendas

Um ano antes, o BCAV. 8423, com comando instalado no Quitexe, celebrou o Dia do Exército, com «cerimónias simples».
O comandante Almeida e Brito, nesse mesmo dia de há 43 anos, visitou várias fazendas da ZA dos Cavaleiros do Norte: Guerra, Xandra-
goa (foto ao lado), Buzinaria e Isabel Maria.
A coluna incluía as autoridades administrativas e eclesiásticas do Quitexe e a escolta foi assegurada pelo PELREC, comandado pelo alferes Garcia. 
A altura era de «garantir a segurança das populações», estando as «acções contra bandos armados que possam ainda ser hostis limitadas a defesa própria e a preservar a vida e os bens dos habitantes pacíficos», como proclamou a Junta Governativa, no entanto frisando que «devendo, nesse caso, serem usadas, se necessárias, as maiores determinação e firmeza».
Manuel Lopes

Lopes de Aldeia Viçosa,
65 anos em Alcanede

O soldado atirador de Cavalaria Lopes, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 65 anos a 25 de Julho de 2017. Hoje, precisamente.
Manuel Fernando de Jesus Lopes era Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa e ao tempo residente (e ainda actualmente morador) na Aldeia de Além, freguesia de Alcanede, no concelho de Santarém. Lá regressou a 10 de Setembro de 1975, depois de cumprir a sua (e nossa) co-
missão militar no Uíge de Angola , entre Aldeia Viçosa e a cidade de Carmona.
Parabéns! E que a data se repita feliz, por muitos e bons anos!


3 832 - Evacuação de Carmona «pela força, se necessário»!

Cavaleiros do Norte da CCS na parada do Quitexe.  Atrás, de pé, José Rebelo, Wilson Moreira (?),
furriéis Mosteias (de cabelo rapado), Neto (de bigode), José Pires e Rocha (de boina), dra. Graciete
Hermida, NN, alferes Hermida (de bigode e quico) e... Os três últimos da direita são os 1ºs. cabos Pires
(Fecho-eclair, mais atrás), Oliveira (de boina e braços esticados) e o Couto Soares (de quico). Na segunda fila,
Madaleno, um sapador (?), Luciano, Silva (rádio-montador) , 1ºs. cabos Coelho (Buraquinho)  e Gomes (à
 civil) e... quemos identifica? À frente, 1º. cabo Florindo (de pernas para a frente) e Costa (?, rádio-telegra-
fista), NN, Cabrita, NN, furriel Cândido Pires e... quem é? Quem ajuda a identificar os não identificados?

O alferes miliciano João Machado e os capitães José
Paulo Falcão e José Diogo Themudo (2º. coman-
dante do BCAV. 8423) na varanda do
BC12, em Carmona



A situação em Carmona, há 42 anos, evoluiu de forma rápida, na sequência das posições da FNLA, cada vez mais extremistas. Santo António do Zaire já era considerada indefensável e, relativamente a Carmona e Negage, seria «imperioso desencadear uma operação de grande envergadura» que permitisse à NT controlar as duas cidades».
O livro «Segredos da Descolonização de Angola», de Alexandra Marques (1), que citamos, refere que, quanto às três localidades, a opção seria «abandono ou reforço de posições», pois os efectivos eram manifestamente «insuficientes para atender 
Furriéis milicianos de Zalala: Eusébio, P. Queirós
 e Victor Costa de pé), J. Rodrigues, J. Barata,
José Louro e Manuel Dias
a todos os pontos importantes».
A 24 de Julho, o Presidente da República rece-
beu mensagem de Silva Cardoso, o Alto Comis-
sário:  era «absolutamente necessário evacuar, também e em simultâneo (com Santo António do Zaire), a tropa e a população de Carmona e Negage, pela força, se necessário fosse». 

Uma coluna
militar poderosa

Costa Gomes, ainda segundo Alexandra Marques, considerou «inaceitável» os termos do «ultimato relativo às condições de saída» de Carmona e do Negage, mas aceitava que «uma coluna militar poderosa», envolvendo «tropas especiais, artilharia, blindados e todo o apoio aéreo possível» evacuasse as duas cidades. A operação deveria processar-se com «algum tempo e demora».
A FNLA era a «senhora do Uíge» e queria forçar a entrada em Luanda. A 24 de Julho de há 42 anos, tomou a Barra do Dande e Caxito, mas continuava cercada no Forte de S. Pedro da Barra e no Cazenga. Luanda, aliás, acordara na véspera com combates nos bairros da CUCA e Cazenga. E prosseguiam os do Caxito, a 50 quilómetros, e especulava-se sobre a eventualidade de Daniel Chipenda estar à frente de uma coluna de blindados para forçar a reentrada na capital. Chipenda, recordemos, estava há vários dias em Carmona.
Os Cavaleiros do Norte continuavam de armas aperradas, prontos para tudo o que desse e viesse, sem se deixarem intimidar pelas permanentes ameaças da FNLA. A reunião da véspera, entre os Comandos Militares portugueses e os responsáveis da FNLA, tinha sido muito tensa - numa altura em que as NT encaravam, também, a crescente hostilidade de grande parte da população civil branca.
Fazenda Zalala, onde se aquartelou a 1ª. CCAV.
8423: «a mais rude escola de guerra»

Silva, de Zalala, 65
anos em Vila Verde

O soldado Silva, da 1ª. CCAV. 8423, festejou os seus 23 anos em Carmona, neste ambiente de tensão. A 24 de Julho de 1975.
João Pereira da Silva, atirador de Cavalaria da Companhia da mítica Fazenda Zalala, regres-
sou a Portugal a 9 de Setembro de 1975, directamente ao lugar de Assento, freguesia de Laje, no concelho de Vila Verde. Sabemos que lá continua a morar e para lá segue o nosso abraço de parabéns pelos 65 anos que hoje festeja! Hoje, o dia 24 de Julho de 2017!

domingo, 23 de julho de 2017

3 831 - As ameaças em Carmona, o cessar-fogo entre MPLA e FNLA!

Cavaleiros do Norte na messe do Quitexe, quase todos furriéis: Capitão,
Cardoso, 1º. cabo Almeida, soldado Lajes e Flora. No meio, Cruz (de
óculos e tapados pelas mãos), Costa, Reino e Carvalho. À frente,
Bento (de bigode), G. Lopes, Fonseca (de bigode) e Rocha

Cavaleiros do Norte da CCS no Topete: João Monteiro
(Gasolinas), NN, José Coelho e Calçada (sapadores) e
NN. Quem são os NN? Alguém se lembra dos nomes?


A 23 de Julho de 1975, o Comando Militar de Carmona teve una difícil e delicada reunião com os dirigentes políticos e militares da FNLA, que persistiam com ameaças e imposições - particular-
larmente  pedindo (ou 
Furriéis milicianos Querido, Guedes e Fernandes,
da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel
exigindo) a «entrega de armas retidas» no BC12 e provavelmente na ZMN.
Armas que, recordemos, tinham sido da PIDE/DGS (e dos Flechas), dos GE´s e da OPVDCA - a Organização Provincial de Voluntários de Defesa Civil de Angola.
O dia foi também tempo para mais «uma reunião de trabalho» do Comando do BCAV. 8423 com «elementos do Quartel General da Região Militar de Angola», para preparar a operação de retirada dos Cavaleiros do Norte - de Carmona para Luanda -, que estava prevista para começar a 3 de Agosto seguinte. 
O objectivo era «obter os meios necessários à execução de tal operação» que, segundo o Livro da Unidade, «começou a materializar-se em 31 de Julho, com a chegada de viaturas e tropas de reforço».
Agostinho Neto, Holden Roberto, presi-
dentes do MPLA, FNLA e UNITA


Cessar-fogo assinado
entre MPLA e FNLA

O dia foi assinalado pela assinatura do (mais um) acordo de cessar-fogo entre o MPLA e a FNLA, depois de uma reunião com a Comissão Nacional de Defesa, presidida pelo general Silva Cardoso, o Alto-Comissário.

Ambos os movimentos aceitaram manter as suas tropas nas suas posições, até pelo menos a reunião entre os três Chefes dos Estados Maiores.
A noite de véspera registou um ataque à bomba ao Jornal de Angola (o anterior A Província de Angola), conhecido por os seus trabalhadores terem «posições próximas da FNLA».
Os prejuízos foram  «muito elevados», tendo as portas e janelas ficado «destruídas pela explosão», assim como as duas rotativas. Estava pouco pessoal nas instalações, mas, ainda assim, «ficaram feridos um polícia militar e um tipógrafo».
José A. Nunes Louro,
 1º. cabo sapador

A morte do Louro,

1º. cabo sapador

O 1º. cabo sapador José Adriano Nunes Louro, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, faleceu há 9 anos, a 23 de Julho de 2008, vítima de suicídio.

O Louro era natural de Casal do Pinheiro, freguesia de Casais, no concelho de Tomar - aonde voltou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jornada africana do Uíge angolano. Há 9 anos, ficou viúvo, pela morte da esposa (de doença cancerosa). Enlutado e de alma a sofrer, foi-lhe despistada doença do mesmo foro - muito pouco tempo depois. Foi isso que o levou ao suicídio, para, como corajosamente deixou escrito, «não fazer sofrer a família». - como tinha sofrido com a dolorosa doença da esposa. Assim nos contou o filho, que é 1º. sargento do Exército.

sábado, 22 de julho de 2017

3 830 - Cavaleiros para Luanda e Holden anunciado em Angola

Cavaleiros do Norte da CCS. O Cabrita é o primeiro, da direita para a esquer-
da (de pé). Sentados, reconhecem-se os 1ºs. cabos Grácio (o primeiro, à es-
querda) e Vieira (Sacristão), o soldados Calçada e Amaral (sapadores) e o

 1º. cabo Luciano Borges Gomes (o primeiro, da direita), que hoje faz 
65 anos em Leiria. Alguém se lembra dos outros nomes?


Os furriéis milicianos Monteiro e Viegas, ambos de Ope-
 rações Especiais (Rangers), no jardim das traseiras da
 messe do Bairro Montanha Pinto. Carmona e há 42 anos



Os finais de Julho de 1975 foram tempo de se saber a rotação, cada vez mais próxima, dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423: de Carmona para Luanda. Muito desejada.
O Livro da Unidade, relativamente a este mês de há precisamente 42 anos, refere que era necessário «encontrar uma opção para os dias futuros». 
Os 1ºs. cabos Miguel Teixeira (escriturário) e José Maria
Almeida (cozinheiro), ambos da CCS e no Quitexe
Que necessariamente seria uma, de duas: «Ficar em Carmona, com o total descrédito das NT e perigosamente alvo das queixas a ataques da FNLA (...), ou antecipar o regresso a Luanda».
«Jogados os dados da equação, enten-
dendo-se que o que melhor servia era a a segunda opção, expôs-se o assunto ao QG/RMA, obtendo-se a certeza da rotação do BCAV. para Luanda a partir de 3 de Agosto, esquematizando-se e
Daniel Chipenda, secretário geral adjun-
to, e Holden Roberto, presidente da
 FNLA. Há 42 anos!
montando-se uma operação para essa saída, que não se adivinhava fácil», escreveu o comandante Almeida e Brito. Assim foi.

Chipenda anunciou, em
Carmona, Holden em Angola


O dia 22 de Julho de 1975 foi tempo, em Carmona de Daniel Chipenda falar ao país (Angola), através da Emissora Oficial e anunciando que Holden Roberto, o presidente da FNLA, se «encontra em território nacio-
nal para conduzir as operações militares do ELNA».
Chipenda há vários dias que estava em Carmona (na campanha do café) e, ao tempo secretário geral adjunto da FNLA, afirmou também que «nós, ELNA, somos obrigados a pegar em armas para mais uma vez dizermos não aos que desejam oprimir o povo». 
«Voltamos às armas pelas mesmas razões de 1961. Queremos liberdade. Queremos liberdade e terra para os angolanos», sublinhou Daniel Chipenda, numa altura em que muito se especulava sobre a presença de Holden Roberto em Carmona. Houve, ao tempo, quem garantisse tê-lo visto no Escape.
O Caxito, a 50 quilómetros da capital, foi território onde «blindados da FNLA que se dirigiam para Luanda foram impedidos de avançar». Não se sabia se as forças portuguesas tinham intervido, mas o MPLA anunciou a destruição de um blindado. Luanda tinha gasolina para 4 dias, porque a Petrangol estava paralisada, devido ao cerco do MPLA à FNLA, acantonado no forte de S. Pedro da Barra, onde estavam 600 militares do seu ELNA - Exército de Libertação Nacional de Angola - acossados pelas FAPLA do MPLA. 
Um informador militar português declarou que forças da FNLA estavam «a  infiltrar-se ao longo da costa, em direcção da Luanda». Mas que «as forças portuguesas interviriam para as interceptar e impedi-las de entrar na cidade».
A FAMPLAC, fábrica de moldes fundada e administrada
por Luciano Borges Gomes, na Marinha Grande

Savimbi: independência a 11 de Novembro, ou talvez não!...

A linha de Malanje estava interrompida a 40 quilómetros de Salazar (N´Dalatando), cidade «praticamente abandonada» e onde 1000 pessoas foram acolhidas pela tropa portuguesa.
O 1º. cabo Luciano
Borges Gomes
em 1975 (Angola)
A Luanda chegavam refugiados de Salazar e outros fugiram para Sá da Bandeira e Nova Lisboa. Os Caminhos de Ferro de Ben-
guela deslocaram familiares do pessoal para Luanda e alugaram um avião da Swissair para os transportar para a Europa.
Jonas Savimbi, presidente da UNITA, disse em Lusaka que «os interesses do povo estão a ser completamente esquecidos nos actuais confrontos em Angola» e que os combates entre
o MPLA e a FNLA se traduziam numa «violação  do acordo de cessar-fogo assinado no mês passado no Quénia». 
Luciano Borges
Gomes, actual
 empresário (2017)
Savimbi admitiu mesmo não saber se «os 3 movimentos de libertação manterão o seu pedido de independência para 11 de Novembro».

Luciano da CCS, 65 
anos em Leiria!

Luciano Borges Gomes foi 1º. cabo mecânico de armamento ligeiro do BCAV. 8423. Faz 65 anos a 22 de Julho de 2017.
Cavaleiro do Norte da CCS, no Quitexe e em Carmona, é natural do Arnal, da freguesia da Maceira Liz, em Leiria. Lá regressou a 8 de Setembro de 1975 e por lá faz vida, como prestigiado e bem sucedido empresário do sector dos moldes, fundador e administrador da FAMPLAC, na Maecira.
Para lá vai o nosso abraço de felicitações, embrulhado no desejo de que repita a data por muitos e bons anos. Parabéns!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

3 829 - Apresentação e arma de IN na BCAÇ. 4145 de Vista Alegre

Vista Alegre em Dezembro de 2013. numa foto do 1º. cabo Carlos Ferrei-
 ra, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, que para lá rodou  a 21 de Novembro de 
1974. Em primeiro plano, as bombas de gasolina

A CCAÇ. 4145 na cerimónia de entrega do guião, em1973. Aquartelou em Vista
 Alegre e foi subunidade dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423


O período de prevenção simples do BCAV. 8423 terminou a 18 de Julho de 1975 (desde o dia 12) mas as rotinas de segurança continuaram em absoluto vigor e muito atentas relativamente à FNLA - a «dona» do Uíge! - que se mantinha reivindicativa quanto a «desequilíbrios de outros locais» e no distrito exigia armas, cercava quartéis e impedia a circulação de MVL´s.
A 21 de Julho de há 42 anos repetiu o impedimento de saída de um MVL (já o fizera no dia 13) e ainda estavam bem frescas na memória as 
O capitão miliciano Raúl Corte Real, coman-
dante da CCAÇ. 4145, a de Vista Alegre
declarações (e ameaças não tão veladas, assim...) de dirigentes da FNLA e de
militares do ELNA do comício do dia 13 anterior.
A tropa, de outro lado, era «permanente alvo de críticas da populações brancas, a quais se sentem marginalizadas e sem recebem quaisquer apoios ou seguranças daqueles que ainda são, com afirmam, os lídimos representantes da Autoridade Portuguesa»
Foram tempos muito difíceis (e amargos, até perigosos...) para os Cavaleiros do Norte - na altura já com as 4 Companhias aquarteladas na cidade de Carmona, desde que no dia 8 anterior se completara a rotação da 3ª. CCAV. 8423, então do Quitexe, iniciada no dia 1 - quando rodou o primeiro grupo de combate.
A 3ª. CCAV. era comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e rodara para o Quitexe, da Fazenda Santa Isabel, a 10 de Dezembro de 1974. A Santa Isabel tinha chegado a 11 de Junho do mesmo ano. 
O capitão Raúl Corte Real no encontro da CCAÇ. 4145
de 2015 (assinalado com a seta vermelha)

Fugitivo do IN entregou  
arma em Vista Alegre

Um ano antes, comemorou-se o Dia da Cavalaria no Quitexe e «em cerimónias simples». O comandante Almeida e Brito enviou uma mensagem às subunidades - as de Zalala, Aldeia Viçosa e Santa Isabel.
O dia foi particularmente assinalado, em Vista Alegre, pela «apresentação de um elemento fugido do IN, antigo GE raptado na área de Bolongongo». O Livro da Unidade refere que «fez entrega de uma espingarda semi-automáticas Simonov», que era «a primeira arma do BCAV.» e também que «conseguiu furtar-se a um grupo inimigo em trânsito».
Vista Alegre era onde se aquartelava a CCAÇ. 4145, uma da sub-unidades agregadas ao BCAV. 8423 e que era comandada pelo capitão miliciano Raúl Corte Real.
Em tempos nada fáceis para este oficial que, para além do comando de CCÇ. 4145 - cerca de 200 jovens... - ainda tinha de permanentemente lidar o administrador (e os seus milícias), fazendeiros, sobas e populações. «E mais os que não gostavam de nós, como alguns camionistas, fazendeiros e IN´s. Havia muitos para quem não dava mesmo sorrir muito», comentou Raúl Corte Real, na sua página de facebook.
Estevão F. Neto

Neto de Aldeia Viçosa
65 anos em Abrantes

O soldado Neto, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, comemora 65 anos a 21 de Julho de 2017.
Estevão Fernandes Neto era (é) o seu nome completo, foi atirador de Cavalaria da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz e era (é) natural do lugar de Chaminés, na freguesia de Bemposta, em Abrantes. E lá voltou a 10 de Setembro de 1975.
Actualmente, mora  na Rua do Secador, na mesma freguesia e concelho abrantino, para onde «atiramos» o nosso abraço de parabéns! Com o desejo de muitos e mais bons anos de boa saúde e alegria de viver.
F. Vieira nos tempos de Car-
mona. Há  mais de 40 anos!

Fernando Vieira em
«natal» na Amadora

Fernando Antunes Vieira foi civil contemporâneo dos Cavaleiros do Norte, em 1975 - há 42 anos!... - e quando era um jovem funcionário de Câmara Municipal de Carmona. Está na casa dos «sessentas e tais» e hoje mesmo está em festa de anos. 
Fernando Vieira
em 2016/2017
O livre trânsito camarário permitiu-lhe alguns contactos no BC12, para levar e trazer «coisas» dos civis seus amigos que lá se refugiaram nos dramáticos dias da primeira semana de Junho de 1975. Recolhidos na cidada, a fugir dos combates entre MPLA e FNLA e apoiados pelos Cavaleiros do Norte.
Aposentado da Maternidade Alfredo da Costa, onde fez carreira profissional, é colaborador regular deste blogue e vive, feliz, na cidade da Amadora. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

3 828 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa vão conviver em Oleiros|

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, na «foto de família»
do encontro de 2014, em Valongo, organizado pelo (1º. cabo) José Beato. Segui-
ram-se os de furriéis: Salvaterra de Magos (Guedes) e Guimarães (Ferreira)


Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, da 2ª. CCAV.
8423: Soares, Abrantes, Martins, Mendes e Teodósio


Os Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, vão organizar o 17º. encontro de convívio, marcado para 30 de Setembro, em Oleiros.
A concentração nesta linda e histórica vila do distrito de Castelo Branco - recentemente devastada pelo drama dos incêndios florestais - está marcada para as 10 horas, no jardim municipal. O almoço será no restaurante Callum, do Hotel de Santa Margarida.
Qualquer dúvida poderá ser desfeita
Mário Mendes 
de Almeida
junto do organizador local: o (soldado atirador) Mário Mendes de Almeida, através do telefone 965194696. As inscrições podem ser feitas através do mordomo-mor, o (1º. cabo) José Maria Beato, até ao dia 11 de Setembro e através dos números 224221948 e 963573376. 

Comandante em
Sanza Pombo

A 20 de Julho de 1974, o comandante Carlos Almeida e Brito, do BCAV. 84233, deslocou-se a Sanza Pombo, onde estava aquartelada o BCAV. 8324. Em tarefas de natureza operacional.
A escolta foi assegurada por um grupo do PELREC e, pessoalmente, lá tive o prazer de encontrar um conterrâneo - Higino Pires dos Reis, civil e agora já falecido, que era funcionário do Ministério da Agricultura.
Os dias uíjanos iam tranquilos. O comandante Almeida e Brito dinamizava «con-
tactos com elementos IN, com vista a uma tentativa da sua apresentação no contexto da actual política». E com as populações locais (nos povos/sanzalas), autoridades tradicionais, comerciantes e fazendeiros - estes, os principais dinamizadores da economia local.
Mário Almeida,
condutor de Zalala


Almeida da 1ª. CCAV.,
65 anos em Espinho!


Almeida foi Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e faz hoje 65 anos. Dia 20 de Julho de 2017.
Mário Pereira de Almeida foi soldado condutor e era natural de Espinho, onde regressou. Por alguma razão não voltou a Portugal com o BCAV. 8423 (não consta das listas de embarque de nenhuma das 4 Companhias) mas sabemos que mora(rá) em Espinho. Parabéns para ele!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

3 827 - Evacuações de angolanos do norte de Luanda para Carmona!

Cavaleiros do Norte da CCS. À direita, de pé, o condutor Vicente Alves. Em
baixo, o sapador José Coelho (?), o 1º. cabo João Monteiro (Gasolinas) e o
condutor Delfim ESerra. E os outros, quem os identifica?


Cavaleiros do Norte de Zalala: o soldado Santos ladeado
pelos furriéis milicianos António Nascimento (à esquer-
da) e Jorge Barreto. Em 1974!

Os dias de Carmona, por este tempo de 1975 - há 42 anos!... -, foram tempo de visita de Daniel Chipenda, que, com os seus colaboradores, «comandam os trabalhadores dos cafezais na colheita». Era tempo da colheita e o Uíge era «a capital do café».
Os acontecimentos das semanas an-
teriores (desde a primeira de Junho e dos, então, trágicos incidentes ocor-
ridos) precipitaram a fuga de muitos trabalhadores para as suas terras
Daniel Chipenda, à esquerda, esteve em Carmona, na
apanha do café, há precisamente 42 anos
(principalmente bailundos) 
e faltava mão de obra para as colheitas. 
Receava-se que estas não passassem dos 45% das 220 000 toneladas de 1974.
O Diário de Lisboa apontava «o mau tempo, a agitação local no domínio do trabalho e a falta de mão de obra nas plantações» como causas dessa diminuição da produção.
Daniel Chipenda era, nessa altura, se-
cretário geral adjunto da FNLA e avis-
tou-se «com naturais de Angola fugi-
Notícia do Diario de Lisboa de 18/07/1975 sobre
a visita de Daniel Chipenda a Carmona
dos às lutas de Luanda e prometeu-lhes auxílio do movimento para o seu realojamento». Calculava-se que a Força Aérea Portuguesa
tenha «evacuado centenas de angolanos do Norte, de Luanda para Carmona» - onde, não esqueçamos, «dominava» a FNLA, depois dos combates de 1 a 6 de Junho.

Holden Roberto no Zaire,
não em Angola

A FNLA, a 18 de Julho de 1975, divulgou um comunicado a negar a presença do presidente Holden Roberto no interior de Angola».
«Todos os que quiserem reencontrar o dirigente da FNLA podem fazê-lo na sede do partido, em Kinshasa», frisava o comunicada, sublinhando também que «a FNLA rejeitará qualquer tentativa de apaziguamento da tensão em Luanda, pela intervenção de forças internacionais de manutenção da paz» e opor-se-á a «qualquer tentativa de intervenção de Portugal».
Curiosamente, mas em data que a memória já não consegue precisar, correu por Carmona o boato de que Holden Roberto estava na cidade. Nesta altura, ou noutra? Alguns Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 garantiam tê-lo visto.


A Fazenda Santa Isabel, no dia da chegada da 3ª. CCAV.
8423 -a 11 de Junho de 1974
Botelho de Santa Isabel 
morreu há 24 anos

O Botelho foi Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, e faria 65 anos a 19 de Julho de 2017.
Ricardo da Conceição Botelho foi soldado de transmissões da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. Ao lugar de Afonseiro, na freguesia de Azinheira do Barros, no concelho do Montijo, onde já residia e onde se fixou. Faleceu há 24 anos - a 19 de Julho de 1993.
Hoje, quando atingiria os 65 anos, o recordamos com saudade. RIP!!!

terça-feira, 18 de julho de 2017

3 826 - Forças Integradas com galões e divisas; CART. 6322 no BCAV. 8423!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos furriéis milicianos: José Ade-
lino Lopes Querido (que hoje festeja 65 anos), Victor Guedes (falecido a 16
de Abril de 1998, de doença e em Lisboa) António Fernandes, Agostinho
Belo (de óculos) e Ângelo Rabiço


Forças Militares Mistas / Forças Integradas, instruídas
pelo BCAV. 8423, aqui na parada do BC12, em Carmona

O dia 18 de Julho de 1975 - há precisa-
mente 42 anos! -assinalou o fim do pe-
ríodo de prevenção simples da guarni-
ção militar portuguesa em Carmona. Sinal de que as «coisas» melhoravam na capital do Uíge. Começara no dia 12 imediatamente anterior.
Outro importante registo do dia foi o da
Vicente Alves, condutor da
 CCS, que a 14 de Julho de
2017 fez 65 anos
«entrega de galões e divisas» aos graduados da Companhia das Forças Integradas - que desde há várias semanas vinham a ter instrução dos quadros do BCAV. 8423 - no BC12.
O Livro da Unidade refere que se procurou «valorizar aqueles que irão ser os pilares do Exército Angolano» e que se aproveitou a oportunidade de comemorar o Dia da Cavalaria e, relativamente aos quadros das Forças Integradas «explorar os deveres militares e as responsabilidades dos chefes, em acção orientadora destes elementos». Elementos que, e continuamos a citar o Livro da Unidade, «embora desejando fazer algo por Angola, se sentem submergir e a deixar de ver a aceitação e autoridade que se pretendeu imprimir-lhe».
O Dia da Cavalaria comemorou-se «com a maior singeleza», sendo celebrada missa na capela da unidade, com presença do brigadeiro e Chefe do Estado Maior do Comando Territorial de Carmona, e uma mensagem publicada na Ordem de Serviço do Dia.
Fazenda Luísa Maria no tempo da CART. 6322/COTI 2,
em período imediatamente antes do BCAV. 8423 

A CART. 6322
no BCAV. 8423 

Outro acontecimento do dia, mas de um ano antes (em 1974) foi a passagem  da 1ª. CART. do BART 6322/COTI 2 à «de-
pendência operacional do BCAV. 8423».
O Batalhão de Artilharia 6322 foi formado em Évora, no RAL 3 e com a divisa «Honra e Glória». Desembarcou em Luanda, nos dias 20 (CCS), 21 (1ª. CART.), 24 (2ª. CART.) e 27 de Novembro de 1973 (2ª. CART.) e cumpriu missões em Camabatela, Quiculungo e Fazenda Luísa Maria (ZA do BCAV. 8423), M´Pupa, Balalongo e Chitembo, entre outros destinos de intervenção. Integrava o Comando Operacional de Tropas de Intervenção (COTI) e regressou a Portugal no dia 28 de Março de 1975.
A CART. 6322, segundo o Livro da Unidade (do BCAV. 8423), «continuou a trabalhar a área dos «quartéis» de Camabatela e Quiculungo», o que, sublinha o mesmo LU, «completa o esforço operacional do Subsector em procurar actuar sobre todos os refúgios da ZA».
A 28 de Julho de 1974, «foi retirada do Subsector». Desconhecemos o destino.
Picada de Zalala. Os furriéis milicianos Dias (mecânico) e
Queirós, à frente, e o alferes Sampaio (atrás e à esquerda)

Picadas de Zalala,
a Estrada do Café

Uma das actividades dos Cavaleiros do Norte, entre outras, foi a de, sempre que solicitados, proteger as brigadas de trabalho da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA).
Tal aconteceu com muita frequência nos primeiros meses da jornada angolana do Uíge, particularmente em obras de requalificação da Estrada do Café - que liga(va) Luanda a Carmona.
Há precisamente 43 anos, «prosseguiam os trabalhos» no troço entre Vista Alegre e Ponte do Dange». A 18 de Julho de 1974, «iniciaram-se trabalhos de reparação do itinerário para Zalala» - a partir do Quitexe.
José Querido

Querido faz 65 
anos em Odivelas

O furriel miliciano José Querido, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, festeja 65 anos a 18 de Julho de 2017.
José Adelino Borges Querido foi atirador de Cavalaria e regressou a Portugal, no final da comissão angolana, no dia 11 de Setembro de 1975. A Benfica, em Lisboa, onde residia - na rua Actriz Maria Matos. Fez vida como funcionário público e comerciante, radicando-se em Odivelas. 
Para lá vai o nosso abraço de parabéns! 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

3 825 - O 17 de Julho de 1974; mais tropa de Lisboa para Luanda!

O alferes miliciano D. Carvalho de Sousa com os furriéis João Brejo, António
Guedes e Mário Matos, Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, de A. Viçosa.
Há 43 anos, com o seu grupo de combate, foi em diligência para Carmona

O José Novo e o 1º. cabo «cripto» Deus, que amanhã faz
65 anos, em Lisboa. Aqui, na pista do Quitexe, em 1975



A 17 de Julho de 1974, o grupo de com-
bate comandado pelo alferes miliciano Domingos Carvalho de Sousa rodou de Aldeia Viçosa para Carmona.
O objectivo deste grupo da 2ª. CCAV. 8423, em diligência no Comando do Sector do Uíge, foi fazer «patrulha-
mentos na área suburbana» da cidade capital do Uíge.
O 1º. sargento Norte e os alferes Carvalho de Sousa e João
Machado, que há 43 anos comandava o grupo de combate
aquartelado na Fazenda Luísa Maria
O dia 17 de Julho de 1974, em termos de BCAV. 8423, teve outras incidências:
1 - O comandante Almeida e Brito esteve  no Comando do Sector do Uíge, onde foram «estabelecidos contactos opera-
cionais» - tal qual a 14 e depois a 31 de Julho.
2 - Terminou a Operação Turbilhão (ini-
ciada em data desconhecida), com ac-ções «viradas para as «centrais» de Mungage e Negage e os «quartéis» Al-
deia e Tabi, sendo, por ora, abandona-
CCAÇ 4145, de Vista Alegre: Furriéis Freitas e Cerqueira,
capitão Raúl Corte Real e 1º. sargento Sobreiro 
da a «central» de Nova Caipemba, co-
brindo-se, assim, locais de toda a ZA».
3 - As Zonas de Acção (ZA) de Luísa Maria (onde estava o Grupo de Combate do alferes João Machado, da 2ª. CCAV.) e Vista Alegre (a CCAÇ. 4145, do capitão Raúl Corte-Real) retornaram à «respon-
sabilidade operacional do BCAV. 8423»

16 mortos em Luanda,
entre MPLA e FNLA

A imprensa angolana do dia não fez chegar boas notícias ao Quitexe. Na verdade,  na noite de 15 para 16 de Julho (a véspera), «voltaram  registar-se sangrentos incidentes nos bairros periféricos de Luanda, os quais provocaram vais 10 mortos e vários feridos».
Um comunicado do Comunicado-Chefe das Forças Armadas actualizou os da-
dos: 16 mortos, 63 feridos e 11 prisões pelo Exército. O mesmo comunicado sublinhava que «as mortes provém de desordens entre africanos, muitos deles militantes do MPLA e da FNLA, segundo afirmam muitos moradores dos musseques».
Várias patrulhas militares foram flageladas com tiros e detido o condutor de uma viatura proveniente do Comando da Zona Militar Leste «contendo material de guerra, num bairro suburbano».
Notícia da última página do Diário de Lisboa de 17
 de Julho de 1975: «Foram enviadas mais tropas de
 Lisboa para Luanda» 


MPLA «expulsou»
FNLA de Luanda

Um ano depois, e segundo o Diário de Lisboa, «o MPLA continua a controlar esta capital, após os combates que se registaram ente as FAPLA e o ELNA» - o exército da FNLA.
A capital era Luanda, onde «continuam a chegar inúmeros refugiados», depois de na véspera se ter iniciado uma ponte aérea para Lisboa.
De Lisboa, foram uma companhia de comandos, outra de caçadores e outra de fuzileiros, para «reforçar as que aqui estavam estacionadas».
A «grande incógnita» do dia era, para o Diário de Lisboa, «saber o que vai fazer a FNLA, depois de ter sido praticamente expulsa» de Luanda.
Manuel Deus, 1º.
cabo «cripto»

Deus faz 65 anos
em Lisboa

Deus, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, faz amanhã 65 anos, em Lisboa.
Manuel Ramos Deus, de seu nome completo, foi 1º. cabo operador-cripto e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. Ao Cardal da Graça, em Lisboa, onde então residia.
Aposentado, dedica-se ao lazer cicloturístico e é participante habitual dos en-
contros dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel - a 3ª. CCAV. 8423. Parabéns pelo dia de amanhã!