terça-feira, 23 de maio de 2017

3 771 - A emboscada que não foi, os 11 mortos que não foram...

Futebol no Quitexe: 1ºs. cabos Fernando Grácio, José Gomes e Miguel Teixeira, Jorge Botelho, Miguel
Santos (furriel paraquedista), Américo Gaiteiro e 1º. cabo Fernando Soares. Em baixo, NN, furriéis Luís
Mosteias e António Lopes, NN, furriel José Monteiro e 1º. cabo Domingos Teixeira. Quem identifica os NN´s

Alferes milicianos à porta da messe de oficiais do
Quitexe: Pedrosa de Oliveira, Jaime Ribeiro, António
Cruz, António Garcia e José Hermida


A partida dos Cavaleiros do Norte es-
tava iminente, estávamos a 23 de maio de 1974 (seria a 27 e passou para 29) e tudo o que era notícia de Angola nos interessava. Nesse dia, uma nota das Forças Armadas Portuguesas «desmentiu categoricamente» um comunicado do MPLA, segundo o qual as nossas forças teriam sofrido uma emboscada do (mesmo) MPLA em Cabinda, com «11 mortos e 12 feridos».
Desmentido das Forças Armadas Portuguesas
foi notícia no Diário de Lisboa de há 43 anos
«Desde o 25 de Abril, as nossas forças tiveram apenas alguns (poucos) feridos (...), em resultado do accionamento de minas anti-pessoal em três ocasiões diferentes», sublinhava o comunicado das Forças Armadas Portuguesas.
Era para esta Angola que iam partir os Cavaleiros do Norte e nessa noite de há 43 anos lembro que, feitas as palavras cruzadas do Diário de Lisboa (onde lemos a notícia), adormeci a pensar nas contingências que nos esperavam.
Um outro comunicado, este do Serviço de Informação Pública da Forças Armadas, dava conta de mais uma norte em combate e em Angola: a do soldado Domingos Manuel Chilingano, do recrutamento local e natural de Malanje.
A situação na Guiné, cujo processo de independência estava mais avançado (o PAIGC já recebia os embaixadores da URSS, Argélia, República da Guiné, Jugoslávia e Roménia, seguindo um comunicado das Forças Armadas Portuguesas) era mais dramática: 6 miliyares portugueses mortos, entre 1 e 15 de Maio desse ano de 1974.
O BC12, em Carmona, onde se aquartelava o BCAV. 8423,
na estrada para o Songo e visto do lado desta cidade uíjana

Cavaleiros do Norte
em alerta uíjano...

Um ano depois, pelas bandas do Uíge, os Cavaleiros do Norte estavam cada vez mais «avisados» da iminente probabilidade de os repetidos incidentes locais se multiplicarem e agravarem. De, afinal, serem extensão das confrontações que se registavam um pouco por todo o território angolano e principalmente em Luanda.
As «permanentes quezílias entre os movimentos» tendiam  a aumentar, na verdade, e as precauções dos Cavaleiros do Norte ganharam dimensão mais intensa, permanente, de dia e de noite, na cidade de Carmona e outras zonas urbanas do Uíge - no Songo onde se aquartelava a 1ª. CCAV. 8423, no Quitexe onde ainda estava a 1ª. CCAV. 8423, ou no Negage, da CCAÇ. 4741 e em Sanza Pombo, onde estava a BCAÇ. 4911 (antes de rodada para o Negage).
Mal imaginávamos o que iria rebentar na madrugada de 1 de Junho seguinte.

Manuel Augusto Nunes, o Ama-
rante, em imagem dos seus últimos
tempos de vida

A morte do sapador
Nunes, o Amarante!

O soldado Nunes, o Amarante, faleceu há 17 anos, vítima de doença - a 24 de Maio de 2000.
Manuel Augusto Gomes, de seu nome completo e popularmente conhecido pelo nome da sua cidade natal, integrou o Pelotão de Sapadores da CCS dos Cavaleiros do Norte - dele sendo um dos mais irreverentes e, até, contestatários.
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, cumprida a comissão para que fora mobilizado, fi-
xando-se na Estradinha, em Telões (Amarante), de onde era. Sabemos que se consorciou com uma senhora relativamente mais velha e que não teve filhos. Morreu de doença, aos 48 anos - que tinha feito a 6 de Fevereiro de 1952.
Recordamo-lo com saudade, fazendo memória de um companheiro da nossa jornada africana de Angola.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

3 770 - A ordem que se deseja(va) no Uíge, grande manifestação em Luanda!

Alberto Ferreira, que amanhã faz 65 anos em Almada, 1º. cabo João Pinto,
Francisco Madaleno e João Marcos. Quarteto de Cavaleiros do Norte do
PELREC, da CCS dos Cavaleiros do Norte, no Quitexe!
Augusto Hipólito, 1º. cabo que amanhã faz 65 anos (em
 França), furriel Monteiro e 1º. cabo Joaquim Almeida (fa-
lecido a 28/02/2009, de doença e em Penamacor)

A 22 de Maio de 1975, em Luanda, «uma manifestação gigantesca» decorreu junto ao Cinema Império.
As repartições públicas, comércio e in-
dústria da cidade fecharam «em grande número» e, felizmente, «ao contrário do que se receava, não se registaram reen-
contros nem outros incidentes com a FNLA e as suas forças armadas».
Augusto Hipólito e familiares, em terras de França
A manifestação foi promovida pela União Nacional dos Trabalhadores de Angola (UNTA), afecta ao MPLA. 
Onde se registaram incidentes, na noite de 20 para 21 de Maio, foi perto do porto do Lobito, entre forças da FNLA e da UNITA. A situação «foi normalizada, tendo o Exército Português desempe-
nhado um papel de moderador». Não se registaram vítimas, mas viatura de ambos os  movimentos aparecerem crivadas de balas.
Os Cavaleiros do Norte, em Carmona e no Uíge, prosseguiam a sua missão de apaziguamento de ânimos e garantia de paz (cada vez mais difícil) e da segurança de pessoas e bens.
A este tempo de há 42 anos, lê-se no Livro da Unidade, «foi o período onde, fraca e verdadeiramente, se verificou a viragem das nossas possibilidades de manutenção de uma ordem que se deseja e que se impõe seja conseguida».
Augusto Hipólito na sua horta francesa

Hipólito em França,
a fazer 65 anos

O Hipólito foi 1º. cabo da CCS dos cavaleiros do Norte do Quitexe. A 23 de Maio de 1975 e já em Carmona comemorou 23 anos.
Augusto de Sousa Hipólito foi 1º. cabo de Reconhecimento e Informação, integrado no PELREC e nele se afirmando como militar garboso e cumpridor, companheiro de «1ª. água». Transmontano de Vinhais, tinha «migrado» para a Azinhaga da Flamenga, na freguesia de Marvila, em Lisboa. Lá regressou a 8 de Setembro de 1975 e, entretanto, emigrou para França. Mora e trabalha em Reims, desde 1978 e na área da construção civil.
Amanhã, dia 23 de Maio de 2017, é lá que festeja 65 anos, junto da família - esposa, filhos e netos. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!
Alberto Ferreira (que amanhã faz 65 anos) e o 1º. cabo
Rodolfo Tomás, Cavaleiros do Norte do Quitexe

Ferreira do PELREC,
65 anos em Almada !

O Alberto dos Santos Ferreira foi solda-
do atirador de Cavalaria do PELREC. Faz 65 anos a 23 de Maio de 2017.
Atirador e não só, pois prestou excelen-
tes serviços como quarteleiro do depó-
sito de géneros, o que lhe valeu louvor do comandante António Oliveira. «Desempenhou as funções com muito acerto, honestidade e maior boa vonta-
de, de forma que nas conferências mensais de armazém, nunca fora notadas quaisquer anomalias, pelo que se torna inteiramente merecedor da confiança nele depositada», sublinha o louvor, publicado na Ordem de Serviço nº. 163.
Regressou à Sobreda da Caparica, em Almada, e lá mora, já aposentado da área da construção civil. Parabéns!

domingo, 21 de maio de 2017

3 769 - Forças Mistas no Uíge, o encontro da CCS no RC4!

Cavaleiros do Norte da CCS na messe do Quitexe: furriéis milicianos Cân-
dido Pires, Victor Velez (encoberto), Miguel, NN (tapado), Cruz (de óculos)
e Machado. Atrás e de pé, o soldado Carlos Lages (do bar). À direita, Gra-
ciano, José Pires, Viegas, Neto (de óculos), Mosteias e Rocha, 1º.s sargentos
José Luzia e Joaquim Aires. De pé, o Rebelo




O Diário de Lisboa de 21/05/1975 com
imagens dos incidentes de Angola

A 21 de Maio de 1975, foi tempo de, por Angola, se saber de «uma impressionante sequência fotográfica» publicada pelo Diário de 
Lisboa, mostrando «corpos de 
vítimas dos últimos massacres de Luanda removidos da via pública, onde os postrou o tiroteio generalizado».
A qualidade da imagem do jornal (aqui reproduzida ao lado) não é, infelizmente, a melhor, mas dá para perceber a gravidade dos incidentes da capital de Angola. «Na altura em  que se avizinha a Cimeira entre os três movimentos de libertação, pesada de um contencioso cujo desfecho interessa sobremaneira aos próprios destinos da revolução portuguesa,  imagem fica com uma severa advertência: o imperialismo não desarma», reportava o Diário de Lisboa.
Carmona e o Uíge, a esse tempo, continuavam marcadas pelos incidentes entre os movimentos emancipalistas, embora com as NT a «procurar incrementar as forças mistas e as suas actividades». 
«É nesta realidade que decorre(u) o mês, havendo que considerar que foi o período em que, franca e verdadeiramente, se verificou a viragem das nossas possibilidades de manutenção de uma ordem que se deseja e que se impõe seja conseguida», relata o Livro da Unidade, referindo-se ao mês de Maio de 1975.


Um conterrâneo
morto em Angola

Um ano antes, os Cavaleiros do Norte continuavam a contar dias do calendário, até ao 27 de Maio que era o previsto para a partida da CCS para Angola. 
Um má notícia se soube, nessa terça-feira de há 43 anos,  tendo a ver com os furriéis Viegas e Francisco Neto: a morte, em  combate, de um seu conterrâneo de Águeda, o 1º. cabo José Augusto Machado da Costa, natural da Trofa. Viúva, deixou Maria Madalena Pereira Martins e era filho de Manuel Joaquim da Costa e de Gracinda Cerqueira Machado - naturais e residentes nesta freguesia do concelho de Águeda. 
Não o conhecíamos, nem sequer a família directa, mas estas dores eram de to-dos, estes lutos que se viviam eram dramas de muitas famílias e de muitos jovens que tinham crescido e galgado a sua infância e juventude com o estigma da guerra. E aí estava ela, na sua expressão mais dramática e trágica, mais cruel: a morte!!!


Encontro da CCS
2017 é no RC4

O encontro da CCS dos Cavaleiros do Norte está marcado para o dia 3 de Junho de 2017 e será no RC4, em Santa Margarida - a unidade mobilizadora do BCAV. 8423.
O Jornal de Notícias, do Porto e na sua edição de ontem, publicava a notícia e indicava os contactos do organizador, o condutor Vicente José Alves, de Vila de Rei: telefone 274898456 (casa) telemóvel 937350194. 

sábado, 20 de maio de 2017

3 768 - O furriel João Rito em imagem pós-Cavaleiros do Norte!

Cavaleiros do Norte em Aldeia Viçosa: o capitão José Manuel Cruz, o tenen-
te-coronel Almeida e Brito (comandante do BCAV. 8423),  milicianos alferes
 João Machado e Jorge Capela e furriel José Fernando Melo. Companhei-
ros do infelizmente já desaparecido furriel mil João Correia Marques Rito!

O furriel miliciano João Correia Marques
Rito, dos Cavaleiros do Norte de Zalala,
falecido há 9 anos - a 17 de Maio de 2008!


O furriel miliciano João Correia Marques Rito foi Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e aqui o recordámos/evocámos no dia de se passarem 9 anos da sua trágica morte - que aconteceu a 17 de Maio de 2008. 
Hoje, em momento de saudade e de emoção, podemos recordar a sua imagem física, já posterior, porém, ao seu e nosso tempo de jornada africana do Uíge angolano.
O Rito era de Salgueira, terra da Freixianda de Vila Nova de Ourém. E lá voltou, por lá fazendo vida, celibatário por opção (embora se lhe reconheçam algumas paixões), trabalhando na área das resinas.

Rito do Casege 
para Vista Alegre

A comissão angolana de serviço levou João 
Cassete com registo de repeniques, sinais e
outros toques de sino da Igreja da aldeia
do furriel Viegas, levada para Angola
Carlos Marques Rito a Casage, como quadro da 1ª. CCAÇ. do Batalhão de Caçadores 4617. 
As contingênicas da sua jornada angolana fizeram que rodasse para a 1ª. CCAV. 8423, onde chegou em Dezembro de 1974 - já os Cavaleiros do Norte de Zalala então se aquartelavam em Vista Alegr e Ponte do Dange.
A 17 de Maio de 2008, em circunstâncias que não são bem conhecidas, o seu cadáver apareceu abandonado numa estrada de Albergaria dos Doze - ainda hoje não se sabendo se ali foi atropelado e não assistido, ou se, morto noutro lado, ali foi deixado por quem (sabe-se lá quem...) o terá vitimado. Nunca se saberá!
O blogue Cavaleiros do Norte curva-se ante a sua memória e hoje, com a colaboração de familiares próximos, edita a sua imagem conhecida mais recente. Paz à dua alma! RIP!!!
Os furriéis milicianos Viegas (à direita) e Monteiro a
gravar cassetes com fartas promessas de paixão eter-
na para a namorada deste, a Nani! No quarto da Casa
dos Furriéis do Quitexe. Repare-se na decoração!

As vésperas do dia
da ida para Angola

Há 43 anos, o dia da partida para Angola estava cada vez mais próximo e, sendo domingo, gravei a 19 de Maio desse ano de 1974 e num (agora) velho rádio-gravador que ainda tenho (já inoperacional), o sim dos sinos da igreja da minha aldeia - aqui mesmo ao lado da casa onde resido (como então).
Gravei o sinais de chamamento para a missa, os toques intermédios de chamada e repenique de santos. Depois, o repenique do meio dia e as trindades da noite. Dias antes, tinha gravado os sinais de um funeral. Bem útil viria a ser ouvir estes toques de Igreja no tempo em que cumpri a jornada africana do Uíge angolano. No plano emocional e psicológico. Ouvi-los, de olhos fechados, deitado e de cabeça pousada sobre as mãos espaldadas, era como se estivesse aqui, em casa, na minha aldeia e a sentir os cheiros dos chãos da minha vida!
- «A cassete, os repeniques e os 
toques de finados». - Ver AQUI
O comunicado do Serviço de Informação
Pública das Forças Armadas, a 20/05/1974


1974: mais três
mortos em Angola

O Serviço de Informação Pública das Forças Armadas, em comunicado conhecido a 20 de Maio de 1974, dava nota de mais 3 militares mortos em Angola, em combate: o 1º. cabo José Augusto Castro Alexandre (natural da Sé Nova, em Coimbra, que deixou viúva Maria da Anunciação Dâmaso) e os soldados José Fernando Ferreira da Rocha, de Sobrado (Valongo), e Bento Ribeiro (de Guimarães).
O comunicado também dava conta da morte de um militar em Moçambique (o soldado José Amaral de Sousa Alves, natural da Ribeira Seca, em S. Miguel, ilha dos Açores) e de outro na Guiné (o furriel miliciano José Fernando Felizberto Pinheiro, de Lisboa). 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

3 767 - O sacrifício do pequeno efectivo dos Cavaleiros do Norte no Uíge!

Cavaleiros do Norte de Zalala no Natal de 2016. De pé, Neves (Bolinhas), 
Pimenta (de barbas), Horácio Carneiro, Casimiro, Agra (Famalicão), Alves
(Pigbó), Carvalho, João Dias, Cast
ro Dias, Leirinha, Alfredo (Buraquinho, da 
CCS), Pinto e Joaquim Celestino (da CCS). Em baixo, Leal, Rodrigues,
Vilaça, Mota Viana, Queirós, Barreto e Ciclista. Falta o Maia (Padeiro)

Carmona: o edifício da antiga Zona Militar Norte (ZMN)
 é agora o Órgão de Justiça Militar do Uíge

A última quinzena de Maio de 1975, há precisamente 42 anos e pelas bandas do Uíge angolano, foi tempo de «manter-se o permanente patrulhamento dos centros urbanos e dos principais itinerários, especialmente em Carmona, considerada a área mais fulcral».
A FNLA estava em «maioria» na província uíjana - era mesmo o seu grande feudo militar!!!... - e insistia em repetidamente desconsiderar a posição das NT. 
O furriel A.  Rodrigues
nas traseiras da ZMN
Desconsiderar a posição das NT e os acordos 
que assumia com os comandos militares portugueses. Não raras vezes se registaram escaramuças que implicaram intervenções mais musculadas das patrulhas dos Cavaleiros do Norte que, «com sacrifício do pequeno efectivo existente», tinham de garantir a segurança de pessoas e bens - ainda que frequentemente insultadas e ameaçadas. 
«Sucede que o Uíge, a bem ou  mal, terá que ser a terra da FNLA e, consequentemente, não será bem aceite no seu solo qualquer outra opção política, donde resultam permanentes quezílias entre movimentos, as quais dia-a-dia vão tendendo a aumentar», lê-se no Livro da Unidade, fazendo memória dessa época da jornada africana dos Cavaleiros do Norte no Uíge angolano.
Os presidentes Holden Ro-
berto (FNLA), Agostimho
Neto (MPLA) e Jonas
Savimbi (UNITA)

Cimeira a 1 de Junho
e com os portugueses

A 19 de Maio de 1975 soube-se, ainda que sob forma de rumor - e rumores era o mais se ouvia por lá... -, que «a Cimeira entre os três movimentos de libertação de Angola deve(ria) realizar-se a 1 de Junho, em Luanda».
Um dos pormenores que os meios políticos luandinos mais consideravam como contribuinte de tal hipótese era o facto de o jornal «A Província de Angola», diário que se publicava em Luanda, afecto à FNLA, e como referia o Diário de Lisboa desse dia, «estar a anunciar desde há dias e com uma certa insistência, o regresso de Holden Roberto a Angola». 
Agotinho Neto, presidente do MPLA, considerava a cimeira como «necessária e o mais urgente possível», pois, como referiu, «apesar das diferenças ideológicas e metodológicas, é necessário ao interesse de Angola encontrar um compromisso viável para que o Governo de Transição funcione». E também considerava «absolutamente imprescindível» a participação portuguesa.
«Não posso conceber solução para os problemas angolanos sem o seu con-curso», disse Agostinho Neto, sublinhando que «a parte portuguesa detém a soberania do país e é parte do Governo de Transição».


Manuel Maia, o
Padeiro de Zalala
Rocha e Maia, 65 anos
na Maia e Figueira da Foz

A 19 de Maio de 1975, pelo menos três Cavaleiros do Norte festejaram os seus verdes 23 anos de então: o 1º. cabo Miguel, da CCS (de quem já aqui ontem falámos), o Maia de Zalala e o Rocha de Santa Isabel. 
Manuel Maia da Costa era soldado atirador de Cavalaria e por Zalala e Vista Alegre foi padeiro. É de Mandim, da Barca, na Maia, lá voltou a 9 de Setembro de 1975 e por lá faz vida como lacador - agora residente em Gonvim, em Castelo da Maia.
Manuel Reis da Rocha era soldado condutor e, morando em Arneiros de Fora, freguesia de Maiorca, na Figueira da Foz, lá reside, lá regressou a 11 de Setembro de 1975 e dele nada mais sabemos.
Ambos em festa dos 65 anos, neste dia 19 de Maio de 2017, para ambos vai o nosso abraço de parabéns. E que a data, feliz, se repita por muitos e bons anos.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

3 766 - Os dias da partida e o êxodo de europeus para Lisboa

Cavaleiros do Norte no Quitexe, «atiradores» da secretaria da CCS: furriéis
milicianos José Monteiro e Francisco Dias e 1º.s cabos Miguel Soares Tei-
xeira (que amanhã faz 65 anos), Vieira (Vasquinho) e, em baixo, João Pires
A secretaria da CCS, vista da Estrada do Café. A
casa, ao fundo, era de Abílio. Ao lado esquerdo,
geminada, ficava a Casa do Furriéis



O dia 18 de Maio de 1974, um sábado, foi tempo de férias dos futuros Cavaleiros do Norte dio BCAV. 8423, na vésperas chegados a suas casas, chegados de Santa Margarida e já todos vacinados contra as doenças tropicais que poderiam fragilizar as sua saúde por terras de Angola.
A partida da CCS estava marcada para o dias 27 e faziam-se as despedidas: da família, das namoradas, dos amigos. Nos três dias seguintes, partiriam as 3 companhias operacionais: a 1ª. CCAV. 8423, a do capitão Davide Castro Dias (que se instalaria 
O que, em data desconhecida, restou do edifício
do Comando do BCA. 8423, no Quitexe!
em Zalala), a 2ª. CCAV., do capitão José Manuel Cruz (em Aldeia Viçosa) e a 3ª. CCAV., a do capitão José Paulo Fernandes (a de Santa Isabel). Todas as partidas seriam adiadas por dois dias.

Desconfianças no Uíge
e o êxodo para Lisboa!

Um ano depois, a cidade de Carmona e o Uíge continuavam a «calma fictícia» de que já por aqui falámos. A guarnição dos  Cavaleiros do Norte, e citamos o Livro da Unidade, «não esmorecendo, expondo os seus problemas mas cumprindo, começou a verificar-se desautorizada e alvo de atropelos, o que levou a publicamente se afirmar «viver-se numa ilha do mar da FNLA, com todos os inconvenientes que daí advém». 
E não eram poucos - os inconvenientes.
As suas actividades eram «mal aceites», quer pelos movimentos de libertação, quer pela comunidade civil. Mas, e de novo citamos o Livro da Unidade, «a mentalização antecedente, a coesão criada e a disciplina vivida vão levando de vencida tais situações e assim se foi cumprindo o pedido, não olhando aos factos negativos que lhe eram atribuídos, pela certeza da irrealidade e falsidade das afirmações».
A dia 18 de Maio de 1975, um domingo (hoje se passam 42 anos), Luanda assistia «um espectáculo verdadeiramente impressionante, com os europeus a saírem em massa».
«O êxodo assume proporções gigantescas», reportava o Diário de Lisboa, sublinhando que «enquanto nos primeiros 4 meses deste ano, saíram cerca de 5000 pessoas, na semana que findou abandonaram Angola, por via aérea, aproximadamente 4000 portugueses». Foi por esta altura que a Fátima Resende trouxe para Portugal um «encomenda» nossa, incluindo um gira-discos que ainda hoje «embeleza» a nossa sala de visitas.

Miguel e Almeida, dos 1ºs cabos da CCS do BCAV. 8423,
a saborearem um canhângulo, matando a sede angolana

Miguel Teixeira, 65 anos

na Senhora da Hora

O 1º. cabo Miguel está em festa dos maduros e bem vividos 65 anos, que comemora amanhã - dia 19 de Maio de 1975.
Miguel Soares Teixeira era 1º. cabo escri-
turário e prestou serviço na secretaria da CCS, para além de um «impedimento» na messe de oficiais. Natural de Ramalde, no Porto, lá regressou a 8 de Setembro de 1975. Fez carreira na área das artes gráficas e é companheiro activo dos encontros anuais da CCS.
O nosso abraço de parabéns vai «escriturado» para a Senhora da Hora, em vésperas de nos encontrarmos a 3 de Junho, no «nosso» RC4! Muitos mais e bons anos de vida, ó Miguel, de saúde e felicidade!


quarta-feira, 17 de maio de 2017

3 765 - A morte do furriel João Rito, dos Cavaleiros de Zalala!

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, em encontro recente: Alferes Capela,
Ramos, Carlos Manuel Versos Quaresma (que amanhã faz 65 anos, na Covi-
lhã), Ramos e Rocha (falecido a 9 de Maio de 2016). E o «bigodes» lá atrás?
Cavaleiros do Norte de Zalala: Amaral (Bolinhas), alferes
Lains dos Santos e furriéis Rodrigues e Mota Viana.
Mais atrás e de pé, vê-se o furriel João Dias

O furriel miliciano Rito, atirador de Cava-
laria da 1ª. CCAV. 8423, faleceu há preci-
samente 9 anos - a 17 de Maio de 2008.
João Carlos Marques Rito chegou a Zalala no mês de  Dezembro de 1974, rodado do Casage, no leste de Angola. Na prática, rendeu o Mota Viana, que a 23 de Outubtro do mesmo ano foi trans-
ferido de Zalala para Sanza Pombo, onde estava aquartelado o BCAV. 8324.
As míticas portas de Zalala, onde se aquartelou a 1ª.
CCAV. 8423, a que pertenceu o furriel João Rito,
falecido há 9 anos - a 17 de Maio de 2009! RIP!!!
O furriel miliciano João Rito era da 1ª. Companhia do Batalhão de Caçadores 4617, formado em Évora, e é originário do Salgueiral, na freguesia de Freixian-
da, no município de Vila Nova de Ourém (a que pertence Fátima).
Hoje mesmo soubemos do ano do faleci-
mento - foi em 2008, há 9 anos! - subsis-
tindo a dúvida das circunstâncias que o vitimaram. Aparentemente, segundo um familiar próximo, terá sido atropelado e abandonado na estrada. Outra versão, mais dramática, aponta para a probabilidade de ter falecido noutro local e sido levado para estrada, onde o cadáver foi encontrado. Em qualquer dos casos, uma morte trágica! Que, sem testemunhos oculares, nunca será explicada.
Era solteiro e tinha trabalhado na área das resinas. As 8 anos da sua morte, aqui o recordamos com saudade! RIP!!!
José Eduardo
dos Santos

Situaçao angolana,
há... 42 anos!!!

O dia 17 de Maio de 1975, um sábado, foi tempo de se saber, em Angola, da visita de José Eduardo dos Santos - o actual Presidente da República e então da Comissão Política do MPLA - chegar a Abidjanm capital da Costa do Marfim,  onde informou o presidente Houphouet Boigny da «situação e evolução do procesdo de independência».
«O MPLA desenvolve actualmemte todos os esforços para afastar o espectro da guerra civil», disse José Eduardo dos Santos, entretanto e nuima entrevista ao jornal «Le Soleil», de Dakar (de onde foi para Abidjan), acrescentando que o MPLA «tem a permanente preocupação de respeitar os acordos do Alvor e encontrar uma plataforma de acção com os outros movimentos» - a FNLA e a UNITA.
Carlos Manuel
Versos Quaresma



Quaresma de Aldeia

Viçosa faz 65 anos!

O atirador de Cavalaria Quaresma, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 65 anos a 18 de Maio de 2013.
Carlos Manuel Versos Quaresma, de seu nome completo, é natu-
ral (e lá reside) da freguesia de Ferro (no lugar de Monte Serrano), no concelho da Covilhã. Finda a comissão angolana, lá regressou (a 10 de Setembro de 1975) e lá comemora a bonita idade dos 65 anos! Para lá vai o nosso abraço de parabéns, com o desejo que aumente o número de anos, com boa saúde e melhor disposição! Está ele, de resto, em plena forma e é habitual frequentador dos encontros anuais dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel!



terça-feira, 16 de maio de 2017

3 764 - A morte do furriel Vitor Guedes e a Cimeira sem Portugal!

Furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel: António
Fernandes, Victor Guedes (que faleceu a 16 de Abril de 1998), Ângelo
Rabiço, José Querido e Agostinho Belo. À porta do bar A Cubata




Os furriéis José Querido, Victor Guedes e António
Fernandes na Fazenda Santa Isabel (3ª. CCAV. 8423)

O furriel miliciano Guedes, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, faleceu a 17 de Maio de 1998, de doença e em Sintra. Há precisamente 19 anos!
Victor Mateus Ribeiro Guedes era de S. Sebastião de Pedreira, em Lisboa, especializou-se em Armamento Pesado, serviu como atirador de Cavalaria e integrou o garboso grupo de Cavaleiros do Norte da fazenda uíjana. 
A Estrada do Café, em Aldeia Viçosa, de Luanda a
Carmona e vista do campo de jogos da 2ª. CCAV. 8423
O Guedes foi um bom e partilhante companheiro da jornada africana de Angola - como fôra já em Santa Marga-
rida, no período de formação opera-
cional do BCAV. 8423. Um compa-
nheiro sereno, de boa formação cívica, de palavras curtas e simples, afável e culto, garboso e partilhante, daqueles que não mais se esquecem. Que ficam na memória de sempre e para sempre.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!
Notícia sobre Angola na primeira página
do Diário de Lisboa de 15 de Maio de 1975

Situação em Angola, 
há 42 anos

Há 42 anos, a 16 de Maio de 1975, a situação em Angola continuava preocupante e Melo Antu-
nes, o então ministro português dos Negócios Estrangeiros, tinha-se deslocado a Luanda, onde admitiu que «pensar que a pacificação do caso de Angola pode ser assegurada sem uma intervenção decisiva das Forças Armadas Portuguesas é uma utopia».
Disse também que «não definiremos esquemas de independência», acrescen-
centando que «se enveredássemos por esse caminho, não só nos depararíamos com tremendas dificuldades políticas, como seria injusto e incorrecto».
Melo Antunes, na véspera e antes de regressar a Lisboa, confirmara a «não participação de Portugal na Cimeira» entre MPLA, FNLA e UNITA.

Ao tempo, continuavam «a registar-se incidentes esporádicos, nomeadamente devido a buscas, mas a situação mantém-se calma». O Diário de Lisboa de 15 de Maio desse ano (1975) publicava uma foto na primeira página (ver imagem) com a seguinte legenda: «Uma patrulha do Exército Português em acção de polícia num dos musseques de Luanda».
O Uíge e Carmona, onde se aquartelavam os Cavaleiros do Norte, continuavam de for dos noticiários, o que era bom sinal. Mas todos sabíamos - e disso nos avisava o comandante Almeida e Brito - que, mais dia menos dia, iríamos ter «macas». E assim foi. Não sabíamos há 42 anos, mas começaram na madrugada de 1 de Junho seguinte - que se farão dentro de duas semanas.

Joaquim A.
A. Rodrigues,

Rodrigues, TRMS de Aldeia
Viçosa, 65 anos em Camarate

O soldado TRMS Rodrigues, da 2osª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja hoje 65 anos.
Joaquim António de Almeida Rodrigues era residente (e ainda reside) em Camarate, concelho de Loures. De lá partiu a 31 de Maio de 1974 e lá voltou a 10 de Setembro de 1975 - depois da comissão angolana de serviço, que o levou a Aldeia Viçosa e depois à cidade de Carmona, no BC12 - passando, antes e depois, pelo Campo Militar do Grafanil, em Luanda.
É habitual participante dos encontros dos Cavaleiros do Norte da Companhia que foi comandada pelo capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto da Cruz. Parabéns e muitos mais e bons anos de vida!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

3 763 - A morte do alferes Meneses Alves e do 1º. cabo José Louro!

Cavaleiros do Norte, aparentemente ainda em Santa Margarida. O da esquer-
da, é o cozinheiro José Miguel Santos. É? E os outros, quem são eles? Alguém
ajuda a identificar estes companheiros da jornada africana do Uíge angolano?


Manuel Meneses Alves, alferes
miliciano atirador da 2ª. CCAV.
8423. Faleceu há 3 anos!

O dia 14 de Maio de está assinalado na memória dos Cavaleiros dos Norte pelo nascimento (em 1952) do futuro 1ºs. cabo José Louro. A 15, nasceram o sargento ajudante Luís Machado (1920) e o soldado sapador Brites (1952).
José Adriano Nunes Lopes foi sapador e regressou ao Casal do Pinheiro, na freguesia de Casais, em Tomar. Casou e teve um filho (1º. sargento do Exército). A doença «roubou-lhe» a esposa (cancerosa) e ele mes-
mo, pouco tempo depois - a 23 de Julho de 2008 -, de desgosto e com  a mesma doença igualmente incu-
rável (que lhe foi diagnosticada) optou pelo suicídio. 
José Adriano Nunes Louro, 1º.
cabo sapador da CCS. Nasceu
há 65 e faleceu há 9 anos!
Explicou a decisão num dramático e corajoso documento, que deixou escrito e nos foi contado pelo filho: «Para não sofrer, nem fazer sofrer a família».
A 15 de Maio de 2013, outra morte enlutou os Cavaleiros do Norte: a do alferes miliciano Meneses Alves, em 2013 e em Leiria - de onde era natural e onde residia, empre-
rio do sector das carnes. A doença incurável venceu-o, mas não sem que, antes (e por duas vezes), conhe-
cendo o seu destino, organizasse encontros de despedida da família e dos amigos. Ver AQUI.
Manuel Meneses Alves fez parte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa - para lá transferido em Fevereiro de 1975, ido de Cabinda, onde serviu na CCS do BCAÇ. 4519.
Notabilizou-se  a 13 de Abril desse ano, quando, já em Carmona, «durante uma manfestação não autorizada superiormente, na qual se verificou confronto entre elementos de movimentos emancipalistas, com uso de armas de fogo, na via pública, actuou de forma rápida, decidida e enérgica, não deixando dúvidas quanto à determinação do pequeno núcleo de tropa que comandava, com o que conseguiu a detenção de dois dos elementos em confronto e ainda, de imediato, ter feito abortar a referida manifestação» - como se lê no louvor do comando do BCAV. 8423.
Hoje, o recordamos com saudade! RIP!
Luís Ferreira Leite Machado,
sargento ajudante do BCAV. 8423.
Faria hoje 97 e morreu aos 80 anos!

Luís Machado, o nosso
sargento-ajudante

Luís Ferreira Leite Machado foi sargento ajudante dos Cavaleiros do Norte e, na secretaria do comando do BCAV. 8423, adjunto do tenente Luz.
Ao tempo com 54/55 anos, era o mais velho de todos os Cavaleiros do Norte e tinha algumas dificuldades de saúde e de audição - o que o «obrigava» a usar aparelho adequado. Privilegiava a discrição e culti-
vou sempre excelente relação com todos os furriéis milicianos, todos eles podendo ser seus filhos e que com ele partilhavam o dia-a-dia e os serviços do bar e da messe dos sargentos.
Hoje, dia 15 de Maio de 2017, faria 97 anos. Nasceu nesse dia do já distante 1920. Faleceu, vítima de doença, a 12 de Julho de 2000, aos 80 e em Évora - a sua cidade natal! RIP!

Brites, o sapador,
65 anos na Pesqueira

Baltazar Serafim Brites foi soldado do Pelotão de Sapadores da CCS do BCAV. 8423.
Natural de Serzedinho, em Ervedosa do Douro, concelho de S. João da Pesqueira, lá voltou a 8 de Setembro de 1975. Tem feito vida profissional na área da construção civil, numa grande empresa do sector, e hoje, dia 15 de Maio de 2017, festeja 65 anos. Parabéns!

domingo, 14 de maio de 2017

3 762 - A morte do atirador Albino Ferreira, atirador de Cavalaria do PELREC!

Quinteto de Cavaleiros do Norte do PELREC, no encontro de 2010, em
 Ferreira do Zêzere: Albino dos Anjos Ferreira (recentemente falecido), os
furriéis milicianos Viegas e Francisco Neto, e os soldados Francisco
António e Augusto Florêncio. Gente de garbo e muita coragem!

Alferes António Manuel Garcia e soldado
Manuel Leal da Silva: «PELREC´s»
que a morte  também já (nos levou!

O blogue abre hoje com uma notícia triste: a da morte do Albino Ferreira, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423.
Albino dos Anjos Ferreira foi 1º. cabo atirador de Cavalaria e assumiu, com muito garbo e enorme humildade, sempre disponível e colaborante, sempre bom companheiro, a sua (e nossa) jornada africana do uíjano angolano, onde integrou o inesquecível PELREC - o Pelotão de Reconhecimento (Serviço e Informação).
Os 1º. cabos Joaquim F. Almeida e Jorge Luís
Domingues Vicente, dois «PELREC´s» que
também já partiram e estão na nossa memória
Natural do Cardal, em Ferreira do Zêzere, lá regressou a 8 de Setembro de 1975. E de lá partiu para a zona de Lisboa, onde trabalhou na área da construção civil e, tanto quanto julgamos saber, ultimamente no sector dos automóveis usados.
A última vez que nos encontrámos foi no encontro de Ferreira do Zêzere, em 2010, no qual compareceu e participou com a alegria de sempre, muito bem apessoado, de fato e gravata a condizer, comungando a alegria de se partilhar com os companheiros da sua e da nossa saudade dos tempos da terra africana.
A morte surpreendeu-o num dia de Abril último (que não conseguimos apurar). Sabemos apenas, e sem pormenores, que foram difíceis os seus últimos anos de vida! De saúde e profissionais!
Recordamo-lo com saudade!
Alferes António
Manuel Garcia


Os lutos do PELREC
Alferes miliciano Garcia

O alferes miliciano António Manuel Garcia foi o primeiro Cavaleiro do Norte do PELREC a deixar-nos em luto e saudade!
Natural de Pombal de Ansiães, concelho de Carrazeda de Ansiães, comandou o PELREC e, transitoriamente, assumiu funções de Oficial de Operações. Foi louvado pelo comando da CCS, por  ser «possuidor de boas qualidades morais, humanas e militares»
Agente da Polícia Judiciária e faleceu num acidente de viação, em serviço e a 2 de Novembro de 1979 - quando investigava o chamado «Caso Ferreira Torres». Deixou viúva (Olga) e um filha, Marta Garcia Tracana.
Outros heróis do PELREC e da nossa saudade:
Joaquim Figueiredo
Almeida (1º. cabo)

1º. cabo  Almeida
de Penamacor 

Joaquim Figueiredo de Almeida, 1º. cabo atirador de Cavalaria e louvado por ser «militar cumpridor e consciente das suas res-
ponsabilidades, não descurando as suas funções operacio-
nais». Exerceu funções de padeiro e encarregado do refeitório dos praças da CCS, no Quitexe e em Carmona.
Natural de Pedrogão de S. Pedro, em Penamacor, lá regressou a 8 de Setembro de 1975. E por lá trabalhou na área da construção civil. Faleceu a 28 de Feve-
reiro de 2009, aos quase 59 anos (que faria a 5 de Dezembro seguinte, nascido em 1950), vítima de doença cancerosa, deixando viúva e dois filhos.
Jorge Luís Domingues
Vicente (1º. cabo)

1º. cabo Vicente
de Alcanena

Jorge Luís Domingues Vicente, 1º. cabo atirador de Cavalaria. Natural de Vila Moreira, em Alcanena, teve várias actividades profissionais ao longo da e faleceu a 21 de Janeiro de 1997, aos 45  anos e vítima de doença cancerosa, deixando viúva e duas filhas (tanto quanto julgamos saber).
Bom companheiro e militar disciplinado e disciplinador, sempre leal aos seus comandantes e colaborante activo do dia-a-dia, sempre muito disponível, foi grande entusiasta dos primeiros encontros da CCS.
Manuel Leal da
Silva (soldado)

Soldado Leal 
de Pombal

Manuel Leal da Silva, soldado atirador de Cavalaria, natural e residente em Caxaria, na freguesia do Carriço, em Pombal. 
Era o único «pelrec» já casado e pai - no tempo da jornada angolana. De uma menina já nascida e outra que crescia no ventre da mãe (grávida). 
Faleceu de doença súbita, a 18 de Junho de 2007, aos 55 anos, e deixou viúva, três filhos e vários netos, que, com genros e nora, apresentou, orgulhoso e feliz, aos Cavaleiros do Norte no encontro de 1996.
João Manuel Pires
Messejana
(soldado)

Soldado Messejana
de Lisboa

João Manuel Pires Messejana, soldado atirador de Cavalaria. Era natural do Alentejo (do litoral) e radicou-se em Lisboa (onde terá chegado a ser gente policial), ainda antes de ser incorporado no serviço militar. 
Faleceu de doença, a 27 de Novembro de 2009, aos 57 anos e depois de uma vida enlutada de alguns dramas pessoais e de saúde.
Armando D. Gomes
(soldado)

Soldado Gomes

de Torres Vedras

Armando Domingos Gomes foi atirador de Cavalaria e natural de Á-dos-Cunhados, concelho de Torres Vedras.
Integrou o PELREC, sempre colaborando com os comandos directos, e regressou a Á-dos-Cunhados a 8 de Setembro de 1975. Nada mais sabemos dele, para além de que a morte o levou a 3 de Setembro de 1989.