sábado, 20 de janeiro de 2018

4 011 - Tempo de formação do BCAV. 8423 em terras de Santa Margarida!

Há 44 anos, tempo de formação do BCAV. 8423, quatro futuros furriéis mili-
cianos; Francisco Neto e Viegas (ambos de Águeda), Mário Matos (de Ana-
dia) e  José Monteiro (de Marco de Canaveses)
Cavaleiros do Norte do PELREC, infelizmente já falecidos:
Joaquim Almeida (a 28/02/2009, em Penamacor) e Jorge
 Vicente (a 21/01/1997, em Vila Moreira), ambos 1ºs.
cabo atiradores de Cavalaria e ambos por doença



O dia 20 de Janeiro de 1974 foi dia de instrução operacional dos futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, por terras de Santa Margarida. 
 O Batalhão estava em formação, já mobilizado para Angola, e era tempo de preparação, na Escola de Recrutas, para as duras tarefas que o esperavam por terras africanas principalmente da parte dos homens que seria os futuros 
A vila do Quitexe, vista da Igreja de Santa Maria de
Deus. À direita, mais clara, a cobertura da Casa do Fur-
riéis, a seguir à xitaca
atiradores de Cavalaria. Quem se preparava para os mil perigos das picadas, das emboscadas, dos ataques do IN, das incertezas do dia-a-dia da jornada africana que (n)os levaria a Angola. Sabia-se já, por esse tempo de há 44 anos, que o BCAV. 8423 iria ser alvo de inspecções superiores e toda a gente caprichava em se mostrar bem preparada. Não se sabia quando seria, mas a primeira veio a acontecer no dia 23 de Janeiro de 1974, pelo coronel Magalhães Correa, da DAC. A segunda, no dia 31, pelo coronel Paixão, da Inspecção Geral de Educação Física. 
Os futuros Cavaleiros do Norte preparavam-se para a expectavelmente dura tarefa militar que os levaria (como levou) a Angola. A instrução era rigorosa, mas assumida com responsabilidade e sentido de missão. 
Três 1ºs. cabos do BCAV. 8423: Luciano Gomes,
Ezequiel Silvestre (que hoje faz 66 anos, pa-ra-

béns!!!...) e Victor Cunha (o Sacristão)

Silvestre, 1º. cabo, 66 
anos em Almada! 

 O 1º. cabo Silvestre, do PELREC da CCS e Cavaleiro do Norte do BCV. 8423, está hoje em festa, dia 20 de Janeiro de 2018: comemora 66 anos na Sobreda da Caparica. 
Ezequiel Maria Silvestre, de seu nome comple-
to, era atirador de Cavalaria e natural do Cercal do Alentejo mas, ao tempo, vivia no Laranjeiro, em Almada. Lá regressou no dia 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jornada afri-
cana do Uíge angolano. 
Actualmente e já reformado, fazendo uns biscates para compor o orçamento familiar, mora no Vale de Figueira, na Sobreda, em Almada, e tem sido com-
panheiro dos últimos encontros anuais da CCS. Para lá (para Vale de Figueira) vai nosso abraço de parabéns! 

Oliveira de Zalala,
 66 anos em Almeida! 

 O soldado condutor Almeida, da 1ª. CCAV. 8433, a de Zalala festeja 66 anos a 20 de Janeiro de 2018. 
Orlando Marques de Oliveira é da vila de Almeida (e por Almeida era conhecido, por de lá ser) e lá voltou a 9 de Setembro de 1975 - no final da comissão de serviço no norte de Angola. Fez carreira profissional na PSP e já está aposentado, fixando residência na terra da sua naturalidade.
Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

4 010 - Cavaleiros do Norte expectantes e Agostinho Neto no hospital!

Cavaleiros do Norte da CCS, todos 1ºs. cabos e em Luanda, em Agosto de
1975: João Estrela, António Medeiros (falecido a 10/04/2003, de doença e
no Porto), Miguel Teixeira, Damião Augusto das Neves Viana (que hoje faz
 66 anos em Fânzeres, Gondomar) e Vasco Vieira (Vasquinho)
Escriturários da CCS, todos 1ºs. cabos: Miguel Teixeira,
João Pires e Jorge Pinho (falecido a 19 de Abril de 1996,
no Porto e de doença)



Os Cavaleiros do Norte, há 43 anos, continuavam no Uíge e cada vez mais mais sós. O Liberato tinha fechado portas, também a Fazenda Luísa Maria e as míticas Fazendas de Zalala e Santa Isabel - onde se tinham aquartelado, respectivamente, a 1ª. CCAV. e a 3ª. CCAV. 8423.
Capitão Castro Dias
Capitão JP Fernandes
Os «zalala´s», comandados pelo capitão milici-
ano Davide Castro Dias, desde 25 de Novembro de 1974 que tinham rodado para Vista Alegre e Ponte do Dange. Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel e do capitão miliciano José Pau-
lo Fernandes estavam no Quitexe desde 10 de Dezembro, rodados da Fazenda Santa Isabel.
As consequências previsíveis do Acordo do Alvor continuavam na ordem do dia, é verdade, mas pouco alteravam o dia a dia da guarnição, embora expectabilizada quando ao desejado regresso
Agostinho Neto
a Portugal e às suas casas.

Agostinho Neto
no Santa Marta

O dia 19 de Janeiro de 1975 foi um domingo e dia de visita de Agostinho Neto, presidente do MPLA, ao Hospital de Santa Marta, em Lisboa - onde tinha sido médico em 1962, antes de, clandesti-
namente e segundo a versão oficial, assumir a direcção política do movimento.
«Vou-me embora amanhã, mas vou em condições muito mais favoráveis», dis-
se o líder do movimento, referindo que «é este o momento preciso para reafirmar as normas de uma luta ideológica que sirva o povo, sirva Angola e sirva África, numa palavra, sirva o mundo».
Damião Viana

Damião Viana, 66
anos em Fânzeres!

O 1º. cabo Viana foi escriturário da CCS do BCAV. 8423. Está hoje em festa: comemora 66 anos. Uma bonita e irrepetível idade.
Damião Augusto Neves Viana serviu os Cavaleiros do Norte no Qui-
texe e em Carmona, regressando a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975. A Valbom, em Gondomar, terra natal da sua então residên-
cia. Por lá fez vida, na área da ourivesaria, e está aposentado desde há 3 anos, vivendo agora em Fânzeres. Alguns problemas de saúde, de ordem cardiológi-
ca, não tem limitado o seu entusiasmo de viver e, até por isso, lhe enviamos o nosso abraço de parabéns! E mais, muitos mais anos de vida! 







quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

4 009 - A rotação dos Cavaleiros do Norte para Carmona

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, todos
furriéis milicianos: António Flora, Agostinho Belo, António da Costa 

Fernandes (que amanhã faz 66 anos) e Alcides Ricardo
Avenida do Quitexe. À direita, a entrada para a parada do
BCAV. 8423 e a Bandeira Portuguesa na entrada do edifício
do Comando. A seguir, a secretaria da CCS, casa dos fur-
 riéis e messes de oficiais e de sargentos

Os efeitos do Acordo do Alvor não tiveram, afinal, grande repercussão na guarnição quitexana dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, para além dos quadros graduados - que estavam mi-
nimamente informados e, valha a verdade, muito pouco preocupados. Apenas os praças, quiçá menos escla-
recidos, procuravam saber do que se tinha discutido e decidido no Algarve.
Sobrava, é verdade, a expectativa sobre 
Manuel Neves (Bolinhas) e furriel 
João Dias, a 9 de Janeiro de
1975, em Zalala. Há 43 anos!
o regresso a Portugal,
Sobrava, é verdade, a expectativa sobre o regresso a Portugal, mas isso era «questão» que medrava desde a nossa chegada a Luanda - a 30 de Maio de 1974. Pouco já nos apoquentava.
A vida quotidiana não teve quaisquer alterações, continuaram os serviços de ordem, as patrulhas da Estrada do Café e as escoltas habituais e, lê-se livro «História da Unidade», «começou a ser murmurada uma nova remodelação do dispositivo, na qual o BCAV. iria sediar-se em Carmona, dado que o BC12, que desde 1961 guarnecera a capital dos Distrito do Uíge, iria ser extinto». 
Como se sabe, a CCS para lá rodou no dia 2 de Março de 1975, transferida do Quitexe.
Manuel Neves, agora Amaral (o  Bolinhas) e o
furriel João Dias, a 4 de Junho de 2016, no
encontro de Fátima dos Zalala´s

O antes e o depois

de... Zalala !!!

A 1ª. CCAV. 8423 abandonou a Fazenda de Zalala a 25 de Novembro, «data em que completou os seus movimentos», mas a rotação começara dias antes - a 20 ou 21, quando a CCÇ.4135 começou a sair para Luanda.
A 9 de Janeiro de 1975 voltou lá um grupo de «zalala´s», para ir buscar fruta que por lá abundava: bananas, abecaxis e papaias. «Terá sido, porventura, a última, ou das últimas presenças de tropa naquelas paragens», comentou o furriel João Dias, recordando que «o ponto da tomada de vistas era espaço de passagem entre casernas, que a vegetação espontaneamente ocupou»
É dessa viagem a imagem aqui reproduzida, acima, com o furriel João Dias e o Manuel Neves (Bolinhas), por oposição à que se segue, obtida em 2016, no en-
contro de Pombal e precisamente com os mesmos personagens.
O Manuel Pereira das Neves é agora Amaral por opção, quando casou.
Os furriéis Fernandes e
Viegas no Quitexe (1975)

A. Fernandes
em 1995

Fernandes, o furriel
66 anos em Monção!


O furriel miliciano Fernandes, da 3ª. CCAV. 8423, está em festa de anos: comemora 66 a 19 de Janeiro de 2018!
António da Costa Fernandes foi Cavaleiro do Norte atirador de Cavalaria e jornadeou pelo africana Angola entre 5 de Junho de 1974 e 11 de Setembro de 1975. Neste dia, regres-
sou a Portugal e a Lomar, em Braga, a sua terra natal, e fez carreira profissio-
nal como professor. Já aposentado, mora em Monção, para onde «viaja», em-
brulhado em prazer de o ter como amigo, o nosso abraço de parabéns! 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

4 008 - Incêndio na arrecadação de material de guerra do Quitexe!

O edifício da arrecadação de material de guerra do Quitexe sofreu um incêndio
 ao princípio da noite de há 43 anos e foi imediatamente evacuado. Na imagem,
 vê-se, à direita, o capitão António Oliveira, comandante da CCS. Sentado,
está o 1º. cabo Alfredo Coelho (Buraquinho)  

As labaredas eram bem visíveis. Temeu-se o rebentamento
do material de guerra, o que poderia ser uma... tragédia
A noite do Quitexe, há 43 anos - dia 17 de Janeiro de 1975, precisamente... -, co-
meçou com o alarme de incêndio na ar-
recadação de material de guerra.
Temeu-se o pior!
O edifício ficava à face da estrada do ca-
fé (que liga Luanda a Carmona) e incluía os quartos dos alferes milicianos Jaime Ribeiro e António Garcia, para além de alguns praças - incluindo os quartelei-
ros e o alarme rapidamente reclamou os
Os 3 bombeiros que acorreram ao incêndio da
arrecadação de material de guerra do Quitexe
Cavaleiros do Norte para o combate às cha-
mas. Solidários e corajosos, apesar dos poucos meios disponíveis!
O edifício tinha muito material de guerra, em depósito e susceptível de estourar e provocar sabe-se lá o quê: destruição do edifício e limí-
trofes, porventura mortes!
Milhares de munições ligeiras (principalmente de G3) rebentaram, ainda assim - parece que ainda estamos a ouvir o seus estridentes silvos e os calafrios que provocaram -, mas felizmente sem provocarem qualquer dano humano.
«Houve avultados prejuízos materiais», reporta o livro «História da Unidade», do BCAV. 8423, dan-
do conta da situação e sublinhando também que «não foi possível evitar a destruição total do imóvel, por falta de meios ade-
quados para apagar o incêndio, inclusive água própria».
A memória reporta a chegada do carro dos Bombeiros, uma pequena viatura com três homens (um deles, pelo menos, até de gravata...) e uma pequena bomba manual, que não dava para nada e suscitou, até, fartas risadas entre a guarnição. De pouco valeu, aliás, no combate às chamas - já controladas pela imediata intervenção dos militares.
O que mais se temeu foi o rebentamento do material de guerra (pesado) lá de-

positado, que era muito e naturalmente perigoso e que, obviamente, poderia provocar uma tragédia. Felizmente, foi retirado em tempo - por obra de militares, os que lá estavam e outros voluntários, cujo nome, lamentavelmente não sabemos mas aqui gostaríamos de sublinhar.  

Cimeira com acordo
entre as 4 partes

A Cimeira do Alvor terminara, assinada entre as 4 partes envol-

vidas: Portugal, MPLA, FNLA e UNITA. E, há 43 anos. com mais pormenores a chegar ao Quitexe, através da imprensa escrita.
O Diário de Luanda publicou uma edição especial e o A Provín-

cia de Angola, na pena do jornalista Luís Rodrigues, interrogava-se sobre «o que dizer aos portugueses brancos residentes em Angola». Perguntava e res-
pondia: «Pois bem, que olhem para as qualidades intrínsecas de bondade, de gentileza natural, de compreensão pela vida familiar dos seus irmãos africa-
nos». Quisesse dizer o que quisesse o A Província de Angola e o jornalista.
Agostinho Neto, depois da Cimeira do Alvor, viajou para o Porto num avião da Força Aérea Portuguesa, acompanhado de Paulo Jorge (dirigente do MPLA), para lá se encontrar com estudantes angolanos. E fez o mesmo em Coimbra.
Jonas Savimbi, da UNITA, comentava o acordo, com satisfação, sublinhando que reflectia «o espírito de fraternidade que presidiu aos trabalhos e a defesa dos interesses do nosso povo».

Fazenda Santa Isabel

Ferreira de Santa Isabel,
66 anos em Guimarães !

O 1º. cabo Ferreira, apontador de morteiros da 3ª. CCAV. 8423, festeja 66 anos a 17 de Janeiro de 2018. Mais 43 que os primaveris 23 celebra-
dos nas saudosas terras do Uíge angolano - então já na vila do Quitexe. 
José Agostinho da Silva Ferreira foi Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isa-
bel, depois do Quitexe, e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. A Vila Chã, lugar da freguesia de Santo Estevão de Briteiros, em Guimarães. Lá continua a viver e para lá vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

4 007 - O acordo do Alvor, em 1975; o novo comandante do RC4, em 1974!




O 1º. cabo Victor Vicente (aponta-
dor de morteiros) e Eduardo Tomé (Sintra, o Mercedes, condutor), ambos da 2ª. CCAV. 8423, a de
Aldeia Viçosa), com os CCS´s 1º. cabo Victor Florindo (enfermeiro)
e Alfredo Coelho (analistas de águas, o Buraquinho, que amanhã faz 66 anos em Custóias (Matosinhos)

||||

O novo comandante do Regimento de Cavalaria 4 (RC4), o coronel João Carlos Craveiro Lopes, to-
mou posse no dia 16 de Janeiro de 1974.
O BCAV. 8423 estava ainda nos seus pri-
meiros dias de for-
mação e instrução operacional, iniciada
O marechal Craveiro Lopes e o
filho João Carlos, coronel,
que foi comandante do RC4 

precisamente uma semana antes, depois da apresenta-
ção informal do dia 8 desse mês de Janeiro há 44 anos - no Destacamento do Campo Militar de Santa Margarida (CMSM). Como o tempo passou!!!
O BCAV. 8423 «tomou parte na cerimónia, podendo di-
zer-se ter sido nesta data a sua primeira aparição co-
mo unidade constituída», como se pode ler no livro «História da Unidade».
O coronel João Carlos Craveiro Lopes era filho do mare-
chal João Higino Craveiro Lopes, que tinha sido Presi-
dente da República. Revelou-se um comandante muito austero e algo distante dos homens da guarnição, por-
ventura, até, excessivamente exigente e disciplinador.
A revolução de 25 de Abril «afastou-o» do comando do Regimento de Cavalaria 4, a unidade dos carros de combate do Exército Português, tendo sido substi-
tuído a 6 de Maio de 1974, pelo coronel Luís Maria de Sousa Campeão Gouveia - quem comandava nas datas de partida para Angola da CCS (no dia 29 de Maio), da 1ª. CCAV. (a 31), da 2ª. CCAV. (a 3 de Junho) e da 3ª. CCAV. (a 4).

Primeira página do Diário de Lisboa de
 16 de Janeiro de 1975, com a notícia
 da Cimeira do Alvor


O Acordo do Alvor e
a esperança d´Angola!


Um ano depois, a 15 de Janeiro de 1975, chegaram ao Uíge notícias, em papel de jornal, da assinatura do histórico Acordo do Alvor. Acordo que abria portas para a independência de Angola e sobre o qual, na véspera, ansiosamente ouvíramos notícias da rádio.
«A partir de agora, vós e os vossos movimentos, estão colocados perante um desafio duplo. É a espe-
rança de todos os angolanos a exigir que homens e partidos, apesar das diferenças sociais, filosóficas e políticas, saibam encontrar soluções angolanas autênticas, baseadas na capa-
cidade de diálogo, no espírito de cooperação e na boa vontade de servir o vos-
so país», disse o Presidente Costa Gomes, no encerramento e dirigindo-se aos dirigentes do MPLA, FNLA e UNITA.
O presidente do MPLA interveio em nome dos três movimentos:«Aqui, as pre-

tensões dos colonialistas ficaram enterradas para sempre», disse Agostinho Neto, acrescentando que «afastado o obstáculo do colonialismo, nem o povo português nem o povo angolano desejarão recuar na sua transformação pro-
gressiva, para uma nova definição do homem na sociedade».
«A dinâmica da vida - acrescentou o presidente do MPLA - só nos pode condu-

zir a um destino. O destino do progresso. Se recuarmos, o processo em Portu-
gal e em Angola, este importante acordo, hoje selado, pelo estabelecimento das relações justas entre os nossos povos, romper-se-á inevitavelmente».
O dia confirmou que o almirante Rosa Coutinho deixava o Alto Comissariado Português em Angola e que seria substituído pelo brigadeiro Silva Cardoso.



Coelho, o 1º. cabo Alfredo
Buraquinho, em 1974

A. Coelho, o
Buraquinho,
em 2017
Coelho,o Buraquinho,
66 anos em Custóias!

O 1º. cabo Coelho, analista de águas da CCS do BCAV. 8423, está em festa no dia 17 de Janeiro de 2018: comemora 66 anos.
Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, de seu no-
me de baptismo mas pelo Uíge e até aos dias de hoje imortalizado como Buraquinho, transitou para 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel mas já aquartelada no Quitexe, em Novembro de 1974. 
Regressou a Portugal e a Custóias (Matosinhos), sua terra natal, no dia 11 de Setembro de 1975. De lá era, lá voltou e lá continuou até aos dias de hoje, agora já aposentado e depois de uma vida de trabalho que, por exemplo, passou pela propriedade e gestão de uma unidade de res-
tauração. Para lá vai, bem forte, o nosso abraço de parabéns!








segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

4 006 - Assinatura do Acordo do Alvor; CSU reunido no Quitexe!

O alferes miliciano Carlos Sampaio, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de
 Zalala (assinalado a branco), que hoje faz anos em Lisboa e/ou Costa da Capa-
rica. Outros estão identificados na imagem E os que não estão, quem são?

A Delegação de Portugal que participou na histórica
Cimeira do Alvor - há precisamente 43 anos! Ima-
gem, com as seguintes, do Diário de Lisboa (ao lado)

A 1ª. página do DL
de 15/01/1975

O acordo entre Portugal e os movimentos de li-
bertação de Angola, na Cimeira do Alvor, foi as-
sinado às 23 horas de 15 de Janeiro de 1975. Hoje, precisamente, se passam 43 anos! 
A Delegação do MPLA 
«A partir de hoje, vós e os vossos movi-
mentos ficam diante de um desafio duplo. É a esperança de todos os angolanos a
exigir que os homens e os partidos, ape-
sar das diferenças sociais, filosóficas e políticas, saibam encontra soluções an-
golanas autênticas, baseadas na capa-
cidade de diálogo, no espírito de coope-
ração e boa vontade de servir o vosso 
A Delegação da UNITA
país», disse o Presidente Costa Gomes, sublinhando a importância histórica do acordo do Alvor.
O texto integral fôra lido pelo major Melo Antunes, «em voz firme, sem uma hesi-
tação», reportou o DL, acrescentando que a cerimónia esteve prevista para as 20 horas mas «foi sucessivamente adia-
da, devido a atrasos na passagem à má-
quina, em Português, do acordo».
A Delegação da FNLA
Agostinho Neto, do MPLA, e também em nome da FNLA e UNITA, afirmou no final que «aqui, as pretensões dos colonia-
listas ficaram enterradas para sempre».

Cavaleiros no Quitexe
a ouvir as notícias

Os Cavaleiros do Norte, a cerca de 9000 quilómetros de distância, «ouviram» com dificuldade a reportagem da Emissora Nacional (actual RDP), através da onda curta e com muitas interrupções. A imprensa escrita que lá chegava, ajudaria (como ajudou) a completar os nos-
sos raciocínios sobre a evolução do processo de descolonização - que ga-
nhou, em Alvor, uma força nova - aparentemente tendo galgado um enorme problema (o da comunhão dos três movimentos), mas sobrando, todavia, todas as dúvidas sobre o nosso destino próximo.
Quando seria o regresso a Portugal?
O dia, no Quitexe, foi assinalado por mais uma reunião de comandantes das unidades do Comando do Sector do Uíge (CSU). «O BCAV. foi honrado com a presença do Exmo. Comandante do Sector e oficiais do seu Estado Maior», regista o livro «História da Unidade».
Os alferes  Carlos Sampaio (que hoje festeja
66 anos) e António Garcia com o furriel Viegas,
momentos antes da saída destes para mais
uma operação nas matas do Uíge

Sampaio, alferes de Zalala,
66 anos em Lisboa/C. Caparica

O alferes miliciano Sampaio, da 1ª. CCAV. 8423, festeja 66 anos a 15 de Janeiro de 2018.
Carlos Jorge da Costa Sampaio foi atirador de Cavalaria e comandou o 2º. Grupo de Combate dos Cavaleiros do Norte de Zalala. Regressou a Portugal a 9 de Setembro de 1975, à avenida 5 de Outubro, da freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, onde vivia. 
Pouco mais sabemos dele. Apenas que se dividirá entre a lisboeta Estrada da Maia, em Benfica (também em Lisboa), e a Costa da Caparica. Onde quer que esteja, para ele vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 14 de janeiro de 2018

4 005 - Um Governo Provisório para Angola a ser negociado no Alvor

Cavaleiros do Norte no Quitexe. Reconhecem-se, na fila de trás, o 1º. cabo Grácio (5º.), alferes Ribeiro (de
braços cruzados), furriel Pires, TRMS (4º. a contar da direita). A meio, o 1º. cabo Florindo, enfermeiro (em
 frente ao Grácio), o 1º. cabo Marques, o Carpinteiro (destacado a branco e que amanhã faria 66 anos, tendo
falecido a 01/11/2011, em Ovar.), furriel Mosteias (f. a 05/02/2013, de doença e em Santiago de Cacém). De
pernas abertas, o 1º. cabo Emanuel Santos. E os outros, alguém os identifica?
Os presidentes Jonas Savimbi (da UNITA), Agostinho Neto
(do MPLA) e Holden Roberto (da FNLA)

O 14 de Janeiro de 1975, uma terça-feira, levou até ao Uíge angolano mais novas da Cimeira que, no Alvor algarvio, junta-
va o Governo de Portugal e os três mo-
vimentos de libertação de Angola - o MPLA, a FNLA e a UNITA.
A formação do Governo Provisório era 
Diário de Lisboa, 1ª.
página de 13/0171975
anunciada para até ao final desse mês de Janeiro, nos termos do acordo que iria ser assinado no dia seguinte (15) e estava ainda em negociações. Negociações para, por exemplo, na manhã deste dia de há 43 anos e de acordo com a reportagem do Diário de Lisboa, «ultimarem a redacção dos dois últimos pontos do protocolo» - nomeadamente no que tinha a ver com a distribuição das pastas ministeriais.
A este ponto, ainda de acordo com a reportagem do jornal ves-
pertino de Lisboa, «é de sublinhar que o futuro Governo Provi-
sório de Angola compreenderá 3 vice-primeiros-ministros, um por cada partido, para além do Alto Comissário de nomeação portuguesa» - que, segundo jornal, poderia ser Silva Cardoso, face à saída de Rosa Coutinho.
Quando aos vice-primeiros-ministros, falava-se, a esse tempo, que poderiam ser Lúcio Lara (pelo MPLA), Jonhy Eduardo (da FNLA, que era sobrinho do presidente Holden Roberto) e António Vakulucuta (da UNITA).
Os 1ºs. cabos João Monteiro (Gasolinas) e
Manuel Marques (Carpinteiro) na parada
do BC 12, em Carmona (1975)

1º. cabo Marques, o 
Carpinteiro, faria 66 anos!


O 1º. cabo Marques, Cavaleiro do  Norte da CCS, faria 66 anos a 15 de Janeiro de 2017, mas faleceu a 1 de Novembro de 2011, em Ovar.
Manuel Augusto da Silva Marques ficou imorta-
lizado no BCAV. 8423 como Carpinteiro (a sua especialidade) e foi louvado por «no desempe-
nho das suas funções ter manifestado ser um
Manuel Marques, Car-
pinteiro, pouco antes
da sua morte (2011)
militar muito trabalhador, sempre pronto a atender os serviços que lhe eram determinados ou pedidos (...)».
O louvor foi proposto pelo comandante da CCS (o capitão An-
tónio Oliveira) e «realça ainda» a colaboração que deu à cozi-
nha, «aquando do apoio aos refugiados dos incidentes em Carmona», precisando que «dia e noite ali permaneceu, aju-
dando os cozinheiros a atender o grande número de crianças e senhoras à hora das refeições que lhes eram servidas no quartel, não deixando também de emprestar o seu esforço a quaisquer outras missões que a si fossem solicitados» - como se pode ler no louvor publicado na Ordem de Serviço nº. 170 do BCAV. 8423.
O Marques (Carpinteiro) faleceu, subitamente, a 1 de Novembro de 2011 quan-
do, depois de assistir às cerimónias religiosas do dia, abria a porta da sua re-
sidência, foi vítima de ataque cardíaco. Hoje, o lembramos com saudade. RIP!

sábado, 13 de janeiro de 2018

4 004 - Cavaleiros do Norte a passear na Quedas do Duque de Bragança!

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala mas jáem Vista Alegre, em
viagem para as Quedas do Duque de Bragança. De pé, 
Almiro Maciel,  furriel
João Dias, alferes Lains dos Santos, furriel Évora Soares, Carlos Coelho
e Famalicão (de pé). Em baixo, Carlos Costa e Fernando Silva
Os furriéis milicianos Carlos Letras e António Chitas, da
2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, fotografados junto à
 placa rodoviária de Duque de Bragança. Ao tempo,
organizavam-se excursões turísticas

Os dias de meados de Janeiro de 1975 iam sendo riscados do calendário, de-corria a Cimeira do Alvor e, pelas ban-
das do Uíge angolano, os Cavaleiros do Norte continuavam a sua comissão de serviço. Cumprindo tarefas opera-
cionais e aguardando os dias do futuro.
O que iria acontecer nos tempos mais próximos?, qual viria a ser a próxima missão dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423? Que papel lhe seria desti-
O furriel José Pires, da TRMS da CCS, nas
 Quedas do Duque de Bragança (1975)
nado? Ninguém sabia. Todos desejavam saber.
Sabia-se é que, de alguma forma despreocupa-
damente, as quatro Companhias dos Cavaleiros do Norte se organizavam para proporcionar lazer que afortunasse os tempos que por lá se viviam. Havia o futebol, também as sessões de cinema, e passou-se à «dinamização de pas-
seios de fim de semana para alguns dos mi-
litares», nomeadamente às famosas Quedas do Duque de Bragança.
As imagens que hoje publicamos, e sem data, referem-se a alguns desses passeios turísticos dos Cavaleiros do Norte, feitos não em luxuosos nado e outras mordomias...), mas nas duras Berliets de transporte militar (para todo os serviços e mais al-
gum...) - que se transformaram, assim, de meio transporte para zonas de guer-
ra, de teatro operacional, para este pacífico a apetitoso serviço de lazer.
O Diário de Lisboa de
13 de Janeiro de 1975

A Cimeira do Alvor

A Cimeira entre Portugal e os três movimentos de libertação de Angola continuava no Alvor e, de 13 de Janeiro de 1975, soube-se que, embora sem confirmação oficial, o dia 11 de Novembro foi apontado como o da independência de Angola.
O dia 13 de há precisamente 43 anos foi uma segunda-feira e sabia-se também, de acordo com o Diário de Lisboa (que agora fomos rever), que «a constituição e chefia do futuro Governo» - o Gover-
no de Angola... - era um dos pontos mais relevantes, e de resto dos mais discutidos, das «intensas negociações» que decorriam na Cimeira do Alvor.
Os três movimentos de libertação pretendiam 5 ministérios para cada um e dois para Portugal. Opôs-se a delegação portuguesa, liderada pelo major Melo Antunes, contrapondo «4 pastas para cada uma das partes» - 4 para Portugal, 4 para o MPLA, 4 para a FNLA e 4 para a UNITA. 
Quanto à liderança do futuro Governo angolano, Portugal lançou a ideia de ser rotativa, ou colectiva. Ver AQUI e AQUI. 
Os 1º,s cabos João Estrela (com a esposa) e
Domingos Teixeira no encontro da CCS,
em 2016 e em Custóias (Matosinhos)

Estrela do Quitexe, 67
anos na Amadora ! 


O 1º. cabo Estrela, da CCS do BCAV. 8423, fes-
teja 67 anos no dia 15 de Janeiro de 2018.
João Francisco Lavadinho Estrela, de seu no-
me completo, era operador-cripto dos Cavalei-
ros do Norte do Quitexe, aquartelado na sede do Batalhão (na saudosa vila do Quitexe).  
João Estrela
em 1974/75
A 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jornada africa-
na do Uíge angolano, pelo Quitexe e Carmona, deixou o Campo Militar do Grafanil (nos arredores de Luanda) e regressou a Portu-
gal e à Rua dos Amenos, freguesia de  Benfica (na lisboeta capital portuguesa), onde então residia - ido do seu saudoso Alentejo.
O João Estrela é natural de Campo Maior e vive actualmente na ci-
dade da Amadora, trabalhando na área do imobiliário - na Remax. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

4 003 - Patrulhas e escoltas no Uíge angolano, Cimeira no Alvor...

O comandante Bundula, da FNLA, em Aldeia Viçosa, com o capitão mili-
ciano José Manuel Cruz (comandante a 2ª. CCAV.
  8423), um militar (?) da
FNLA, o capitão miliciano José Paulo Fernandes (comandante da 3ª. CCAV.
 
8423) e o administrador civil (careca)
Cavaleiros do Norte no Quitexe. Atrás, os furriéis Pires e
 Costa (Morteiros) Graciano, Fernandes, Carvalho e Rocha
 e 1º. sargento Marchã. A seguir, Cardoso, Grenha Lopes,
Flora (tapado pelas mãos do Fernandes) e Viegas. Depois,
Abrantes (de cachimbo), Rabiço, Reino (tapado pela mãos
do Bento), Bento (de bigode) e Ribeiro


A Cimeira do Alvor decorria no Hotel Penina e, pelas bandas do Uíge angola-
no, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 continuavam a sua jornada africa-
na, continuadamente muito expectan-
tes e confiantes.
Patrulhas nos principais itinerários, vi-
sando a segurança do tráfego, era uma das principais missões do dia a dia, e de noite, toda a noite e nem sempre com a compreensão e colaboração de condu-
tores de carros ligeiros e motoristas de
A 1ª. página do Diário de Lisboa
de 11 de Janeiro de 1975
pesados - normalmente transportadores de café. 
As escoltas, principalmente a fazendas e sanzalas da zona de acção, eram também frequentes. Para além dos serviços de ordem, nos quartéis do BCAV. 8423 - ora no Quitexe (onde estavam a CCS e a 3ª. CCAV., a de Santa Isabel), em Aldeia Viçosa (a 2ª. CCAV.) e em Vista Alegre e Ponte do Dange (1ª. CCAV., a de Zalala).

A Cimeira do Alvor


O dia 12 de Janeiro de 1975 foi um domingo e, da vés-
pera e sobre a Cimeira que decorria no Alvor algarvio, chegavam notícias  de «uma intensa sessão de trabalhos, que durou das 22 horas de ontem até ao começo da madrugada de hoje» - dia 11.
O Diário de Lisboa desse dia (11) reportava que «a Cimeira angolana entrou na sua fase verdadeiramente delicada e complexa, não só pelas naturais diver-
gências de ordem política entre os três movimentos, como ainda pela posição firme, embora conciliadora do Movimento das Forças Armadas, apostado em garantir para Angola uma via descolonizadora verdadeiramente progressista».
A primeira sessão desse dia 11 de Janeiro de 1975, e ainda de acordo com o Diário de Lisboa, que citamos, foi consagrada à «ratificação dos acordos emergentes da pré-cimeira de Mombaça».

Silva, cortador, faria
66 anos em Chaves!

O soldado Carlos Silva, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, a do Quitexe, faria 66 anos a 12 de Janeiro de 2018. Faleceu, porém, nos anos 90 do século XX.
Carlos Alberto Morais da Silva jornadeou pelo Quitexe e Carmona, como corta-
dor da cozinha, e regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975. A San-
fins da Castanheira, freguesia do concelho de Chaves - onde ao tempo residia.
Trabalhou na agricultura, casou e teve 3 filhos: um deles radicado em Chaves e dois outros emigrados em França. Infelizmente, e de acordo com Rui Pintor, presidente da Junta de Freguesia de Sanfins de Castanheira, faleceu «há uns 20 e tal anos», nos anos 90 do século XX, aos 40 e poucos anos e vítima de doença cancerosa. Hoje o recordamos com saudade. RIP!